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Crítica

Violet – New Visions [PARAISO005]

24 Fevereiro, 2019 - 15:24

Um trabalho bastante original e heterogéneo de Violet para a Paraíso.

Já saiu o mais recente EP a solo de Violet, editado pela Paraíso e disponível nas lojas em vinil de 12” e no Bandcamp, onde está também disponível a versão digital. Dos breakbeats ou um lado down tempo até synths altamente envolventes numa junção de sonoridades como acid house ou dance hall, New Visions explora um grande espectro musical ao longo das quatro faixas.

A faixa que dá título ao trabalho não me dá outra escolha a não ser ficar para ouvir mais. O kickdrum inicial dá-me alento ao instinto de levantar e dançar, prolongado nos momentos break e pratos subtilmente trabalhados que não se sobrepõem aos synths hipnóticos que Violet escolheu, e muito bem, para acompanhar o punch. É sem dúvida uma entrada com consumo obrigatório e transmite-me uma sensação constante de harmonia, ao mesmo tempo que estou inquieta – talvez por causa do intenso arpeggio que se vai escutando do início ao fim.

E depois da harmonia vem o caos. Neste caso, a segunda faixa, Kaos V, que manifesta desde logo o misticismo de uma viagem sem destino. Os sons tribais com o toque acid são os que realmente me fazem permanecer no caminho desta homenagem à Kaos Records, importante e incontornável nome na história de música de dança em Portugal. A viagem é caótica mas bela, acompanhada por vocais ancestrais e synths cativantes que levam até Junqueira.

Essa mesma faixa, que abre o lado B, é, para mim, o banger de New Visions, uma espécie de testamento final. Aqui, Violet pôs tudo em pratos limpos e de forma eletrizante, com um ritmo um pouco mais acelerado, composto por sintetizadores orquestrais – ouve-se também um frenético e alucinante violino – ou pormenores como aquilo que, à primeira escuta, parece ser uma campainha, que, apesar de raramente se escutar ao longo dos cinco minutos, torna-se num importante elemento que fica retido nas traseiras do cérebro.

Por fim, a aterragem faz-se branda com High In Forest Hill, faixa constituída por um beat mais lento e uma linha de baixo muito acid que, além de ter o protagonismo, dá uma sensação constante de alienação – mais uma vez, muito bem conseguida e fazendo jus ao título. Também se escutam sons metálicos e de água a cair ao longo desta que, infelizmente, é a última música de New Visions, EP que explora uma profundidade única, que, além de reunir elementos da música eletrónica do passado, presente e futuro, mistura e respeita um grande espetro de influências, sendo, sem sombra para dúvidas, uma celebração da cena underground portuguesa, produzida por uma das artistas que melhor a representam.


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