AUTOR

Daniel Duque

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Lançamentos favoritos de maio

5 Junho, 2026 - 13:16

Com o verão aí à porta, 10 lançamentos que já nos aqueceram ao longo de maio.

Bruna de Moura – Trópico [Sons Malarranha]

EP de estreia de Bruna de Moura, violoncelista conhecida por outras aventuras, como a dupla MOURA ou o conjunto Má Estrela. “Trópico” é fruto de sessões de improvisação com o violoncelo e leva-nos daqui para outro lugar, daqueles bem confortáveis, desde que não nos deixemos intimidar pelo arrastar prolongado das notas.

Delikwe – Agna Street (Words Create Vibrations) [Mole Audio]

Muito power do italiano que, mesmo sendo de Matera, é prata da casa de Lisboa. Toda a sua dedicação ao dub e à música bass aqui em evidência, como na brilhante The Blondy Man, cujo título pode ou não ser uma referência a Alpha Blondy, ou no tema homónimo, com detalhes e subs que podem remeter para dubstep. Mais acelerada e pronta para desbravar qualquer pista techno, 6am é a cereja no topo do bolo que conta ainda com remix de Pugilist.

I’A’V – Volatile Poem [Sucata Tapes]

Três patroas a trazerem até nós um dos discos do ano. Mais do que certo. Trio formado por Inês Malheiro, Arianna Casellas e Violeta Azevedo, I’A’V começa como uma residência no gnration, em Braga, e parte para concertos daí em diante e este disco fabuloso. Todo o génio destas artistas fica em evidência em “Volatile Poem”– o jogo de voz de Malheiro, o violoncelo de Casellas, a flauta de Azevedo e tudo isto em conjunto. Difícil é sair daqui.

Ka§par – Thread Of Becoming [Percebes]

Quinto álbum de Ka§par, quinto disco que nos leva por entre as diferentes inspirações desta referência lisboeta e nacional. Editado pela Percebes, “Thread Of Becoming” traz aquele lado analógico e cru ao longo de oito temas. A base até pode ser house, mas a verdade é que há muito mais, como linhas de acid (Denialist) ou hip-hop envolvido em dub (Jogo Eleva), sendo, também por isso, tão especial como sempre.

Lake Haze – VHS Memories [Atlantic Thunder]

Can’t go wrong with Lake Haze. Prolífero produtor e uma das referências nacionais lá fora, Gonçalo Salgado regressa à Atlantic Thunder com um LP que reflete a abrangência da sua música. Algures entre o electro, acid ou o feeling lo-fi, o lado emotivo está sempre presente. Ouça-se Mokoto’s Dream, um dos destaques, com o sentimento a envolver-se por entre uma linha acid e drum’n’bass.

Miguel Torga – Desastres Naturais [INFINITA]

Quando se pensa em Miguel Torga, somos remetidos para aquela onda de dub house e techno, com acordes esparsos ou vozes em português. Mas Hugo Vinagre decidiu trocar-nos as voltas em “Desastres Naturais”, novo álbum lançado pela sua INFINITA. O disco começa com um tema mais ambient e daí parte para uma aventura (maioritariamente) de breaks que passa por reese basses, dubstep e até um baixo bem funk em Uma Para O Afonso. Coisa linda.

O Gringo Sou EU – Receita do Povo

Frankão, aka O Gringo Sou Eu, referência da cidade do Porto através do trabalho social ou da música desenvolvida ao lado de HHY & The Macumbas ou Samba Sem Fronteiras. Em “Receita do Povo”, o brasileiro traz-nos um bocado de tudo isso, como a percussão, rappers ciganos ou sons loucos que remetem para bass e grime.

Schusta – Flor De Estufa

Nome com lançamentos pela Planet Rhythm ou Special Series, Tomás Schustakowitz é um DJ e produtor que tem chamado a atenção por entre o circuito lisboeta, seja pelas produções ou pela ligação a projetos como Adrena. Em estúdio, produz trabalhos como este “Flor De Estufa”, editado de forma independente, que inclui faixas techno tão portentosas e estonteantes quanto Contacto Visual.

Sensible Soccers vs Mad Professor – EP#1 – Dub Versions [8mm Records]

A lenda do dub Mad Professor a trabalhar faixas inéditas de Sensible Soccers? Palavras para quê? Só mesmo o facto de vir aí novo disco do trio.

System Sophie – Hydra [V.S.I. Records]

System Sophie não é novidade por entre a cena, mas ter um EP a solo é. A suceder um curta-duração de Proxy Fae no catálogo da V.S.I. Records, Sofia Ribeiro traz-nos o ambient espacial que esperaríamos de música sua nos dois primeiros temas e até beats nos dois seguintes, com a abordagem de Alphard, a remeter para uns Autechre, a ser particularmente interessante. Mother Jupiter e Veludo rematam tudo com remixes.

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