AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

Ron Morelli promete muita “intensidade” no regresso a Portugal

6 Fevereiro, 2020 - 17:12

Antes da passagem por Lisboa e Porto este fim de semana, o patrão da L.I.E.S. respondeu-nos a algumas perguntas em jeito de antevisão.

É esta sexta-feira e sábado que Ron Morelli atua na Galeria Zé dos Bois e no Passos Manuel, respetivamente. O regresso ao país acontece alguns meses após o lançamento de “Man Walks The Earth”, um álbum dedicado à música ambient que é, na realidade, composto por faixas que Morelli tinha em arquivo, refere o próprio nesta entrevista.

Além de ser conhecido pela exploração de música techno, experimental e industrial, contando com muitos releases pela Hospital Productions no currículo, Ron Morelli é aclamado pelo trabalho desenvolvido com a label L.I.E.S., que abriu 2020 com o LP “Slap Happy”, de Delroy Edwards. A sua editora não se cinge a um só estilo e, este ano, celebra 10 anos de existência com showcases por todo o mundo e lançamentos de, entre outros, Adam X, Robert Bergman e Traxx.

Lê abaixo a nossa entrevista conduzida via e-mail, na qual Ron Morelli fala sobre tópicos como o seu mais recente álbum e planos para o futuro.

Não tocas em Portugal desde 2017. O que mudou desde então?
Ha! Bem, as coisas estão sempre a mudar. O alcance da instabilidade no mundo em geral parece estar no nível mais alto de sempre. Parece que tudo está a cair diante os nossos olhos. No mundo da música… bem, não tenho tanta certeza. Parece que se move muito rápido e que as pessoas mudam de uma coisa para a outra muito rapidamente… muito lixo na internet… Afinal, o que mais há de novo?

O que podemos esperar deste live act?
Intensidade!!!

Qual o set-up que vais usar nesta performance?
TB-303, TR-606, microfone, pedais de efeitos e tape recorder.

O teu último álbum, “Man Walks The Earth”, é dedicado à música ambient. Como foi todo esse processo de produzir um lançamento diferente do habitual?
Bem, na realidade trata-se mesmo de música que tinha em arquivo, que fiz para algumas performances em 2015/2016 (na verdade, uma delas foi feita em Portugal). Nunca tive muita intenção de a lançar, pus na prateleira e segui em frente. Mas a equipa da Collapsing Market sabia que eu tinha essas músicas e estavam interessados em ouvi-las. No final, voltei a juntar todas as peças, tentei melhorar a mistura e editar mais um pouco… e aqui está ele.

No ano passado, tu e o Willie Burns lançaram “Bird Shit” como Strange Birds. Não é a primeira vez que produzes música com outro artista – podemos esperar novas colaborações no futuro?
Sim, ressuscitámos o projeto Bad News, que é composto por mim e pelo AN-I (Doug Lee). Temos um LP duplo que acabámos de terminar e vamos fazer alguns live shows ao longo deste ano. Eu e o Oliver Ho (Broken English Club) também temos algo em mente mais para a frente. E acabei de terminar muita música com o meu amigo Lipelis, assim como com o my guy Chupacabras. No entanto, a única coisa que vai ser lançada brevemente é o LP de Bad News.

E a solo, já tens planos para lançar música em 2020?
Sim, tenho um novo 12’’ a ser lançado este mês pela BITE, do Phase Fatale. E há outras coisas planeadas também.

Tendo em conta que noise e industrial são dois exemplos de géneros que aprecias, que músicos ou lançamentos te chamaram a atenção recentemente?
Honestamente, tenho ouvido muito house dos anos 80 e italo disco. Também muito techno dos 90, como Regis e Female. Merdas brutais e escassas. Não consigo pensar em nada de novo neste momento… Gosto muito da editora Horo, it’s sick. E também de Overlook, do Reino Unido, e de Ye Gods.

Delroy Edwards assinou o primeiro lançamento da L.I.E.S. em 2020. Considerando todo o catálogo, como descreves o trabalho da tua editora?
Como uma editora que engloba todos os géneros de eletrónica existentes. Não a recomendo a qualquer um.

Quais os objetivos da L.I.E.S. para os anos vindouros?
Bem, em 2020 celebramos o 10º aniversário da editora. Vamos organizar showcases por todo o mundo durante o ano, começando em março. Estou chocado por termos chegado tão longe. Estou grato por termos uma base de fãs leal que é dedicada e que apoia os nossos esforços. O objetivo é continuar a lançar música excelente que apoiamos, pura e simplesmente.

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