AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Crónica

Capital ou não, vamos dançar contigo para sempre

8 Agosto, 2018

A 13ª edição de NEOPOP fica (mais uma vez) marcada pelo vasto leque de artistas presentes e, desta feita, também pelo título de capital do techno.

Há uns meses atrás, a organização do NEOPOP apresentou um vídeo que, inevitavelmente, criava uma relação semiótica entre a tradição vianense – utilizando como principais recursos o traje à vianesa e os estaleiros – e a música eletrónica – o techno para ser preciso. Mas mais do que nos deixar completamente deslumbrados com a excelência da produção, o objetivo era só um: propor Viana do Castelo a capital do techno mundial.

Com o rio Lima a olhar para nós constantemente, estar em Viana do Castelo é estar numa cidade rica em arquitetura, gastronomia e, acima de tudo, formosura. Desde há 13 anos, no entanto, tornou-se muito mais do que isso. Tornou-se uma cidade que recebe anualmente o NEOPOP, um festival que, além de nos dar aqueles nomes que não nos importamos de repetir, oferece artistas que seria difícil ter a oportunidade de ouvir noutro local. Exemplos? Na ponta da língua está o concerto dos míticos Kraftwerk em 2017, o espetáculo Underground Resistance com Mark Flash em 2014, ou até o back-to-back de Ben Sims e James Ruskin há dois anos atrás.

Em 2018 também há novidades – e parece que também as há no próprio recinto. Dopplereffekt, Conforce, 400PPM, entre outros, pisam pela primeira vez a cidade de Viana do Castelo. Aliás, mais do que 15 anos depois, Ludovic Navarre, ou St. Germain vá, regressa a Portugal, e o palco é o NEOPOP. E claro, os artistas que são normalmente chamados de mestres também vão estar presentes: Ben Klock, Jeff Mills, Josh Wink, Len Faki… e muito mais. Não conseguimos esconder a ansiedade.

Aliás, a edição deste ano do NEOPOP tem ainda mais novidades – e não são as cerca de 50 nacionalidades presentes. No Teatro Sá de Miranda, na sexta-feira e no sábado, a Red Bull Music junta-se à organização do festival vianês e não só traz o britânico Clark, como também o seu compatriota James Holden (juntamente com os The Animals Spirits). Como se não bastasse, há mais arte: duas exposições de dois falecidos amigos da equipa do festival. No recinto, 12 anos, 12 cartazes de José Quintas, responsável pelos cartazes até 2017, e na Praça da República a exposição Havemos de ir a Viana de Carlos Vilela, que fotografou, também no ano passado, todo o ambiente que envolve a montagem, produção, enfim, tudo o que torna possível o NEOPOP.


Na última segunda-feira, a organização entregou ao presidente da Câmara de Viana do Castelo a petição “Todos pelo Techno, todos por Viana”. Paralelismos e analogias há muitos. Histórias também. Mas vamos antes à palavra capital em diferentes dicionários. Entre as várias definições, lê-se palavras como “principal” ou “fundamental”. E não o é, pelo menos nos últimos anos em Portugal, o NEOPOP?

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