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Lançamentos favoritos de fevereiro

4 Março, 2020 - 13:07

14 lançamentos deixaram-nos agarrados aos auscultadores durante o mês de fevereiro, como explica Daniel Duque e Rui Castro.

Misfit Trauma Queen – Violent Blue [Regulator Records, 7 de fevereiro]
Felizmente, somos muitas vezes surpreendidos por artistas portugueses. Em fevereiro, ficámos a conhecer Misfit Trauma Queen e o seu álbum “Violent Blue”, que nos deixou de boca aberta, principalmente pelo facto de David Taylor compôr música altamente singular – pelo menos em contexto nacional. O sucessor do EP “External”, também lançado este ano, foi editado pela lisboeta Regulator Records e reflete a exploração sonora do baterista e produtor da Figueira da Foz, ele que funde géneros e inspirações difíceis de descrever, mas que recaem sob categorias como EBM, electro e techno. Para ouvir e repetir vezes sem conta.



VIL – Ritmica [Hardgroove, 7 de fevereiro]
Depois de assinar uma faixa para uma compilação da Machine, de Ben Sims, VIL volta a lançar por uma label do britânico, desta feita pela Hardgroove. O 12” “Ritmica”, que irá estar também disponível em versão digital, parece ser uma afirmação da maturidade do DJ e produtor lisboeta. Afinal, este é o mais recente trabalho de um artista que começou por editar releases nas portuguesas Extended Records, Faut Section e Soniculture, mas que entretanto já passou por labels como Planet Rhythm e Float Records, entre outras. Só podemos pedir que nunca pares, VIL.


Zero T & Beta 2 – Exiles EP [Metalheadz, 7 de fevereiro]
O ano ainda agora começou e já temos sério candidato a EP do ano no que a drum’n’bass diz respeito. Quando esperávamos a pujança já conhecida dos dois irlandeses Zero T e Beta 2, eis que levamos com uma smoothness que nos apanha numa agradável surpresa. Este EP é uma ode ao drum’n’bass clássico, de influências jazz e uma groove pouco característica nos dias de hoje – quem é que não ouve um pouco do requinte de Brown Paper Bag de Roni Size em Misdemeanour, por exemplo? Vintage drum’n’bass contemporâneo, no seu melhor.



Blade – Outlook EP [Fokuz Recordings, 10 de fevereiro]
Dizem que a nostalgia magoa. Neste caso não é bem assim. Nesta série intitulada “Vibez 93”, da norte-americana Fokuz Recodings, o revivalismo das sonoridades jungle de outrora está em voga e é celebrado com homenagens dignas a esta época dourada. Em “Outlook EP”, o DJ e produtor de Bristol Blade faz um regresso ao seu próprio passado para resgatar essa vibe, com amen breaks e breakbeat jungle de ritmos frenéticos como os que ouvimos em Undertone – uma jarda capaz de fazer suar uma pista na Gronelândia. Obrigado pela viagem!



Adiel, Anthony Linell – Raso [Danza Tribale, 14 de fevereiro]
Há cerca de um ano, Adiel juntou-se ao compatriota Donato Dozzy para lançar o EP “Cavallina”. Agora, também através da sua Danza Tribale, a DJ e produtora italiana editou “Raso”, um trabalho em que junta forças ao sueco Anthony Linell, também conhecido por Abdulla Rashim. Neste EP de techno altamente mental e hipnótico, algo que se escuta desde logo na faixa de abertura, os dois produtores apresentam três músicas tão coesas que rapidamente se chega ao final do release sem dar por ela.



Pedro Magina – Olímpia [Holuzam, 14 de fevereiro]
O português a viver em Barcelona não lançava há cinco anos, mas finalmente chegou novo disco. “Olímpia” foi editado pela Holuzam e, mais uma vez, a editora nacional é certeira na sua aposta. O álbum pode ser categorizado por géneros como ambient, synth pop e até balearic, pois claro, mas o facto de Pedro Magina contar uma história ao longo das 10 faixas faz esquecer qualquer catalogação. “Olímpia” é um trabalho repleto de amor, narrado através de vários instrumentos, e que, pelo final da escuta, deixa o espírito completamente revitalizado.



Surgeon – The Golden Sea [Ilian Tape, 18 de fevereiro]
Quando descobrimos que Anthony Child iria lançar pela Ilian Tape ficámos ansiosos – afinal, tanto o inglês quanto a editora dos Zenker Brothers não cessam de presentear o panorama com excelentes trabalhos. E tínhamos razão: o patrão da Dynamic Tension volta a assinar um brilhante EP, cujo título, “The Golden Sea”, pode ajudar a entender o lado semiótico das agoniantes melodias (no bom sentido, claro) que se escutam ao longo das três faixas. O habitual lado cru e analógico do inglês está bem presente, como se escuta no viciante jogo de percussão, e a verdade é que o “British Murder Boy” não desilude. De todo.



A Thousand Details – Fibers [ATD, 19 de fevereiro]
Gustavo Lima já assinou trabalhos em inúmeras editoras, como é caso da Dynamic Reflection, Northallsen Records, Quartz Rec ou a Olympian. “Fibers”, por sua vez, assinala o primeiro lançamento do portuense na sua nova editora, a ATD. Neste EP, escuta-se com clareza as inspirações drone, e não só, de A Thousand Details, ele que explora muitas texturas e detalhes ao longo de quatro faixas de techno bem direccionado para a pista. “Fibers” faz absorver o ouvinte, atordoando-o por completo, especialmente se for escutado com tempo e atenção.



Raver’s Diary – Vicissitudes [Kepler Live, 20 de fevereiro]
Um dos trabalhos mais duros a surgir nesta lista é “Vicissitudes”, álbum de estreia do patrão da Kepler Live, pela qual edita este longa-duração. São oito faixas de techno analógico, contundente e industrial – por vezes viradas para broken techno – que arrepiam qualquer fã deste tipo de sonoridades. Jorge Correia volta, assim, a mostrar o que é que anda por aqui a fazer – e o que podemos esperar das suas produções.



Ink, Loxy & Resound – Doom [I.L.R Studios, 21 de fevereiro]
Portanto, Ink, Loxy e Resound, juntos, na mesma faixa, e numa editora da sua própria autoria. Podíamos ficar por aqui, que esta informação é suficiente para fazer subir os níveis de adrenalina dos entusiastas do drum’n’bass mais underground. Mas os três veteranos têm os olhos postos no futuro, e avizinham-se novos lançamentos com selo de qualidade garantida. Se forem tão bons quanto esta stepper cavernosa, terão presença assídua nas nossas escolhas.



Shcuro – Particle of Memory [Dark Entries, 21 de fevereiro]
João Ervedosa explora muitas vezes um lado mais techno nas suas produções, mas, desta vez, na sua estreia pela editora de São Francisco Dark Entries, aventura-se por breakbeat e electro, fundindo também as suas inspirações de sons industriais e techno. Na primeira faixa, Afterlife, Shcuro conta com a voz da londrina ELLES, um momento que, da melhor maneira, abre caminho para seis faixas que fazem vibrar sistemas de som e corpos de forma eficiente e viciante.



Stasya – Lamurya [HiedraH, 21 de fevereiro]
“Lamurya conta a estória de alguém com uma sede insaciável de se reinventar”, lê-se no Bandcamp da HiedraH. Stasya é um daqueles nomes que gosta de desconstruir música normalmente associada ao mundo do clubbing e este seu segundo EP não é excepção. Depois de “Aspas”, lançado em março do ano passado pela Alp Records, “Lamurya” pode até beber de diversas fontes de inspiração, mas é muito mais do que uma simples etiqueta, como comprova a colaboração com Odete neste EP, Culpa.



Temudo – Unnecessary [Soma, 21 de fevereiro]
É difícil ficar indiferente à música de Temudo, experiente produtor torreense que já viu faixas e trabalhos serem lançados por editoras como a AWRY, Clergy, EarToGround e Planet Rhythm. Agora, após o lançamento do EP “Context”, no final de 2019, João Rodrigues está de regresso à escocesa Soma para fascinar qualquer ouvinte de música techno. As duas primeiras faixas do release “são um pouco diferentes do habitual”, refere o próprio, mas são as quatro destinadas a fazer qualquer dancefloor entrar em erupção.



Bolam – Break Yo’ Self EP [Meld, 29 de fevereiro]
Não vamos estar com meias medidas, “Break Yo Self” é fogo de pista. Vindo diretamente da capital da Escócia, Edimburgo, Bolam é o primeiro artista a assinar em nome próprio pela editora conterrânea Meld, e traz um EP feito para se dançar euforicamente. A multiplicidade e variância rítmica da faixa homónima do trabalho fará mover os corpos mais rígidos, e os limites energéticos serão esticados ao limite – são mais de 8 minutos que passam num ápice e nos deixam ávidos por mais e mais. E o que dizer do remix de Willy para Forgot My Brain? Pois, também ficamos sem palavras.





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