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Entrevista

Nørbak: “Sinto que ainda estou à descoberta de tudo”

8 Julho, 2019 - 12:00

Falámos com Nørbak para nos pôr a par da sua ascensão enquanto produtor e dj.

Nørbak é o rosto de uma nova vaga de techno em Portugal. O dj e produtor de Amarante tem estado nos holofotes de algumas das melhores editoras de techno internacionais, tais como Edit Select, Warm Up, Modularz e Semantica, entre outras, que espelham o trabalho que o jovem tem vindo a desenvolver. A sua trajetória ascendente está aliada à dedicação, empenho e humildade que caracterizam Artur Moreira, de 22 anos, que, nesta entrevista, nos desvenda os primeiros passos na música eletrónica, revelando ainda um dos desafios mais importantes da sua carreira, o live act de ambient que irá apresentar no Festival Forte, em Montemor-o-Velho.

Lê abaixo a nossa entrevista com Nørbak, com quem estivemos à conversa durante a tarde de The Castle, em Torres Vedras, evento que aconteceu no início de junho.

Temos estado atentos à tua evolução como dj e produtor, aventura que se inicia em 2016. Em três anos já editaste mais de 100 faixas para EPs, compilações, VAs de editoras nacionais e internacionais conceituadas. Como começou esta tua aventura no mundo do techno?
Partiu de influências de amigos. Eu comecei a ouvir o que os meus amigos ouviam e a partir daí comecei a explorar um bocadinho mais, mais e mais e, lá está, descobri que há muitos subgéneros dentro do mesmo género, que é o techno. Comecei a ter muito interesse por esses subgéneros todos e comecei a produzir até encontrar um certo tipo de música com que me identifico mais e que consiga fazer com mais facilidade, que se encaixe mais a mim e que, realmente, transponha a mensagem que eu quero passar. Mas sinto que ainda estou à descoberta de tudo. Agora consigo ser um pouco mais consistente com o meu som, mas eu não sei o que é que vai acontecer daqui a dois anos.

Estudaste na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), no curso de Línguas e Relações Empresariais, e interrompeste os estudos em 2018 para te dedicares à produção. Este foi o ano em que lançaste mais música certo?
Sim, lancei mais, atuei mais, fiz mais contactos, mas também, lá está, foi uma bola de neve a partir do momento que se lança ali ou acolá. Não estou arrependido de maneira nenhuma de ter tomado esta decisão, estou mais contente até porque estou a ver os frutos disso agora e espero continuar este percurso, apesar de que para o próximo ano letivo irei continuar também os meus estudos. Mas acredito que há espaço para tudo, por isso não vai ser um problema.

Os maiores lançamentos que tive, sem ser este ano, foi na Dynamic Reflection com o Marah EP porque esse EP, de facto, abriu-me muitas portas, especialmente com o Oscar Mulero. Ele já tocava algumas coisas minhas antes e coisas muito antigas também dos meus primeiros EPs e tudo, mas foi o EP da Dynamic Reflection que nos pôs em contacto e foi fixe criar essa ligação a partir daí.

Por curiosidade e pela ligação ao teu curso superior, procuras colocar algum tipo de simbologia ou codificação para os títulos que apresentas nas tuas músicas e EPs?
Invento a 100%. No EP que editei agora na Edit Select, por exemplo, o EP chama-se Katu, que significa rua num idioma que não me recordo de que país é – foi-me dito por uma pessoa desse país. Não procuro dar essa simbologia. Tento pôr palavras que me saem da cabeça só porque sim. Muitas vezes até podem ser coisas concretas, mas é o mais aleatório possível. Por exemplo, eu acabei o meu álbum recentemente – se tudo correr bem, ainda sai este ano, vamos ver – e os títulos desse álbum realmente têm um significado, mas é dos poucos lançamentos em que os títulos têm realmente significado porque é um álbum e eu tentei, assim, caprichar um pouco nos vários aspectos que um álbum pode ter. Aí há um significado, mas a maior parte dos lançamentos não tem significado absolutamente nenhum. São palavras que eu, se calhar, acho um bocadinho mais exóticas ou algo do género. Nørbak também partiu um bocadinho desse conceito, uma coisa mais exótica, mas também sem um significado específico.

Estiveste em 2017 por terras germânicas a passar música no mítico clube berlinense Tresor. O que te recordas dessa experiência?
Esse interesse surgiu da parte da Dinamite, que era a dj residente lá e era uma das pessoas que tratava da curadoria da New Faces. Ouviu um EP, que foi o primeiro lançamento em vinil, já faz dois anos. Ela gostou muito do EP, quis chamar-me lá – eu aceitei como é óbvio – e foi uma experiência incrível. Passei um set de três horas da meia-noite às 3 da manhã, que é também a slot que gosto mais, o de warm-up da pista.

O que podemos esperar de ti para o futuro em relação a novos lançamentos?
Tenho alguns VAs onde participo a sair – 13 e 14 na A_Files, Katu EP na Edit Select e NORD 003 na NORD – e também remixes. Eu não costumo gostar muito de fazer remixes, mas surgiram uns projetos fixes que eu senti que poderia fazer alguma coisa ali, e este ano, sem dúvida, vai ser o ano em que eu vou fazer mais remixes.

Então e em termos de atuações, Artur, vais estrear-te este ano no Festival Forte, em Montemor-o-Velho, e sabemos que irás apresentar um live set diferente do Nørbak que estamos habituados.
Não vai ter techno nenhum. Vai ser só experimental e ambient, com muito mais ênfase no ambient e vai ser uma viagem de uma hora nisso só. O meu projeto começou porque tinha muitas influências de Hans Zimmer – compositor alemão de bandas sonoras de filmes como o Interstellar e Inception – e muitas soundtracks de filmes que eu ouvia e gostava muito, e mesmo de artistas de techno que também mostravam a sua vertente de ambient. Eu sempre achei isso super interessante. Nunca quis lançar um EP ou lançar um álbum disso. Quis mesmo fazer um live, uma coisa que ficasse ali e não saísse dali. Eu acho que na minha curta carreira só lancei umas duas músicas de ambient, por isso eu acho que as pessoas não têm bem a noção como a minha faceta de ambient soa. Ambient – puro ambient, sem kicks, sem grandes drums, sem nada – nunca lancei muito.


Fotografia por José Vieira

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