AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

A música de Ju Ha Wu reflete a sua “paixão por sintetizadores e pelo mundo da percussão”

23 Julho, 2020 - 11:26

Há um novo produtor lisboeta para manter debaixo de olho.

João Costa Reis deu-se a conhecer em abril, aquando do lançamento do EP de estreia “Everything Starts With Drums”. Já aí, Ju Ha Wu, recriação fonética do primeiro nome do produtor, mostrava como “o mundo da percussão” é uma das suas grandes paixões, como, aliás, revela nesta entrevista.

A tocar instrumentos como violino ou bateria desde tenra idade, João já esteve envolvido com outros projetos musicais – fez parte da live band no lançamento do álbum de DJ Nery, por exemplo – mas a grande motivação está, hoje, nesta primeira aventura a solo pelo mundo da música eletrónica, sob o pseudónimo Ju Ha Wu.

Depois do já referido “Everything Starts With Drums”, João Reis lançou mais um EP, “And Then”, e um single, “House Next Door”, em maio e junho, respetivamente. Todos estes trabalhos foram lançados de forma independente e revelam a abordagem do produtor, que descreve a sua música como “eletrónica de dança com sintetizadores vintage dos anos 70/80 e grooves mais atuais, altamente influenciados pelo house e UK garage”.

Sabe mais sobre o lisboeta João Reis na conversa abaixo:

Primeiro, a pergunta da praxe: quem é o Ju Ha Wu?
Ju Ha Wu é o culminar de um acumulado de ideias que tenho vindo a ter nos últimos anos. É o meu projeto a solo com sonoridades dançantes e que refletem a minha paixão por sintetizadores e pelo mundo da percussão. O nome é a recriação fonética do meu nome próprio – João.

Esta é a tua primeira aventura pela eletrónica? Por que razão sentiste vontade de enveredar por este mundo?
Enquanto produtor sim, é a primeira vez que me aventuro a solo pela eletrónica. Na verdade, era inevitável, sempre precisei disto: um projeto onde a criação fosse minha, que me concretizasse e sem limitações. A sonoridade foi, e é, o resultado de todas as minhas influências.

Começaste na música bem cedo, concretamente através do violino e, mais tarde, da bateria. De que forma é que este historial influencia a forma como produzes?
Tem tido uma influência gigante, não apenas na sonoridade (procuro que seja sempre o mais orgânica possível), mas acima de tudo a nível da produção. Todas estas ferramentas teóricas e criativas acumuladas na minha formação académica tornam o processo criativo muito mais rápido, fluído e sem limitações. Torna-se fácil passar das ideias à prática.

Tendo em conta o teu passado na bateria, suponho que os ritmos sejam uma das tuas maiores atenções ao produzir. Concordas?
A 100%!!! Muitas vezes dou por mim a adicionar camadas e camadas de pequenos pormenores rítmicos nas faixas que produzo. Quero que isso seja um cunho da minha sonoridade e procuro sempre mais, melhor e diferente.

Ao ouvir os teus trabalhos, fica a ideia de que tens várias influências musicais. Fala-nos sobre elas.
Variadas ao máximo – disco, funk, house ou até mesmo semba. Mas, resumindo, sempre procurei uma coisa na música – o groove.

Como é que descreves a tua música?
Música eletrónica de dança com sintetizadores vintage dos anos 70/80 e grooves mais atuais, altamente influenciados pelo house e UK garage.

Como é o teu processo criativo? Ouvem-se samples, por exemplo, mas gostaríamos de saber se recorres a instrumentos ou se é tudo feito por software.
Normalmente começo a produção de uma faixa de uma de duas formas: por um groove ou por uma linha de sintetizador. Felizmente, hoje em dia, conseguimos sons incríveis através dos plug-ins e inicialmente (no meu primeiro EP) foi tudo feito através de software.

Trazer mais orgânica às faixas – com instrumentos reais – tem sido uma preocupação crescente. Por isso mesmo, tenho passado alguns dias em estúdio a gravar grooves de bateria e vozes para poder usar nos meus próximos trabalhos.

Normalmente, o artista quer que a sua arte seja consumida pelo público. Esta é uma preocupação tua? Até onde queres que a tua música chegue e onde te vês a médio-longo prazo?
Estaria a mentir se dissesse que não, mas não é uma obsessão minha. A minha prioridade é fazer música para mim, de que eu goste e que me faça sentir realizado.

Gostava que a minha música fosse ouvida por quem a sinta e queira dançar – seja cá em Portugal ou noutro qualquer lado do mundo (mas claro que, devido à sonoridade que tenho, há circuitos internacionais que me passam pelos sonhos).

No futuro, e acima de tudo, gostava de tocar as minhas faixas ao vivo. Tenho uma live performance montada de forma a poder lançar algumas partes das malhas e outras serem tocadas por mim – seja baterias, sintetizadores ou as linhas de baixo. Quero que seja tanto quanto possível um live act e não um DJ set.

Fotografia cedida pelo artista

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