Monomachine, Machinedrum e nada mais. O propósito é “celebrar a abordagem idiossincrática à síntese e sequenciamento sonoro das duas máquinas”.
Feito para ser ouvido de forma ininterrupta, “SBX Sector A” é o novo trabalho de Dust Devices. O selo é da Rapture, editora pela qual o portuense já havia lançado um tema na compilação que inaugurou o catálogo.
Este “é o primeiro de uma série de EPs que celebram a abordagem idiossincrática à síntese e sequenciamento sonoro de duas máquinas antigas: a Elektron Monomachine e Machinedrum”, conta o músico. “Em comparação ao que é possível fazer atualmente com um software, são máquinas bastante limitadas, mas essa mesma limitação pode levar à criação.”
Foi isso que serviu de mote para esta nova série: “Celebrar a existência destas máquinas, as ideias por trás dessas mesmas máquinas e aquilo que artistas que admiro conseguiram e conseguem fazer com elas”, explica o próprio.
“Impostas estas limitações na selecção de instrumentos, restava-me definir a abordagem que iria ter na criação da própria música e sequenciamento da mesma”, continua. “Para além das fontes de inspiração mais evidentes e que levaram à criação deste projeto, assim como experiências do passado com as minhas próprias performances, foquei-me na sinergia que as duas máquinas emitem e a fluidez que é possível de obter entre os vários tipos de síntese e patterns.”
O resultado acaba por ser semelhante a um live act, “com elementos que se misturam entre eles e em constante metamorfose, onde nunca sabemos muito bem onde e quando começam”, o que acaba por “colidir constantemente com os timbres metálicos ao longo do EP”.
Foi isso, aliás, que levou Dust Devices a procurar a ajuda de dois artistas com quem já havia colaborado em “Spine Mirror” (2023), Rui Almeida e Ana Sales, e design final e impressão pelas mãos de Diogo Oliveira (aka Lolly). Assim, na capa, exploram-se “os conceitos sugeridos pela música e pela própria estética das máquinas, através de um processo analógico de corte, colagens e fotografia.”
“O desenho da capa partiu de uma recolha de imagens guiada pela diversidade de sons presentes no disco”, contam os artistas por trás desse trabalho. “Intuitivamente, cada som sugeriu imagens de diferentes universos, orgânicos e inorgânicos. A partir daí e através de um método de livre associação, criamos uma série de cadáveres esquisitos com recortes em papel que, assim como a música, materializaram-se na sobreposição de camadas de uma grande variedade de microcosmos.”
Cláudio Oliveira é o nome por trás deste projeto. Associado às máquinas e a sonoridades como industrial, o portuense já passou várias vezes por aqui ao longo dos últimos anos, incluindo em entrevista, através de lançamentos por selos como Mera ou Diffuse Reality. Mais recentemente, tem figurado no coletivo Hardware, conhecido por sessões ao vivo à volta da música techno.
Tanto a versão digital como a cassete podem ser encontradas no Bandcamp da Rapture.
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