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Lançamentos favoritos de março

7 Abril, 2022 - 12:13

De música para sonhar até música para dançar.

Azu Tiwaline & Al Wootton – Alandazu EP [Livity Sound]

Esta é a primeira colaboração entre dois artistas que vivem em lugares opostos mas que partilham influências sónicas. O tribalismo, graves puros e os ritmos dançáveis estão presentes de forma bem orelhudas neste EP. Se há um ano vimos Azu Tiwaline a lançar um álbum dentro do leftfield, dub e techno – “Draw Me a Silence” – e Al Wootton a editar outra mão cheia de trabalhos, com o foque sempre nas tendências do dubstep e UK garage, agora é mesmo hora de nos deliciarmos com uma oferenda perfeita para amantes de bassline groove. JF

Big Dope P – Mehlish Club Expansion Pack

Big Dope P não é propriamente novo nestas andanças do footwork, ghetto house, electro funk, bass e afins – afinal, aos 17 já tinha esta editora, Moveltraxx, que viria a lançar temas de pesos pesados dos géneros como DJ Earl, Dj Rashad ou Traxman. Em 2021, o parisiense editou o seu álbum de estreia, “Mehlish”, ao qual associa agora uma coleção de remixes que nos deixou boquiabertos e com vontade de saltar para a pista. Os destaques vão para a remistura da lenda do electro DETROIT IN EFFECT, a adição tipicamente acid de Lauren Flax e ainda o juke com tonalidades funk brasileiro – estranhamente interessante, diga-se – do membro dos Noisia, Thys. RC

Fumo Ninja – Olhos de Cetim [Revolve]

Não é um disco que vá inteiramente ao encontro da linha editorial cá do sítio, mas “Olhos de Cetim” é de tal forma belo que é impossível não o incluir nesta lista de março. Formados por Leonor Arnaut (voz e não só), Raquel Pimpão (teclas ou máquinas), Ricardo Martins (bateria) e Norberto Lobo (baixo e grande parte das letras, por exemplo), os Fumo Ninja são uma lufada de ar fresco na música nacional e podem já levar o título de um dos projetos e discos mais interessantes do ano. Por aqui, tudo é convidativo, mas as letras e vozes são mesmo a cereja no topo deste tão delicioso bolo. DD

Ignez – Anahata EP [SK_eleven]

A editora de Setaoc Mass continua a dar cartas, e desta vez apresenta-nos Ignez, artista residente em Berlim. Este EP de quatro faixas é, tal como muitos outros desta label, um culminar de groove, hipnose e swing, mas neste há um toque especial de industrial à mistura. Para quem não conhece, este é um bom ponto de partida para o nome que está por trás da Somov Records. JF

Jason Burns – Night Terror [Planet 9]

Jason Burns inaugura o reportório da editora nova-iorquina Planet 9 e traz carradas de acid, breaks e electro consigo, que já contam com o suporte de alguns nomes tão consagrados e díspares quanto dBridge, Carl Craig, Alan Fitzpatrick ou Posthuman. O estadunidense pretende causar o terror noturno, mas é impossível não nos deleitarmos com o electro groove de Night Control ou a maravilha dopante que é Acid 19. Ah, e o remix de Lauren Flax à faixa homónima do EP também está upa-upa. RC

John Tejada – Sleepwalker [Pallete Recordings]

Nome forte da Áustria, John Tejada dá as boas-vindas ao bom tempo com um álbum que flutua entre o house, techno, com traços fortes de stoner, deep e dub à mistura. O lançamento traz-nos a praia e o ambiente de verão aos ouvidos, acompanhados de uma tão necessária brisa: oito faixas para refrescar nestes dias quentes. JF

Mars89 – Night Call [Sneaker Social Club]

Sabemos que não é um lançamento facilmente digerível, e que muito provavelmente não verá as luzes da ribalta nacional, mas não deixa de ser elegível para as nossas escolhas deste mês. Porquê? A resposta está no bass bem gordo e futurista do seu conteúdo. O halftime, industrial e maquinal, de influências dubstep de Night Call, e a vibe super pausada, sombria e misteriosa de Vigilante também auxiliam a explicação. RC

Sasha Theft – Amphibian Intermission [kaptcha]

Nem um “portátil velho e pesado” impediu Sasha Theft de produzir um dos discos mais interessantes de março. Composto por sete faixas, “Amphibian Intermission” corre ao longo de cerca de 40 minutos e mostra-nos um mundo de rave emotiva sem par na produção nacional deste mês. É música que tanto dá para dançar como para sonhar (pelo menos em alguns temas, vá), inspirada em movimentos de eletrónica dos anos 90, da contemporaneidade e muito, muito mais. Venham mais destes, por favor. DD

Source Direct – Snake Style 2 [Tempo Records]

O segundo lançamento de Source Direct na Tempo vem em forma de “VIP”, ou “variations in production”. Esta é uma nova roupagem à lendária e intemporal faixa Snake Style, produzida originalmente em 1995. Para além de encontrarmos este tema com uma nova roupagem, podemos apontar mais duas faixas fresquinhas, a Street Wars, para um bom skanking na pista de dança, ou Diamonds, uma faixa com uma vibe mais atmosférica e sombria. O lançamento está cá fora em vinil, preto ou branco, e também em digital. JF

Storm Factory – Storm Factory [Belong Records]

Storm Factory é uma viagem pelos confins mais íntimos do português Rui Maia (X-Wife, GNR e o trabalho a solo, pois claro) e da pianista Giulia Gallina. Inicialmente, o propósito era que Maia fosse responsável pela produção de um disco da italiana, mas a união fez uma semelhante força que o difícil é não ficar agarrado a uma das mais envolventes e convidativas jornada deste mês de março, marcada por eletrónica, piano, gravações de campo, sintetizadores e muito génio artístico.

Suzukiski – Thought LP [SAISE]

“Thought” é o terceiro disco a sair com o carimbo da SAISEI, que se dedica a reeditar trabalhos (em vinil) de artistas japoneses que já saíram no passado e passaram ao lado dos ouvintes. Neste caso, o álbum conta mesmo com um tema exclusivo, além de outros 11 saídos há praticamente 30 anos. O que esperar tanto tempo depois? Música enraizada no minimal e orientada sobretudo para a pista de dança. No fundo, um som que ainda parece chegar do futuro. NV

Temudo – Fidelio [HAYES]

Apertar play em “Fidelio” é ouvir de imediato a assinatura característica de Temudo, que ostenta desde cedo basslines incandescentes e texturas e detalhes pensados ao mais ínfimo pormenor. Neste regresso aos lançamentos a solo na sua label e coletivo HAYES, o torreense mostra que a idade é de facto um posto, de tal forma que a experiência e trabalho de João Rodrigues lhe permitem compor faixas tão bem trabalhadas e irreverentes quanto Susto ou Resilience 2024 (Epilogue). DD

usof – Selections 2 [Rotten \ Fresh]

É difícil não olhar para usof (outrora UNITEDSTATESOF) como um dos artistas ambient mais interessantes e ricos do país. Quem vos escreve não é nenhum intelectual do género, longe disso, mas não é a primeira vez que fica maravilhado pela obra de João Rochinha. Naquele que é o terceiro volume de “Selections”, novamente com carimbo da Rotten \ Fresh, usof mostra todo o esplendor que o caracteriza num disco puramente celestial e repleto de minúcia. Urge fechar os olhos do caos que impera lá fora e este álbum é prova disso – para além de se mostrar como companhia ideal para tal. DD

Zenker Brothers – Hidden Shelter [Ilian Tape]

Zenker Brothers na sua própria Ilian Tape, ainda por cima com quatro faixas fortemente saturadas, com aquela textura analógica que define a sua sonoridade. São faixas que podem ser usadas em qualquer momento da noite no ambiente clubbing uma vez que carregam consigo um bocado de house, muito groove e um mood bastante particular. JF

Textos por Daniel Duque, João Freitas, Nuno Vieira e Rui Castro

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