O disco foi editado pela Crónica e é inspirado num livro de Hakim Bey.
Resultado de sessões de composição dos dois primeiros, o trio formado por Fernando José Pereira e João Faria (som) e Rui Manuel Vieira (visuais) tem um novo álbum cá fora.
“Horizons of Suspended Zones” chegou em julho pela portuense Crónica e reflete a identidade ambient e experimental dos Haarvöl, desta feita inspirada por uma obra do autor e poeta norte-americano Hakim Bey. O lado visual também não poderia faltar e há um filme para o primeiro tema que pode ser visto aqui.
“T.A.Z.: The Temporary Autonomous Zone” fala sobre a que era então uma “possibilidade emergente do virtual”, pode ler-se nas notas oficiais do disco. “Com a lucidez pela qual é conhecido, Bey reconheceu na época que o virtual nada mais era do que uma nova via para a expansão do capitalismo. Ele introduziu o conceito de zonas autónomas temporárias como uma espécie de heterotopia de Foucault — espaços que existiam apenas enquanto conseguiam escapar à captura.”
“A realidade atual reflete uma intensificação radical do que Bey se referia na década de 1990”, lê-se ainda. “O tempo deve ser desobedecido”, acrescentam. Foi a partir dessa premissa que Fernando José Pereira e João Faria compuseram o novo trabalho, durante o verão e o outono passados, sem qualquer manipulação em pós-produção. A dupla seguiu uma “abordagem exploratória” assente em “três noções fundamentais e centrais [para ela]: repetição, silêncio e duração.”
No ativo desde 2012, o coletivo Haarvöl já passou mais vezes pelo catálogo da Crónica, concretamente ao lado de Xoán-Xil López em “Unwritten Rules of a Ceaseless Journey” (2019) e “The Uncanny Organization of Timeless Time” (2022). Mais recentemente, em maio deste ano, juntaram-se aos Eventless Plot para lançar “The Subliminal Paths”, isto numa discografia que tem mais por explorar, como os discos lançados pela PAD e pela Moving Furniture Records.
Disponível em CD e em versão digital, “Horizons of Suspended Zones” conta com masterização de Miguel Carvalhais e pode ser encontrado no Bandcamp ou até na Matéria Prima, no Porto.
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