AUTOR

Rui Castro

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Entrevista

“A paixão pela música é o principal fator que me ajudou a chegar aos 20 anos de carreira”, conta-nos Miss Sheila

4 Dezembro, 2019 - 12:02

Passado, presente e futuro de Miss Sheila foram o mote para uma conversa a propósito da celebração dos seus 20 anos de carreira, neste sábado 7, no Pacha Ofir.

Foi no Malibu bar, na praia de Esmoriz, que, em 1998, Miss Sheila começou a praticar as primeiras misturas. Pouco tempo depois, o seu irmão conseguiu um gig no clube Studio, em Espinho, e, na mesma noite em que lá foi tocar, ficou agenciada pela Feedback. Seguiram-se várias atuações maioritariamente pela zona Porto. Entretanto conheceu António Cunha – o seu padrinho na música de dança – responsável pelo mítico clube Rocks em Vila Nova de Gaia, que a colocou lá a fazer os warm-ups para DJ Vibe. Esta exposição mais mediática teve um impacto tremendo na sua carreira, e desde então a sua notoriedade e reconhecimento subiu exponencialmente.

A primeira aventura na produção com o norte-americano Joeski, em 2001, na faixa intitulada Sheila’s Temptation, e várias compilações para o Rocks, Dance Club Magazine ou Kaos Records, intensificaram ainda mais a sua agenda de atuações, com tours de norte a sul do país e visitas além-fronteiras, a locais como Amesterdão ou Antuérpia.

A comemoração deste feito, no Pacha, contará com a presença de artistas internacionais como Chus & Ceballo, Coyu, Pig & Dan e Rafa Barrios, e de amigos e conhecidos – ou não fosse esta uma festa de aniversário – como Fauvrelle, Nuno Clam, Nunno, Eat Dust, Tiger Lewis, Dj Nelly Deep, Mc Johnny Def e ainda o b2b especial entre os dois veteranos Carlos Manaça e XL Garcia.

Foi um início atribulado e repentino, que não faria antever um percurso sólido de 20 anos. Assim, foi em jeito de retrospectiva e com olhos postos no futuro, que Miss Sheila respondeu às nossas questões.

Os bilhetes variam entre os 10€ e 15€, e podem ser adquiridos aqui.

São poucos os DJs nacionais que se podem orgulhar de alcançar os 20 anos de carreira, com tamanha relevância e consistência. A que se deve esta longevidade?
Julgo que o principal motivo para este marco é o facto de realmente gostar do que faço. A grande paixão pela música é o principal fator que me ajudou a chegar aos 20 anos de carreira de uma forma sólida, ajudando-me muitas vezes a ultrapassar, com muito otimismo, algumas “barreiras” que surgem naturalmente.

Qual a diferença na cena internacional, e sobretudo nacional, entre quando começaste, em 1999, e agora, em 2019?
Julgo que existem duas diferenças principais. Primeiro, as Djs femininas (aquelas que realmente fazem o seu trabalho com seriedade e profissionalismo) são vistas com mais respeito, quer a nível nacional como internacional, e a prova disso é a quantidade de top djs que neste momento são do sexo feminino, coisa que não acontecia quando comecei, e era algo que me entristecia bastante. Segundo, a quantidade de artistas de eletrónica internacionais que recebemos semanalmente. Em 1999 era muito pouco frequente, e quando recebíamos alguém era algo muito importante. Hoje em dia acho que esta questão está bastante mais frequente, o que por um lado pode parecer mau, mas por outro lado demonstra a qualidade da dance scene em Portugal. Temos um público com bastante cultura e excelentes clubs e festivais.

Certamente que, ao longo destes 20 anos, já pudeste presenciar os altos e baixos que a cena já teve. Qual foi a melhor fase destes 20 anos de carreira?
Sem dúvida a melhor fase estou a vivê-la agora. Sinto-me com mais energia e experiência que nunca, pronta para mais 20 anos de música!

Atualmente estamos a assistir a uma melhoria na igualdade entre homens e mulheres na indústria da música eletrónica. No entanto, nem sempre foi assim. Como vês a progressão deste aspeto e a afirmação feminina no meio?
Este facto, a meu ver, deve-se à forma como as DJs começaram a tratar a música e as suas carreiras de uma forma mais profissional, onde a imagem continua muito importante mas não da forma que era quando comecei, onde muitas vezes a imagem era colocada à frente da musica, e o consequente trabalho surgir desse facto. A maioria atualmente também produz e competem constantemente nos tops com os nossos colegas do sexo masculino, outro fator muito importante na minha opinião.

Voltemo-nos para a festa – Porquê a escolha do Pacha para esta celebração?
Para mim o Pacha é o club com as melhores condições para receber este evento devido à sua grande capacidade, condições e, claro, pelo historial que temos em conjunto. Foi a minha primeira opção e fiquei bastante contente por terem aceite este desafio.

O que pesou na escolha dos artistas para dia 7?
O cartaz foi “desenhado” com a preocupação de que os convidados tivessem ligados a mim profissionalmente e, em paralelo, com a sonoridade. Temos artistas que vão desde o tech house ao techno, da mesma forma que eu nas minhas atuações ou em estúdio. Ao mesmo tempo, a grande maioria são amigos com quem tenho excelente relação e respeito desde o início da minha carreira ou da deles. Não mudava nada neste cartaz final.

O que podemos esperar nos próximos 20 anos? Quais os objetivos futuros?
Pretendo dar continuidade ao que tenho feito de uma forma natural. Continuar a tocar bastante no nosso pais, trabalhar nos releases da minha editora Digital Waves, assim como assinar por outras labels de relevância internacional. Tocar mais no estrangeiro também é algo que tem vindo a ser um foco, e que pretendo manter.

Para finalizar, há algum episódio caricato que te tenha marcado?
Tenho vários. Posso salientar um, em que a meio do meu set a cabine começou a arder devido a um curto-circuito, e eu não conseguia sair. Tentei apagar o fogo com os discos, mas sem sucesso. Entretanto alguém chegou com um extintor e resolveu o problema. Felizmente não houve feridos.

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