AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Reportagem

Foundation Fest: bem-estar e techno em Vilar de Mouros

11 Julho, 2019 - 13:25

Estivemos por Vilar de Mouros no sábado passado para conhecer o Foundation Fest.

Chegar à icónica terra de Vilar de Mouros é chegar a uma terra calma, bela e altamente hospitaleira. No Foundation Fest, as paisagens verdes que circundam o recinto foram mais do que simples paisagens; foram palco para as atividades que tiveram início na manhã de sábado, com Yoga, Qi Gong & Tai Chi ou Pilates a marcarem o arranque do festival.

Afinal, apelar à “preservação de todos os recursos naturais”, do bem-estar e da harmonia do homem com a natureza é também um dos propósitos da organização – de referir, 20% da receita de bilheteira reverteu a favor da reflorestação da floresta ardida no Alto Minho no ano passado. E para nós, que chegámos ao recinto pelas 21, hora em que se deu início à parte da noite com 12 horas de música, foi impossível não abraçar este espírito de equilíbrio e paz.

O local e ambiente do Foundation Fest são bastante convidativos, assim como os vários bancos de pedra espalhados pelo recinto. Por aí, o público descansa pernas, recupera energias ou simplesmente socializa. E, claro, num início de noite é comum os presentes estarem mais sossegados, algo que Nørbak sabe abordar na perfeição – em entrevista à A Cabine, o amarantino revelou que a “slot mais gosta é a de warm-up da pista”. Ao longo de duas horas, o jovem dj e produtor português ambientou a plateia com um set paciente e consistente, com margem de progressão ideal para abrir caminho para o ato seguinte e para a noite.

Re:Axis, uma das mentes por detrás deste Foundation Fest – Reborn, subiu à cabine com portátil, Ableton Live e um controlador APC da Akai, aumentando em certa medida a energia que se sentira em Vilar de Mouros. Repleto de efeitos, intensidade ou músicas como Wave 1 de Truncate, Re:Axis agarrou o público de forma veemente. Por essa altura, os movimentos corporais e vocais eram mais acentuados, com o êxtase a tomar cada vez mais conta dos que dançavam.

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Apesar de as suas sonoridades serem algo diferentes daquelas que haviam sido escutadas até então, Ness não abrandou a festa. Faixas repletas de texturas e de sonoridades que lhe são características, como elementos mais hipnóticos, profundos e até de entrar em transe, o italiano não teve medo de preencher a vaga de Marcus Henriksson – o sueco cancelou a sua passagem pelo festival por motivos de saúde – num viciante set de três horas, do qual se destaca a estimulante I Will Guide Thy Hand de Nørbak & Temudo, faixa que fez vibrar todos os corações – e cordas vocais – presentes.

Já o ucraniano Etapp Kyle, munido de CDJs e turntables para girar vinis, foi um autêntico ponto de viragem no evento, trazendo um lado techno mais típico de Berlim, por vezes mais industrial e por outras mais acid, com uma exímia técnica a marcar o seu set de duas horas. A própria introdução e respetiva caminhada para o primeiro drop provaram o vigor com que Kyle iria agarrar os ouvintes. De Silverbank de Mike Parker a Nine O’ Three de Donato Dozzy, o dj não deu tempo para pensar. Aliás, só o riff da penúltima faixa, Higher State of Consciousness de Josh Wink (possivelmente um remix), é que deu tempo para cair na realidade; mas, como seria de esperar, a atenção rapidamente se voltou para a música e para a excelente viagem que estava ali a acontecer.

O espírito estava tão intenso que, quando Jeroen Search entrou para o seu live act, simples claps já eram motivo suficiente para o público demonstrar apreço e euforia. Com máquinas da Roland como a AIRA MX-1, TR-8S ou TR-09 aliadas ao Ableton Live, o holandês foi ainda mais veloz do que Etapp Kyle, puxando fortemente pelos pés que batiam no chão. Ainda hoje, essa exemplar precisão que acompanhou o nascer do sol está nos nossos ouvidos.

Para encerrar as festividades, a georgiana Newa, dj residente do conhecido Bassiani, trouxe sonoridades que, apesar de encaixarem bem num clube escuro, encaixaram na perfeição no final da noite que já se havia tornado dia. Por essa altura, os olhos e pés dos presentes estavam bem assentes na realidade do que se acabara de passar. Uma realidade incontornável: celebrar a vida e a música num local tão idílico quanto Vilar de Mouros é tão reconfortante que, hoje, resta a vontade de que continuem a ser feitos esforços no sentido de promover eventos como esta segunda edição de Foundation Fest.


Fotografias por André Teixeira

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