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Desabafo, grito e suspiro: calmness lança “Water”

4 Agosto, 2020 - 9:58

Três anos depois de “Lavender”, Guilherme Tavares traz mais uma viagem assinada pelo seu alter-ego calmness.

Água: essência e ameaça, abrigo e sufoco. É nesta sublime dualidade que o mais recente projeto de calmness, “Water”, nos faz balançar. Sob a masterização de Ghost Orchard, contamos com a primeira colaboração do artista com FARWARMTH, além dos guest vocals de Flunkie e Fraternal Twin.

Depois do álbum de estreia, calmness seguiu a passos lentos por um caminho ambíguo, tentando encontrar a sonoridade a que queria dar vida. Entre Portugal e Itália, moldou o processo criativo através de “tentativa e erro”, e alcançou novos horizontes ao “interagir com artistas novos e mais diversificados”, como conta à A Cabine.

As pétalas de “Lavender” dançam agora à mercê da água, num EP composto por duas partes. Na primeira, a corrente traz o ecoar de uma súplica e de uma “fase da vida muito incerta”. Algo reservado, o artista de Mafra não se alonga na história que arquiteta este tema. Prefere entregá-la ao desconhecido, pois crê ser o lugar onde reside o “melhor da música e de toda a arte”, com vista a que “cada pessoa as interprete à sua maneira”.

Em Water II, lateja uma sentença dúbia e agridoce que embala a intimidade deixada a descoberto. Foi FARWARMTH, com quem guarda uma amizade duradoura que “nasceu da música”, quem desenhou o universo sónico da faixa, ao “fazer samples de partes da primeira e criar drones” para esta última. Numa dimensão onde o tempo dilata e se demora, entramos de cabeça num mergulho infindo. O turbilhão da água acolhe e alaga, numa sinuosidade povoada pela crueza das emoções “causadas pela distância e a frustração acumulada”. O que ouvimos é “um desabafo, um grito e um suspiro no final”, quase como “voltar a respirar”.

Calmness diz considerar a “Water e a Water II uma só música”, onde a primeira parte é “um pensamento” e a segunda “o desenrolar das ações e das suas consequências”. Escrito e gravado em Mafra, o EP reúne influências do álbum “Angel Hair”, dos Fox Academy. Afirma-se ainda como uma tentativa de “largar o orgulho de ‘fazer tudo sozinho'”, na qual o artista se alia aos amigos para uma abordagem espontânea e dedicada.

Numa viagem ao eu, calmness sagra-se como o porto de abrigo de Guilherme Tavares. O projeto surge de “uma necessidade de fazer música e de deitar cá para fora” tudo aquilo que guarda no seu íntimo, muito à luz da inspiração de Flatsound. Largou os estudos por sentir estar a adiar o que mais gostava de fazer. Não deixa de destacar o “privilégio da situação”, tendo em conta que “nem toda a gente pode deixar assim de estudar”. Com o apoio dos pais, começou então a “escrever música, a aprender a produzir, a gravar e a encontrar o refúgio” que muito precisava. Reside agora em Lisboa, “pronto para escrever mais”, e aguarda o “impacto que um novo ambiente” terá na sua música.

Num dilúvio que tanto tem de lancinante como de cristalino, calmness diz voltar à cena “bem acompanhado”. Como de costume, o EP já está pelo Bandcamp:

Fotografia por Jéssica Pomba

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