AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista, Lançamento

Aires sobre “Daylight Fireworks”: “É um disco muito mais honesto”

8 Janeiro, 2021 - 12:25

O primeiro trabalho a solo de Aires pela ZABRA foi lançado esta sexta-feira.

Depois de participar na compilação “INTERCEPÇÃO”, Aires estreia-se agora a solo pela lisboeta ZABRA com “Daylight Fireworks”. Através de “mares de estática, dilúvios de bleeps, arpeggios perdidos, samples de voz assombrados ou percussões latentes que só estão na nossa cabeça”, segundo notas oficiais, o produtor assina um EP ambient que promete agarrar o ouvinte à “visão íntima” do madeirense.

À conversa com A Cabine, Aires, que já não lançava com este nome desde “Modernidade Líquida”, explica que começou a trabalhar neste EP antes da pandemia, embora só o tenha terminado no final do verão: “não é um disco de quarentena, isso é certo, apesar de as emoções aqui presentes se terem amplificado durante” esse período.

“O meu 2020 teria sido estranho mesmo sem a pandemia”, confessa: “com tudo o que aconteceu, tive de reaprender a valorizar muitas coisas que tomava como garantidas. Apercebi-me que precisava mesmo de pessoas à minha volta, e que a casa podia tornar-se numa prisão”. Aires acredita que este contexto talvez possa ter influenciado a sua música, mas é provável que “ainda seja demasiado cedo para isso se conseguir notar”. “Talvez num próximo disco”, questiona.

Antes desse eventual próximo disco, há uma viagem para encontrar em “Daylight Fireworks”, um EP cuja aparente complexidade sónica é, na realidade, uma porta para um mundo etéreo onde somos embalados ao longo de quatro temas. “Este é um trabalho sobre a aceitação inevitável da efemeridade, sobre o anseio por algo fugaz que nunca vivemos plenamente”, conta-nos, acrescentando que é “um trabalho sobre a noção de saudade, sobre a projeção do que nos falta no outro, sobre os abismos que cada um tem dentro de si”.

Com um título retirado do filme “Black Coal, Thin Ice”, de Diao Yinan, Bruno Pereira quis representar neste EP “a surpresa e a fragilidade de algo tão improvável e etéreo como fogo de artificio diurno”. Num trabalho que é também sobre “distância” e sobre “as ilusões que usamos para tentar escondê-la”, todas as faixas tocam, “de forma genérica”, em “momento muito específicos” da vida de Aires, como se pode ler nos títulos. “Nesse aspeto”, diz-nos, “é um disco muito mais honesto que os outros, em que tinha outro tipo de preocupações”.

Aires, que vê na ZABRA uma label na qual há “um compromisso conceptual”, uma “vontade de descobrir e fazer acontecer” que lhe agrada bastante, não lança música apenas com este nome. No ano passado, por exemplo, editou ao lado de João Valinho no duo Fashion Eternal ou até como Shikabala.

Em toda e qualquer colaboração, o madeirense “tem aprendido imenso” e daí surge a “vontade de explorar”, que “vai crescendo conforme as possibilidades que vão surgindo”, como é caso do trio Scolari, ao lado de António M. Silva e Luís Vicente, ou da dupla hardcore Hot Dancerzzz, que partilha com Mafalda Melim, que gere consigo o Colectivo Casa Amarela.

Ainda este mês, Aires quer começar “mais dois novos projetos”, e isso deve-se à sua motivação “simples e ingénua”: “há muita música que gostava de fazer, muita música diferente, com focos diferentes e instrumentos diferentes”. Afinal, cada projeto “representa um universo”, “uma ideia qualquer” que quer explorar.

Como esta é uma “altura em que não se pode parar”, “há muito para sair nos próximos tempos”: para além desses dois novos projetos, vêm aí “dois discos novos de Shikabala, o disco de estreia de Scolari” e “o split de estreia de Hot Dancerzzz em collab com a Rotten \ Fresh”. Para 2021, há também planos para um novo EP de Fashion Eternal e para “muita atividade” do Colectivo Casa Amarela.

Mas, até lá, há muito tempo para nos deliciarmos com “Daylight Fireworks”, EP que conta com uma edição limitada em cassete e que podes encontrar no Bandcamp, mais acima, ou na atuação ao vivo que a ZABRA gravou e publicou no YouTube, abaixo. Já esta sexta-feira, dia 8, o trabalho é apresentado no desvio, em Lisboa, pelas 19h.

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