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Daniel Duque

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Planeta Manas fecha portas em julho, mas não perde esperança de encontrar novo espaço

23 Abril, 2025 - 19:42

A equipa fala no “custo humano, emocional e físico” que tem sofrido para manter vivo o espaço. Mas ainda há muito por viver no Planeta Manas.

A associação cultural Planeta Manas anunciou que encerrará o espaço físico no Prior Velho, em Lisboa, a 25 de julho deste ano, marcando o fim de um ciclo que começou em novembro de 2021.

A equipa olha com orgulho para o que concretizou e afirma que “conseguiu o que parecia impossível”, nunca esquecendo que o fez “sempre em comunidade” – “um espaço para todas as pessoas, onde se ama, onde se cria, onde se dança, onde se frui arte, onde se finta a hegemonia e o capitalismo patriarcal e se celebra a emancipação, o direito ao prazer e à alegria, o direito à cultura”.

O encerramento não surge por falta de vontade, mas por todas as adversidades que tornaram insustentável manter o espaço sem comprometer os valores e a saúde da equipa. “Chegámos a um ponto em que manter a existência física desta encarnação do Planeta Manas estava a ter um custo humano, emocional e físico que não permitiriam manter o espaço aberto respeitando os nossos valores e ideais”, pode ler-se em comunicado.

As adversidades, essas, passam pelas “rendas altas, uma Lisboa gentrificada e saturada pelos detentores de meios e capital, públicos fragmentados por propostas comerciais, as consequências da mercantilização da cultura e, por fim, a repressão e violência policial.” Recorde-se que o Planeta Manas foi alvo de quatro rusgas ilegais num espaço de cinco meses.

“O movimento associativo é um dos alvos sabidos das forças reacionárias”, afirmam. “Desafiámos frontalmente o status quo. E o status quo não gosta disso – e fê-lo saber claramente com as invasões violentas de que fomos alvo.”

O Planeta Manas acredita que a mobilização comunitária pode abrir portas para uma nova fase. “Acreditar é a nossa especialidade”, lê-se no comunicado, que também reforça a importância de apoio financeiro para o fecho do espaço atual com dignidade. O crowdfunding permanece ativo para cobrir despesas com alugueres, limpezas, licenças, seguros e danos causados pelas ações policiais.

Até julho, o Planeta Manas convida a comunidade a participar nos últimos eventos, mercados, oficinas e atividades de rádio, agradecendo a todas as pessoas que fizeram parte da jornada. “O vosso apoio e o vosso amor não será esquecido nunca.”

No dia 3 de maio, o Planeta Manas estará nas ruas com o movimento QRAVO, ao lado de outros espaços e artistas, para “protestar as invasões policiais de que nós e outros espaços têm sido alvo, a violência queerfóbica e racista que ameaça movimentos culturais e associativistas, e a gentrificação desenfreada que nos sufoca em Lisboa.”

“Queremos fechar portas de consciência tranquila – para assim podermos respirar e quem sabe voltar a ter coragem para enfrentar todas as limitações que nos impuseram”, lê-se ainda. Nesse texto, a equipa relembra que projetos que tinham o Planeta Manas como casa ficam órfãos e, por isso, apela a “ideias e propostas de sítios onde possa realizar estes eventos nesta fase intermédia são igualmente bem-vindas.”

Não esquecer que este fim-de-semana há Festival Cometa, um primeiro passo neste último percurso. Até ao fecho, vai haver “mina, CURVS, infinity rug, DESCE, Angel e mais algumas surpresas” ao longo de “três meses de celebração e memória coletiva.”

Lê o comunicado completo do Planeta Manas abaixo:

Fotografia por Francisca Lourenzo

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