Esta nova reedição de um disco de Telectu é o “maior projeto até ao momento” da Holuzam.
Poucos dias após lançar “Third Places”, de Vasco Mendonça, a lisboeta Holuzam faz chegar a reedição do disco de 1984 “Off Off”, dos Telectu. Nas palavras da equipa, é um trabalho no qual tem vindo a trabalhar desde 2018: “É, também, o nosso maior projecto até ao momento” pois “não só é o primeiro álbum duplo que editamos” e “a serigrafia da capa, e o seu tamanho, tornaram todo este processo bastante especial”, escreve em email.
Reedição que replica a edição original com uma serigrafia de António Palolo – “um poster, com imagem em ambos os lados, com grandes proporções (69.7cm x 62.30 cm) e dobrado para caberem os dois LP” – o disco revela uma “expressão precoce da edição independente de música em Portugal”, explica a Holuzam.
“Tal circuito era pura e simplesmente inexistente, 10 anos após o 25 de Abril, tudo ainda meio a aprender como se fazia o resto para além da música e a ganhar coragem ou propósito para o fazer”, pode ler-se nas notas do disco. “Num percurso de conflito e desencanto com a cena musical (popular tanto quanto erudita), de insistência baseada na crença do valor da música que produziam, Jorge Lima Barreto e Vítor Rua decidem nesse ano financiar, gravar, produzir, editar e vender um álbum com total independência em relação a estruturas externas.”
“Num período em que António Palolo era praticamente o terceiro elemento do grupo, o seu trabalho com a capa ganhou uma espécie de estatuto de equivalência com a música, ou seja, pretendeu-se um objecto-disco que representasse o espectro de interesses e interacções do Telectu”, lê-se no mesmo texto.
De acordo com as mesmas notas, este é um disco que “mostrava as diferentes plataformas nas quais a música” da dupla evoluía: “performance (Diagonale), concerto (Anarké), teatro (Cornucópia) e vídeo (Palolo).” Mais ainda, “nas notas de capa, o grupo encorajava a utilização da sua música em situações particulares por quem assim o desejasse.”
Álbum que “permanece como o documento mais completo das actividades do Telectu, ao mesmo tempo também manifesto de intenções (basta ler o texto incluso) e portfolio de apresentação”, este foi “objecto único na cena musical, respeitado por certa crítica (pelo menos a que teve publicação na imprensa + o apoio do Som da Frente na Rádio Comercial) mas largamente incompreendido no mundo real, 500 exemplares para o mercado, com certeza nem todos vendidos mas, ainda assim, de acordo com Vítor Rua, o único disco em que Telectu ganharam algum dinheiro.”
Foi precisamente com uma reedição de um disco de Telectu, “Belzebu”, que a Holuzam abriu o catálogo em 2018, na altura juntamente com “Taipei Disco”, de DWART. Sucederam-se outras reedições, como “Música De Baixa Fidelidade”, de Tozé Ferreira, e também novas obras, assinadas maioritariamente por músicos nacionais, como Clothilde, funcionário, Ondness e tantos outros.
Para felicidade de quem não pode comprar ou ouvir discos de vinil, “Off Off” está também disponível em versão digital. Com remasterização de som assinada por António Duarte e Taylor Deupree e “acerto nas cores para reprodução fiel da serigrafia original por Gonçalo Duarte e Hugo Soares, no estúdio Ruína”, a reedição pode ser encontrada no Bandcamp ou em lojas como a Flur, em Lisboa, seio da Holuzam.
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