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Melhores lançamentos de março

10 Abril, 2019 - 12:19

Ao longo de março, foram 16 os trabalhos que mais marcaram a nossa redação.

Branko – Nosso [Enchufada, 1 de março]
O segundo álbum de Branko estreou no início do mês de março, mas ainda hoje não nos cansamos de o ouvir. Nosso guia-nos por entre sonoridades mais ou menos pop, mais ou menos alegres, mas sempre com uma coerência e história bem vincadas, resultando num exímio trabalho, tanto de composição como de produção, com vozes de Umi Cooper, Mallu Magalhães e, entre outros, Dino D’Santiago a atuarem como a cereja no topo do bolo.



Planetary Assault Systems – Straight Shooting [Mote-Evolver, 1 de março]
É inevitável: Luke Slater não cessa a sua atividade como dj e produtor de renome. O novo disco como Planetary Assault Systems, sucessor de Arc Angel, comprova a elegância com que o veterano britânico aborda a música techno. Além de ser um lançamento repleto de armas para djs, é um trabalho que une, de forma exemplar, a beleza do lado hipnótico a ritmos intensos e concretos, tornando-se facilmente no destaque de março no que diz respeito a este tipo de sonoridade.



Vários Artistas – Edition 2 [1985, 1 de março]
Edition 2 é uma autêntica montra da palete sónica da 1985, editora da estrela belga Alix Perez. Um “all stars” de algumas das figuras que continuam a esticar os limites da bass music, em prol de algo distinto. Dos 85 aos 170bpms, há um pouco de tudo: halftime de Deft, liquid de Alix Perez, footwork dopante de Cesco, sintetizador rave em future beats de Lewis James e Fixate, two-step de Bredren e do “nosso” Razat, entre outras.



Pinty – City Limits [Rhythm Section, 1 de março]
City Limits não é uma escolha óbvia. Este EP foge à associação que naturalmente fazemos entre a música eletrónica e a pista de dança, e exibe uma combinação de sonoridades pouco explorada por cá – grime, UKG, hip-hoop, house e jazz. Mas foi toda esta fusão que nos cativou a atenção para Pinty, MC e dj de Peckham, que vê o seu estatuto progredir de sensação local para internacional, com este lançamento pela prestigiada editora conterrânea Rhythm Section. Timbre profundo, flow consistente, instrumentais lo-fi e vibe introspectiva foram os elementos usados para uma fórmula vencedora.



Tensal – Unequal Struggle [Mord, 5 de março]
Dark techno é o que Tensal transmite no quinquagésimo nono lançamento da Mord. Unequal Struggle é um EP em vinil de 12’’ e em formato digital bem musculado e intenso, cheio de frequências escuras onde Nuclear Navigator é a estrela das quatro faixas que o constituem. É audível a experiência de Héctor Díaz Sandoval, conhecido pelo sua longevidade no projecto Exium, que partilha com Kessel, ambos co-fundadores da editora espanhola PoleGroup.



Cravo – Proxy [HAYES, 7 de março]
A Hayes Collective lança o seu primeiro trabalho a solo para assinalar o sexto lançamento da editora. Cravo, metade dos -2, é o responsável por este Proxy, que se distingue por ser um EP cheio de bangers, composto por seis faixas de techno ousadas e dotadas de textura e carácter. Tanto Pedro Cravo como a Hayes Collective estão de parabéns pois este EP pode ser já visto como um dos melhores lançamentos nacionais deste ano – mesmo sabendo que ainda estamos em abril.



Temudo – Do Nothing And Be Wrong [AWRY, 13 de março]
Temudo já nos tinha aliciado para este trabalho quando o entrevistamos para o podcast N’A Cabine em dezembro. Do Nothing and Be Wrong é um LP em cassete e em formato digital editado pela AWRY do italiano Wrong Assessment, que participa na faixa Tedious. Dedicado ao amigo e mentor Baltazar Gallego tcp Razat, João Rodrigues procura expor as várias sonoridades que integram o seu espectro de techno. Drone, ambient, tonal ou industrial são alguns dos timbres que Temudo explora e que fazem deste lançamento um autêntico estimulante sensorial e esotérico.



IVVVO – doG [Halcyon Veil, 15 de março]
O sucessor do álbum Prince of Grunge saiu na Halcyon Veil, editora onde o músico natural do Porto lançou o EP Good, Bad, Baby, Horny em 2017. Neste lançamento, IVVVO volta a mostrar o quanto se aventura pelo espectro da eletrónica. Seja através de samples, como a voz Jonathan Davis em This Is Dog, ou agoniantes sonoridades, como em Life, o produtor baseado em Londres prova, neste disco de escuta obrigatória, o porquê de ser um dos nomes nacionais mais interessantes da atualidade.



DJ-Kicks: Laurel Halo [!K7 Records, 22 de março]
Depois de Leon Vynehall, Laurel Halo é a grande responsável pelo novo DJ-Kicks, série da !K7 Records dedicada a álbuns de mixes. Ao longo de 60 minutos e 29 faixas, incluindo música exclusiva de Rrose, Fit Siegel ou da própria Halo, a americana baseada em Berlim sabe como viajar por entre diferentes géneros num “set inovador, imprevisível, cativante e, ainda assim, coeso“, como diria o nosso colaborador Rui Castro. Não é o melhor DJ-Kicks da história, mas é um DJ-Kicks que nos agarrou do início ao fim.



Jayda G – Significant Changes [Ninja Tune, 22 de março]
Significant Changes é o álbum de estreia da produtora e dj canadiana Jayda G. Lançado pela londrina Ninja Tunes, é um trabalho composto por nove faixas marcadas por referências sobre o ambiente e a ecologia (a área de estudos da artista), que nos levam numa viagem pelo house de Chicago, soul, disco e R&B. Jayda G atua a 17 de agosto no festival Paredes de Coura, espetáculo que, tendo este lançamento em conta, se torna ainda mais imperdível.



Robert Hood – Reflector / Rotate [M-Plant, 22 de março]
Este EP é a prova de que Robert Hood – um dos pioneiros do minimal techno e membro integral dos Underground Resistance de Detroit – está de volta às produções que o caracterizam ao longo de quase 30 anos de carreira. As duas faixas de big room techno com o seu cunho minimal, que enchem qualquer pista, foram editadas na sua “paróquia” M-Plant em formato vinil de 12’’ e digital. Um fantástico lançamento do reverendo do techno que merece toda a atenção.


J Plates – The Relic / Liquid Metal [Skalator Music, 22 de março]
Sejam artistas nacionais ou internacionais, a editora lisboeta Skalator Music continua na demanda de fazer emergir alguns dos melhores e mais subestimados produtores da cena drum’n’bass. O 13º lançamento da editora chegou pelas mãos do neozelandês J Plates, que nos fez recuar até aos anos 90 com dois singles de techstep e breakbeat com o ambiente obscuro de outrora. De ouvir e chorar por mais.



Andy Garvey – Eternal Recurrence [Lobster Theremin, 22 de março]
Quem conhece a Lobster Theremin sabe que esta editora não se rege por subgéneros – dentro do house, techno e electro, vale tudo – ou por nomes sonantes. A australiana Andy Garvey é mais um nome desconhecido por muitos, que edita o seu primeiro EP pela editora londrina. A polivalência sónica deste trabalho mereceu o nosso realce, mas foi o acid electro retro-futurista de Protovision, e sobretudo a hipnotizante linha acid aliada ao breakbeat e vibe deep house da faixa que dá nome ao EP, Eternal Recurrence, que nos cativou verdadeiramente.



ggui – Acid Machines Get Love [Lost Thumb Records, 25 de março]
Ggui, tcp Zacarocha, exibe toda a sua polivalência sonora no seu segundo EP, cujo propósito é prestar homenagem às máquinas que nos permitem fazer música. Por entre electro, techno, breakbeat e acid, o produtor lisboeta consegue um trabalho coeso e fora da caixa. Destaque para Ameniza, uma banger de amen break bem vincado que nos deixou em profundo êxtase.



Keikari – Kärsiä [Newrhythmic records, 25 de março]
É difícil ficar indiferente a este lançamento. O dj e produtor francês Keikari apresenta o EP Kärsiä através da editora espanhola Newrhythmic, do qual resultam cinco faixas sísmicas de techno que desmorona a mente dos ouvintes. Os portugueses Moddullar remixam a faixa Harmi, provocando uma sinergia única na conjugação das sonoridades singulares e distintas de ambos. Um EP soberbo e bastante aclamado pela comunidade internacional do techno mais escuro.



Module One – The One I Believe [The Bricks, 29 de março]
Module One é russo, mas deve a sonoridade do seu mais recente trabalho aos discípulos de Detroit. The One I Believe é um EP bem sólido, onde o deep house atmosférico e sonhador é rei e senhor. A sensação relaxada e calorosa, que deriva da sua escuta, reporta-nos diretamente para um clima de sunset (é isso, ou são as saudades a falar mais alto). O remix absolutamente viciante de Tyree Cooper não é de audição obrigatória, mas devia.

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