É o primeiro lançamento do Tundra Coletivo. A receita reverte a favor da luta da população de Covas do Barroso, que continua a resistir à instalação de uma mina de lítio.
O coletivo de Almada é um dos coletivos amigos do movimento Barroso Sem Minas, que ainda este mês organizou o mais recente Acampamento em Defesa do Barroso, e lançou, no passado dia 10, a sua primeira edição, gravada precisamente durante uma dessas acampadas em 2023.
Os sons de “águas barrosãs” vêm de um “instrumento construído e tocado em conjunto, na força dos baldios e águas de covas”, pode ler-se no Bandcamp. Além da edição digital, o álbum tem uma edição física, em formato de postal, com código de download, para que se possa partilhar por correio.
“Os ganhos destas edições vão para a luta em Covas do Barroso. Colocámos um preço amigo para incentivar a partilha da escuta e a atenção à luta anti-mineração no Barroso. Se puderem, dêem mais. As vossas contribuições fazem diferença”, escreve o coletivo no Bandcamp.
Para quem não está familiarizado, Covas do Barroso é uma aldeia em Boticas que está desde 2017 a resistir contra os planos de exploração mineira para extração de lítio por parte da empresa britânica Savannah Resources. Alguns dos riscos passam pela destruição ambiental, perda de território agrícola ou pelos impactos irreversíveis no património. Recorde-se que a área foi classificada como Património Agrícola Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
“Nos últimos meses”, lê-se no site Barroso Sem Minas, “intensificou-se um clima de vigilância na aldeia: a empresa instalou câmaras de vigia e contratou seguranças privados, agora residentes na aldeia, que andam nos montes e nas ruas, 24h por dia, trazendo com isso uma sensação generalizada de desconforto e insegurança.”
A luta é urgente e o Tundra Coletivo apela a que todas as pessoas saibam mais através do site atrás de referido, bem como sugere pesquisar mais sobre as “associações Sachola e Unidos em Defesa de Covas do Barroso e, sobretudo, visitar o Barroso para dar uma palavra amiga e um braço a mais a esta luta, num momento em que a intensificação da violência nos chama a intensificar a resistência.”
Encontra “águas barrosãs” no Bandcamp. Para apoiar a causa, podes optar por pagar mais do que o valor sugerido pelo coletivo.
Fotografia pelo Município de Boticas

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