Uma lista sugestiva de alguns atos que passam pelo Basilar este ano. Não faltam nomes para ouvir, como é claro.
O Basilar está de volta à Barragem da Queimadela, em Fafe, entre 10 e 13 deste mês. Com ele, quatro dias de muita música techno e, pelo segundo ano consecutivo, também ambient nos momentos que sucedem a programação noturna.
Agora que os horários são conhecidos, trazemos 10 atos que queremos mesmo ouvir. Não é fácil, tendo em conta a autêntica maratona que este festival é, e certo é que, se não ouvirmos estes, outros hão de encher as nossas medidas.
De Luisa a Marcel Dettmann, as nossas escolhas e motivos podem ser vistos abaixo. Já no site oficial estão todas as informações que precisas.
Luisa [Quinta-feira às 21h00]
Luisa abre a pista principal do Basilar na quinta-feira e há vários motivos para ir ouvi-la, como o facto de ter esta slot nas mãos. A DJ lisboeta tem tido uma das maiores ascensões que testemunhámos nos últimos anos e isso deve-se às provas que dá dentro da cabine. Conhecida pelos discos de vinil e da paixão pelos mesmos, a patroa das festas andco é sinónimo de house, techno, transe, até breaks se for preciso, e tem levado malas até festivais como Butik, na Eslovénia, ou clubes europeus após anos a mostrar-se a pistas como a do 5A, em Lisboa. Respect.
Z.I.P.P.O & Mareena [Quinta-feira às 06h30]
Z.I.P.P.O é italiano, patrão da Fides, nome habitual no Tresor e DJ altamente elogiado pelos pares. Mareena é alemã, residente no clube berlinense, patroa do projeto de ambient Unrush e também ela muito elogiada. Já estiveram juntos em estúdio – ouça-se Moonchild – mas é como DJs que realmente se destacam e, tendo em conta que vão fechar a noite de quinta-feira, é difícil não dar um lugar à dupla. Julgando pelo closing set que assinaram há pouco mais de um ano no Tresor, podemos esperar por 3h30m de techno variado e sempre mexido, digno de quem anda por cá há muito tempo a remexer baús de diferentes eras ou subgéneros.
Carolf [Sexta-feira no palco de ambient]
É difícil falar em ambient em Portugal sem referir a Living Room, ou não fosse o projeto um dos mais respeitados e importantes dentro desse universo na capital. A escuta atenta e imersiva marca esses eventos, organizados por carolf ao lado de asio otus e usof, e marca também os sets da própria, sempre preparada para qualquer contexto, seja a tocar num carro em Algés, no Waking Life ou a levar um lado mais dançável e dub techno para a Collect. Um dos destaques no segundo ano de área ambient no Basilar, que nessa sexta-feira terá ainda Justin Case e System Sophie. Tudo para manter debaixo dos ouvidos e bem de perto.
Tasha & Stojche [Sexta-feira às 18h00]
Dois regressos ao Basilar de dois nomes que sempre assinaram sets brilhantes, desta feita num lado a lado a abrir sexta-feira. Só por aí, já nos interessa muito uma vez que é uma dupla que poderia tocar em peak time e até a fechar. De acordo com palavras de ambos no Instagram do Basilar, vai haver muito dub como ingrediente e essa é outra das razões por estarmos ansiosos por provar a receita que a britânica Tasha e o macedónico Stojche vão servir.
ROD [Sexta-feira às 04h00]
O neerlandês Benny Rodrigues é um DJ dos DJs. É inevitável. Pelo conhecimento, sim, mas também pela técnica. No Basilar, apresenta-se pela primeira vez como ROD no nosso país, se não estamos em erro, sendo este um pseudónimo centrado em techno. Suspeitamos que isso não signifique que ele tenha medo de trazer pitadas de house de Chicago, mas cidades como Detroit e até produções próprias devem ser a base para este set. De qualquer modo, o próprio deve saber que, no Basilar, terá espaço para fazer aquilo que melhor sabe: começar num ponto e levar-nos até o destino que só ele conhece.
Sterac [Sexta-feira às 07h00]
Outro peso pesado dos Países Baixos e do techno mundial é Sterac, inevitavelmente outro destaque desta edição. Steve Rachmad é um senhor e outro nome imensamente respeitado, com uma história que começa aos 12 anos, estava ele a comprar e misturar discos. Volvidos não sei quantos anos, o neerlandês cujos primeiros releases datam do início dos 90 é DJ irrepreensível, produtor idem, com sets que ficam marcados em qualquer pessoa, como é caso da atuação que assinou com o pseudónimo de orientação dub Parallel 9 no Waking Life deste ano. Sterac, ainda para mais a fechar a noite de sexta-feira? Não é preciso dizer mais nada.
Valody [Sábado às 18h00]
De Viseu para Lisboa, de Lisboa para os Países Baixos. Passo a passo e set a set, Valody foi-se tornando num dos mais respeitados nomes da nossa cena, dentro ou fora de portas. Um dos motivos nem sequer tem que ver com o DJing, aliás, e passa pelo facto de Vanessa Sousa dar de si aos outros, como através da ELBEREC, com a qual dá palco a muitos nomes emergentes. Já como DJ, a fundadora das Laboratorium, em Leiden, e residente nas Disturbia, em Amesterdão, tem tocado em vários palcos de destaque – por mérito próprio! – e sido elogiada pela capacidade de ir a várias coordenadas do techno e da música de dança sem perder a harmonia. A abrir sábado no Basilar, é esse conhecimento todo que esperamos ver aplicado à pista da Barragem da Queimadela.
Salbany (live) [Sábado às 02h30]
Quem almoçou no domingo do Basilar 2024 sabe bem o quão especial foi Salbany. Não tenha estado presente, talvez saiba na mesma quem é Guilherme Alves, que nunca mais parou desde o EP de estreia em 2020 – bem pelo contrário. Com releases por selos como Paraíso ou a Kazerne, sub-label da Mord, o engenheiro de som que acompanha Richie Hawtin chama a especial atenção pelos seus live acts, que tanto podem entregar espírito de Detroit como um lado mais mental. Uma coisa é certa: Salbany está a preparar algo especial e desenhado para o Basilar. Imperdível, como sempre.
Substance & Vainqueur [Domingo às 08h30]
É sabido que a aurora de domingo no Basilar marca uma mudança na música, fator essencial para respirar e ganhar fôlego para terminar a maratona de cerca de 30 horas. Num dia em que há Richard Akingbehin às 13h30, também ele sinónimo de ondas dub, os arquitetos Substance (aka DJ Pete) e Vainqueur começam a tocar às 8h30, pelo que já se adivinha a magia. Estamos a falar de autênticas referências do dub techno que, a solo ou como a dupla Scion, estão nesse mundo desde bem cedo, tanto que têm discos editados nos 90 pela Maurizio ou Chain Reaction. É um regresso ao festival, mas num horário que parece fazer ainda mais sentido.
Marcel Dettmann [Domingo às 18h30]
A referência italiana DJ Red às 16h00, Marcel Dettmann às 18h30 ou Fadi Mohem a fechar. São todos de escuta obrigatória, contudo tínhamos de escolher um para rematar a lista e a dúvida residia entre estes três. Até podemos estar a escolher o mais óbvio, mas a decisão recai sobre o facto de termos o alemão a tocar à luz do dia em plena Barragem da Queimadela. Não é preciso explicar muito mais: Dettmann é patrão, imagine-se a tocar preparado para um contexto raro – inédito, até – em Portugal.
Fotografia por Luisa Bravo

Deixa um comentário