AUTOR

Daniel Duque

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Notícias

Câmara de Lisboa avança com unidade de execução que afeta espaços culturais em Marvila

13 Outubro, 2026 - 10:38

Espaços como 8 Marvila, Outra Cena e Those Who Dance são abrangidos pelas obras de reconversão, que devem começar em 2028 e que têm a habitação como principal objetivo.

Se há três anos a notícia era que o 8 Marvila estava a revitalizar os armazéns Abel Pereira da Silva, em Lisboa, agora a novidade é outra. Em discussão pública até 14 de outubro, há uma proposta que visa “aprovar a proposta preliminar de delimitação da Unidade de Execução Abel Pereira da Fonseca”.

Entre os objetivos dessa proposta, aprovada com votos favoráveis da coligação do presidente Carlos Moedas entre PSD, CDS-PP e IL, encontram-se pontos como a “promoção e incentivo de circulação pedonal e mobilidade suave”, “novas áreas verdes e outras áreas de utilização coletiva” ou “melhorar o sistema de acessibilidades”.

Como primeiro ponto dos objetivos estratégicos delineados para a Unidade de Execução, que abrange uma área de mais de 25 mil metros quadrados, o documento apresenta o seguinte: “Reconverter o património edificado de génese industrial existente no quarteirão para uma utilização predominantemente habitacional, em articulação com outros usos compatíveis, designadamente comercio e serviços.”

Conforme explica o jornal Público, “a proposta preliminar referente a este projecto, que nascerá da conjugação das vontades do promotor imobiliário, a A.R. Cruz – Empreendimentos Imobiliários, S.A., e da Câmara de Lisboa”, mostra que “os objetivos da criação da unidade de execução são claros”, coincidindo “com o surgimento naquela área da cidade de grandes projetos imobiliários voltados para os segmentos mais altos do mercado.”

Nesse sentido, o PCP, citado pelo Público, denuncia “a intenção de se transformar [o] antigo edifício industrial em apartamentos de luxo” e acredita que “o município deveria avançar com um plano de pormenor, capaz de defender uma estratégia articulada para a habitação, os espaços públicos, a mobilidade, os espaços verdes, a atividade económica e a preservação da identidade do território, em vez de continuar a promover intervenções parcelares”.

Segundo notícia do Echo Boomer, o 8 Marvila já encerrou “a operação nos espaços interiores, conforme estava previsto desde a sua conceção provisória.” No entanto, “os espaços exteriores – com acesso direto à rua – e a programação de eventos mantêm-se ativos, enquanto não arrancam as obras de reconversão imobiliária do edifício, atualmente estimadas para 2028.”

Recorde-se que o clube Outra Cena está abrangido dentro dos “12 prédios urbanos, 6 privados e 6 municipais” desta Unidade de Execução, embora o espaço tenha as portas fechadas há vários meses. Tendo em conta o quarteirão limitado que se encontra no documento, também o Those Who Dance é afetado por esta proposta, caso avance.

Neste sentido, há uma petição pública a apelar que “o desenvolvimento urbano desta área seja compatível com a preservação dos espaços culturais existentes, reconhecendo que estes constituem infraestruturas fundamentais para a vida cultural da cidade e que a sua continuidade deve ser considerada desde o início do processo de planeamento.”

Até 14 de outubro, recorde-se, os cidadãos podem participar na discussão pública.

Fotografia por Vitor Oliveira

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