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Sama’ Abdulhadi detida pelas autoridades palestinianas

30 Dezembro, 2020 - 13:09

Um dia depois de uma rave à entrada do Santuário Sagrado de Nabi Musa, interrompida violentamente por cidadãos indignados, a artista foi detida e acusada informalmente de profanar o Islamismo.

A detenção ocorreu após a identificação facial da artista em vídeos da atuação que terão chegado às mãos da autoridade. Segundo familiares da detida, foram até agora recusados pedidos de fiança. A decisão da Autoridade Palestiniana de prorrogar por 15 dias a detenção sem acusação formal já foi tornada pública.

Sama’ Abdulhadi, que é tida por muitos como fundadora e principal impulsionadora da cena techno palestiniana, é uma figura extremamente popular tanto no Médio Oriente como internacionalmente dentro da comunidade de música eletrónica, tanto que é considerada como a primeira mulher DJ neste país.

Segundo a AFP, a Comissão Independente Palestiniana pelos Direitos Humanos já pediu que Sama Abdulhadi fosse libertada, alegando que a sua prisão não se justifica porque o evento terá sido autorizado pelo Ministério do Turismo palestiniano. Desde a detenção da artista, a plataforma Boiler Room já retirou do acesso público no seu canal de YouTube uma performance de Sama Abdulhadi, gravada na Palestina em 2018, que entretanto pode ser encontrada através de outros canais.

Importa também referir que, apesar da divulgação de vídeos da performance mais recente na internet ter originado uma maré de indignação onde figuraram insultos e ameaças a Sama’ por profanar um local de culto, o set não decorreu no Santuário em si, mas sim numa parte separada dedicada ao alojamento turístico onde já foram realizados no passado eventos culturais, musicais, casamentos e jantares. O evento de música eletrónica faria parte de um projeto mais alargado de filmagens em locais históricos com o objetivo de promover a cultura palestiniana e divulgar e documentar vários lugares com relevância arqueológica.

Não obstante, a presença de álcool e a confraternização entre homens e mulheres foi vista como um sacrilégio por muita gente, inclusive o Ministro de Assuntos Religiosos Palestiniano, que comentou o acontecido como “obsceno” e prometeu “não ficar calado e tomar ação legal contra todos os participantes”.

O Primeiro-Ministro palestiniano Mohammad Shtayyeh anunciou entretanto que será estabelecida uma Comissão de Inquérito para apurar os detalhes do acontecimento, dizendo também que “os responsáveis pela realização do evento responderão perante a justiça”.

As circunstâncias levaram ao aprisionamento da artista que é tida por muitos como sendo a “Rainha Palestiniana do Techno”. Em resposta ao sucedido, surgiu já uma petição na plataforma Change.org, que pode ser assinada aqui.

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