AUTOR

Rui Castro

CATEGORIA
Entrevista, Lançamento

Neurotoxin: a dupla que procura a “vibe certa no momento certo”

22 Janeiro, 2021 - 10:15

Os ribatejanos Neurotoxin estão de regresso à Skalator Music. O novo “B Side / Mindwalk” foi o mote para uma conversa que se estendeu até aos meandros do drum’n’bass.

Já cá andam há mais de 10 anos, mas é no passado mais recente que o trabalho de Real Phase (Gonçalo Silva) e Jonathan Swift (Pedro Lopes) tem sido mais prolífero. Esse crescimento exponencial é fruto de uma maturação natural dos processos de produção e, quem sabe, do incentivo de amigos como Gil e Hugo, da Skalator Music, editora na qual os Neurotoxin somam já o 6º lançamento – e esta parceria não vai ficar por aqui, conforme confessam nesta entrevista.

Apesar de não constarem tão assiduamente em alinhamentos nacionais como outros artistas do género, o seu reconhecimento e respeito no underground da bass music tem crescido exponencialmente entre os mais atentos da cena.

O gosto por ritmos e melodias diferenciadas colocam o duo num nicho, mas a versatilidade fá-los encaixar em qualquer pista. Para comprovar, basta vasculharmos o seu repertório. A mais recente aquisição, o duplo single “B Side / Midwalk”, editado esta sexta-feira, dia 22, serviu de incentivo para descobrirmos um pouco mais sobre a dupla Neurotoxin.

Antes de mais, obrigado por esta entrevista e pela oportunidade de vos conhecer. E vamos diretos ao cliché: expliquem-nos como é que os Neurotoxin surgiram e como tem sido o vosso percurso até aos dias de hoje.
Neurotoxin surge da nossa vontade de produzir música eletrónica, numa altura em que estávamos a descobrir uma onda deep, com os Autonomic Podcasts, Burial, e muito do dubstep da altura (2008-2009). Os primeiros eventos ao vivo em que tocámos foram em formato live act com a Playground, só depois começámos a fazer Dj sets e, ao longo do tempo, o nosso foco passou a ser exclusivamente o drum’n’bass.

Editámos alguns dos nossos primeiros temas com a Anchorage Sound e a nível nacional temos colaborado com Mais Baixo, Playground Sessions, Kalimodjo, Skalator Music, Urban Jungle, entre outros, além de eventos locais organizados por nós.

A vossa abrangência e amplitude musical é notável. Mas se tivessem de se colocar numa estante com divisórias por subgéneros de dnb, em quais se inseriam?
Inicialmente, deep e halfstep, passando pelo dark e minimal. Mas sempre procurámos ouvir todos os estilos, e isso é visível nos nossos sets, por exemplo. Também na produção colocamos as nossas diferentes influências, seja neurofunk, amen, etc. No fundo procuramos a vibe certa no momento certo.

Muitas vezes apostam em sonoridades que, verdade seja dita, não são tão passíveis de serem reproduzidas em pistas nacionais. Acham que existe uma resistência do público português a alargar espetros musicais, ou isso é culpa dos artistas/promotores do drum´n´bass que por cá andam?
No início, sim, não havia muita diversidade nos artistas e no som que passavam. Enquanto público sentimos essas falhas, e enquanto artistas tentamos mostrar sonoridades mais alternativas. Por outro lado, compreendemos o que é a dificuldade de correr riscos ao promover eventos, já sentimos nós próprios isso quando trouxemos Instra:mental a Almeirim há 10 anos… em termos musicais, foi excelente, mas em termos comerciais, não foi muito bem sucedido.

Desde então, as coisas têm melhorado, o público está melhor informado e é possível arriscar um pouco mais, graças ao trabalho das promotoras e criação de novas labels nacionais nos últimos anos, que têm conseguido mais diversidade e reconhecimento do público português.

Sei que esta é uma questão cuja resposta pode ser totalmente transfigurada com o regresso às pistas no pós-pandemia, mas como vêem o panorama da bass music em Portugal? Em termos de produção diria que está mais forte do que nunca, mas não creio que os eventos e a adesão do público ao género tenha vindo a acompanhar este crescendo. Concordam?
A pandemia deu-nos mais tempo no estúdio, e com menos foco no dancefloor. Talvez a produção possa ser diferente em termos de estilo ou intensidade, talvez o público encontre agora mais disponibilidade para descobrir artistas ou estilos diferentes e isso venha a resultar em eventos que nos vão mostrar muita música nova e surpreendente, esperamos. Além disso, toda a gente está ansiosa por voltar às pistas e assim que for possível ir a um evento temos a certeza que o público não vai ficar em casa!

Falemos agora do lançamento deste novo duplo single “B Side / Mindwalk”. Tem existido uma parceria constante entre os Neurotoxin e a Skalator Music, o que revela uma conexão e harmonia evidente. Como é que nasceu a vossa relação e como a classificam?
A nossa relação é de amizade desde o início com o Gil (Skalator) e o Hugo (YLS). Desde os tempos da Syndicate, e desde o início do nosso projecto, que o Hugo nos tem acompanhado na produção. Por isso, da parte da Skalator houve sempre abertura e interesse no nosso trabalho, até porque partilhamos os mesmos gostos musicais. Sempre nos deram total liberdade criativa e isso é ótimo para qualquer artista.

Este é já o 6º lançamento que fazem pela Skalator. Em que medida é que este lançamento difere dos restantes que também foram editados lá?
São dois temas diferentes. Na b-side trazemos uma vibe mais oldschool, reminiscente de alguns clássicos do final dos anos 90. Como já referimos, gostamos de muitos subgéneros do drum’n’bass, e neste tema exploramos um estilo que acaba por ser um reflexo das nossas influências dessa altura, como releases da Renegade Hardware, Metalheadz, etc. A Mindwalk tem uma estética mais minimal, mas acaba por ter uma vibe dark e pesada, que complementa bem o release. Esta é mais uma etapa na nossa exploração de diferentes técnicas de produzir drum’n’bass, guiados principalmente pelo nosso gosto pessoal.

Até agora têm apostado apenas em EPs, singles ou remixes. Têm como objetivo fazer algo mais “elaborado” – como um álbum, por exemplo – no futuro?
Isso deve-se talvez ao nosso ritmo de trabalho. Acaba por ser mais fácil dedicarmo-nos a um conjunto de dois ou quatro temas, e o nosso foco mais recentemente tem sido em temas orientados para o dancefloor. Futuramente, talvez surja a oportunidade de construir um trabalho mais complexo… temos algum material não editado, de uma fase mais deep/experimental, que eventualmente poderá vir a fazer parte de um projeto de longa-duração.

O que podemos esperar dos Neurotoxin em 2021?
Para este ano, temos alguns releases planeados, nomeadamente com a DLT9 e Skalator Music, colaborações com Resslek e M:Pathy, e basicamente continuar a produzir bastante… Esperamos em breve o fim da pandemia para podermos voltar às nossas vidas normais, realizar eventos e ver de novo o público a dançar nas pistas.

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