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Melhores lançamentos de agosto

8 Setembro, 2019 - 18:38

Escrevemos sobre os 12 lançamentos que não nos saíram da cabeça durante o mês de agosto.

Saramago – Chapter 1 [Raw Level Records, 5 de agosto]
Depois de o ouvirmos em Luhk & Friends, trabalho que foi também editado na portuguesa Raw Level Records, Saramago volta a fazer das suas em Chapter 1, o seu álbum de estreia. Ainda que por vezes possa parecer monótono, a verdade é que cada uma das nove faixas tem um toque especial, toque esse que nos faz ficar desejosos de ouvir mais discos do dj e produtor de Torres Vedras. E de voltar a escutar este, claro.



Art Department – I’s On U EP [Kwench Records, 9 de agosto]
Por vezes sofremos de uma (pseudo) “snobice”, que tanto assola os amantes da música eletrónica e o preconceito muitas vezes associado, impedindo-nos de ouvir um ou outro nome mais sonante ao grande público – foi o caso deste I’s On U EP, de Art Department. A faixa que dá nome ao trabalho é jackin house sublime, de kick pujante que, aliado ao jogo de pratos e claps perfeitamente sincronizados, nos deixa com uma ginga na anca típica de uma arma polivalente, eficaz em pistas underground e/ou mainstream. E a batida roller e corpulenta, mais techno, de Rings of Jupiter não fica nada atrás.



Apart – Porcelana [Rohstoff, 14 de agosto]
Neste trabalho, o dj e produtor da Figueira da Foz foge do seu habitat natural para se inspirar noutros mundos. A Rohstoff, editora responsável por este lançamento, refere que Porcelana é um “álbum muito emocional” e que reside em memórias e experiências pessoais, algo que se consegue escutar ao longo das oito faixas. Do ambient às suas influências techno, João Simões presenteou-nos com um brilhante álbum de estreia do seu projeto Apart. Só temos a agradecer.



Onism Qi – ’96 Dreamer EP [Translation Recordings, 16 de agosto]
Neste 96 Dreamer EP, pela norte-americana Translation Recordings, o trio composto por Quentin Hiatus, Thomas B e Ghast resolveu prestar um tributo aos anos dourados da era rave, fundindo estas sonoridades com um toque contemporâneo, sem qualquer tipo de restrições rítmicas ou de género. Esperem, portanto, uma fusão de estilos fora da caixa – jungle, hardcore, house, footwork, future bass (…) – numa combinação curiosa e agradavelmente surpreendente, que vale bem a pena espreitar.



Ross From Friends – Epiphany [Brainfeeder, 16 de agosto]
Começa a ser impossível descartar Ross From Friends do topo de produtores com um toque peculiar e único. O britânico, que atua na edição deste ano do Nova Batida, alia o mundo do house, por exemplo, ao mundo da eletrónica do Reino Unido de tal forma que a faixa homónima, que abre o trabalho, deixa-nos logo em modo de alerta. Desde essa sentimental música até um lado mais alegre em The Revolution, Felix Clary Weatherall faz uma homenagem à sua irmã ao longo deste EP. Sorte a dela – e nossa.



Uväll – Irregular Texture [HAYES, 16 de agosto]
Ouvimos Uväll pela primeira vez em janeiro, quando a lisboeta HAYES abriu o segundo volume da série K com Index do dj e produtor da Geórgia. Diretamente da capital Tbilisi, o jovem de 19 anos não cessa em surpreender. Desde a densidade e intensidade de Resistance até ao agoniante drone de Body Signals, a passar por faixas como o remix de Nørbak a Inversion, o georgiano merece, sem dúvida, ser destacado como um dos melhores lançamentos techno de agosto.



Stef Mendesidis – Klockworks 26 [Klockworks, 16 de agosto]
De regresso à Klockworks depois de, em 2018, lançar o 23º disco da editora de Ben Klock, o grego assina um EP de techno acelerado, de fechar os olhos e andar com a cabeça às rodas. Entre outros pormenores, Cyber Document – faixa que tem corrido inúmeros sets no mundo, como o de Ben Klock no Neopop 2019 – Pain Killer e Hunt contam com vocais que servem de boost – e de exemplo – para a trip que se vive em Klockworks 26.



Rogério Martins – Oh Baby EP [Piston Recordings, 19 de agosto]
O patrão da portuguesa Piston Recordings é o responsável por este quingentésimo lançamento da editora, e no qual explora o mundo do deep house com um notável toque. Logo desde início, a faixa homónima do EP seduz-nos de forma brilhante – pelo meio, um vocal derrete-nos por completo. Bona Fide não fica nada atrás e, por estas e outras razões, o destaque a este EP é inevitável.



Holldën – Parable [Trau-ma, 19 de agosto]
Nos últimos tempos – e nos seus últimos lançamentos – o dj e produtor Holldën tem provado ser um dos nomes a ter mais em conta dentro da cena nacional de techno. Editado na Trau-ma do madeirense Robert S, Parable não é exceção. Composto por quatro faixas à volta das 130 batidas por minuto, o trabalho é altamente hipnótico e mental. À medida que se escutam os diferentes elementos, como o viciante groove das batidas, Parable apresenta-se como um EP notável. É tão irresistível que, no final da última faixa, volta-se à primeira.



Mystics – Without Lies EP [OBSCUUR Records, 19 de agosto]
Com remixes de 11XXX27 e de Jannik Aßfalg, Without Lies assenta como uma luva no nome da editora que lança este trabalho, a holandesa OBSCUUR Records. O italiano Mystics é o artista por trás deste EP, no qual explora um ambiente negro e industrial, ou até synths e linhas de baixo que parecem retirados de um filme de vampiros ou de suspense. Para ouvir no pico da noite.



Qwëzall – Obstinado EP [Krad Collective, 20 de agosto]
Techno duro, hipnótico, acima das 130 batidas por minuto, daquele que faz qualquer pista enlouquecer. Se este é o primeiro lançamento oficial do português Qwëzall – e da sua Krad Collective – é certo que ainda haverá muita margem de progressão, mas, mesmo assim, Obstinado encheu-nos as medidas. Só nos falta ouvir uma destas seis faixas num clube.



Molecular – Triangle Dub/Kingdom’s Fall [Counterpoint, 30 de agosto]
Vamos diretos ao assunto: este lançamento vai diretamente para os lugares cimeiros no que à qualidade da produção nacional de drum’n’bass diz respeito. Membro ativo do coletivo Counterpoint Recordings, Molecular lança Triangle Dub e Kingdom’s Fall dentro de portas, aliando a clara influência das sonoridades mais techy do final dos anos 90/início dos 00, à sonoridade que tão bem conhece da editora portuguesa. O gaiense demonstra que a sua maturação enquanto produtor está quase completa, apesar da tenra idade de 21 anos, e que, continuando assim, o futuro será certamente risonho.

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