AUTOR

Rui Castro

CATEGORIA
Lançamento, Notícias

Abnóxio estreia-se com álbum “feito a pensar na performance ao vivo”

13 Dezembro, 2020 - 15:07

É com o álbum de estreia “Cruisin’” que o artista dedicado ao live act se dá a conhecer ao mundo da eletrónica.

Em pleno tempo de pandemia, em que a indústria da eletrónica está a funcionar a meio gás (ou 1/4, na melhor das hipóteses, vá), Vasco Reis decide invadir o panorama de rompante – e sem aviso prévio. E nem a situação contemporânea envolvente o impediu de arriscar. “Chegou a um ponto que, para mim, esperar que tudo voltasse ao normal para poder lançar este projeto estava a ser um impasse, e eu não podia parar depois de tanto tempo e energia investidos”, conta-nos. “Lançar o álbum agora foi uma maneira que arranjei de me comprometer comigo próprio, e de continuar a produzir, sem estar à espera que as coisas mudem.”

Apesar da sua experiência musical como guitarrista no hardcore de Pledge e como multi-instumentalista no post-metal de Verbian, o gaiense entra num mundo que não lhe é familiar. E ao contrário do que muitos poderão pensar, essa não é uma desvantagem. Pelo contrário. “O facto de não ser tão conhecedor da cultura da música eletrónica dá-me liberdade para eu criar musica à minha maneira. Se é drum and bass, techno, dub… não estou muito preocupado. O meu objetivo é dançar e divertir-me”.

Esta falta de conhecimento assumida quanto à catalogação – muitas vezes limitativa – possibilita a inexistência de barreiras criativas, e a proliferação inspiracional que dá azo à satisfação de criar sem imposições. “O que mais me entusiasmou quando estava a desenvolver este projeto, foi que nunca me tinha sentido tão livre, de uma forma tão inexperiente. Não sabia bem o que estava a fazer, mas recorria ao meu background e orientava-me pela maneira como costumo produzir música nos outros projetos que tenho. Com o tempo decidi assumir isso e não me importar tanto com o que estava a fazer. Daí a origem do nome – Abnóxio”.

Num mundo onde a ordem natural da progressão artística assenta na evolução do djing para a produção, Abnóxio salta a primeira fase, sem sequer a conhecer de todo. E isso não tem qualquer repercussão, até porque, segundo este, “o álbum foi feito a pensar na performance ao vivo, basicamente como se fosse um liveact com o mínimo de paragens possíveis.” O próprio caracter das músicas de “Cruisin´” evidencia isso mesmo, com twists repentinos e uma conjugação de sonoridades aparentemente antagónicas – leftfield, eletro, dub, techno – que se moldam nas longas trips graduais de Stop I, II e III.

Embora o trabalho esteja ainda muito fresco, já se prepara o futuro por aqueles lados: “tenho um montinho de músicas por acabar que, se tudo correr bem, lanço no início do próximo ano. E neste momento o meu objetivo é continuar a produzir músicas e a sentir-me confortável para fazer live act. Mas o mais importante é melhorar sempre as minhas skills de sound design, mistura e composição, e aprender coisas novas.”

“Cruisin’” foi construído com recurso à maquinaria analógica do artista (Roland TR-8S, Microfreak, Minilogue XD e outras), e lançado a 7 de dezembro, de forma DIY, no Bandcamp do artista.

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