“Neste trabalho, a dor é negada com fantasia e humor” ao longo de 10 temas que navegam entre hip-hop, jazz, disco, house e MPB.
Depois de apurar devidamente em lume brando, o primeiro álbum de Femme Falafel está finalmente cá fora com uma “bússola estilística a apontar para onde lhe convém” e que “pouco se deixa restringir”, lê-se ainda em comunicado. O disco foi editado pela Revolve e tem até uma curta para ver no YouTube.
Raquel Pimpão é a voz que tece coloridas narrativas sobre o (des)amor “entre mansos senhoriais, crises climáticas, problemas cardiovasculares, mitras intelectualizados, depressões amazónicas” e uma data de “metáforas inusitadas para exprimir a tragicomédia” deste universo sentimental.
Por exemplo, será preciso um Eletrocardiodrama “para vencer os triatlos da pasmaceira”, uma vez que estas “canções e interlúdios encontram o seu elo comum nos caprichos harmónicos, arranjos ambiciosos e letras singulares da autora”. Talvez um dia seja permitido, mas, por ora, este “Dói-Dói Proibido” é resultado de “uma dedicada alienação criativa, ingenuamente jocosa e genuína nos seus delírios”.
Nascida em Lisboa e criada nas Caldas da Rainha, Femme Falafel “faz instrumentais amigos da consonância e rimas inimigas dos haikus” com “um glamour desajeitado ou um tropeção elegante”. Diz-se apaixonada por “acordes malandros, trocadilhos de mãe jovem e petit gâteau” e assume escrever canções por forma a “esconder as mazelas que a betadine não vê”.
Pianista, compositora e professora, Pimpão é ainda conhecida por tocar em bandas como a de Margarida Campelo ou Fumo Ninja, além de escrever letras para músicas de outros artistas.
Está lançada a flecha em direção ao “elogio da tolice”. Escuta já no Bandcamp ou outras plataformas de streaming.
Fotografia por Inês Condeço

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