AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Artigo

Guia para o Semibreve: Programa, horários, bilhetes e locais

22 Outubro, 2025 - 13:30

Encontra todas as informações relevantes sobre esta edição de Semibreve, incluindo um roteiro com as atividades.

A 15ª edição de Semibreve está mesmo aí à porta. O festival de música eletrónica e arte digital volta a ocupar diferentes espaços da cidade de Braga entre 23 e 26 de outubro, com um programa que se estende desde música a instalações, a passar por cinema e muito mais.

Com abertura a cargo de Heinali & Andriana-Yaroslava Saienko e encerramento de Grand River, esta edição conta com nomes como aya, Actress & Suzanne Ciani, Ava Rasti, emptyset, Lyra Pramuk b2b Krzysztof Bagiński, Nazar, Rafael Toral, Violet b2b Mix’Elle, µ-Ziq & ID:Mora e Zancudo Berraco, entre tantos outros.

Lê aqui tudo que precisas sobre bilhetes, programa e locais, horários e um roteiro.

O concerto de abertura é na Basílica dos Congregados, onde Moritz von Oswald fechou o Semibreve 2024 (Adriano Ferreira Borges)

Bilhetes

À data, os passes gerais já esgotaram, mas podes tentar a tua sorte através da Ticketswap. Há, no entanto, bilhetes diários para o gnration e Theatro Circo, bem como para “Listening Together”, workshop de Lyra Pramuk agendado para dia 25.

Programa e locais

Há muito para fazer, ver e ouvir nesta edição de festival – cinema, instalações, conversas, masterclasses, workshops e, claro, muita música.

Uma vez que este ano não há concerto de abertura no Santuário do Bom Jesus de Braga, todos os espaços estão a distância a pé. Como sempre, o programa dá azo a que se explorem novos caminhos – na cidade, sim, e na música e artes também.

Como tem sido habitual, a previsão meteorológica do IPMA mostra, à data, que deve chover durante todos os dias do festival, à excepção de domingo. Por isso, é importante que toda a gente vá preparada para isso.

Mais abaixo, podes saber mais sobre o que se vai passar por lá neste roteiro. Aqui, podes ver todos os sítios que recebem estas atividades a partir de quinta-feira, com respetivas ligações para o Google Maps:

A Capela Imaculada do Seminário Menor recebe Ava Rasti, que apresenta “The River” ao lado de um quarteto de cordas (Adriano Ferreira Borges)

Horários Semibreve 2025

Quinta-feira, 23 de outubro

  • 14-18h30 EDIGMA SEMIBREVE SCHOLAR [Instalação no gnration]
  • 14-19h00 Wildtracks (Andrzej Załęski, 2025) e A Forbidden Distance (Andrzej Załęski, 2025) [Cinema na zet gallery]
  • 21h30 Heinali & Andriana-Yaroslava Saienko apresentam “Гільдеґарда” (Hildegard) [Música na Basílica dos Congregados)

Sexta-feira, 24 de outubro

  • 14h30-18h30 EDIGMA SEMIBREVE AWARD (“8.33, Perception of the Invisible”, de Jésus Baptista) [Instalação no Theatro Circo]
  • 17h00 Moving Ice (Susan Schuppli, 2024) [Música no gnration]
  • 18h00 Susan Schuppli + Fernando José Pereira [Q&A no gnration]
  • 21h30 Rafael Toral apresenta “Traveling Light” [Música no Theatro Circo]
  • 23h00 Marta De Pascalis & Marco Ciceri apresentam “Tell Me The Sun” [Música no Theatro Circo]
  • 00h30 João Galante [Música na sala multiusos do gnraton]
  • 00h30 NAH [Música na blackbox do gnration]
  • 01h30 aya apresenta “hexed!” [Música na blackbox do gnration]
  • 02h30 Zancudo Berraco [Música na blackbox do gnration]

Sábado, 25 de outubro

  • 10h00 Composing Without a Map (Ava Rasti) [Masterclass no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian]
  • 10h00 Listening Together (Lyra Pramuk) [Workshop na Casa Rolão]
  • 14h30-18h30 EDIGMA SEMIBREVE AWARD (“8.33, Perception of the Invisible”, de Jésus Baptista) [Instalação no Theatro Circo]
  • 15h00 Listening to Temporal Disturbances (Nuno Fonseca) [Palestra no Museu Nogueira da Silva]
  • 17h30 Ava Rasti apresenta “The River” com quarteto de cordas [Música na Capela Imaculada do Seminário Menor]
  • 21h30 Lucy Railton, Charlie Hope e Rebecca Salvadori apresentam “Not A Word From Me” [Música no Theatro Circo]
  • 23h30 emptyset apresentam “Dissever” [Música no Theatro Circo]
  • 00h30 Violet b2b Mix’Elle [Música na sala multiusos do gnration]
  • 00h30 Nazar apresenta “Demilitarize” [Música na blackbox do gnration]
  • 01h20 µ-Ziq & ID:Mora apresentam “Grush” [Música na blackbox do gnration]
  • 02h15 Lyra Pramuk b2b Krzysztof Bagiński [Música na blackbox do gnration]

Domingo, 26 de outubro

  • 14h30-18h30 EDIGMA SEMIBREVE AWARD (“8.33, Perception of the Invisible”, de Jésus Baptista) [Instalação no Theatro Circo]
  • 15h30 Yara Asmar [Música no Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho]
  • 17h00 Actress & Suzanne Ciani apresentam “Concrète Waves” [Música no Theatro Circo]
  • 18h15 Grand River apresenta “Tuning The Wind” [Música no Theatro Circo]

Roteiro para esta edição

Atenção: se já foste ao Semibreve e estás a contar com a habitual abertura no Santuário do Bom Jesus do Monte, é melhor teres calma. Em 2025, esse concerto acontece na Basílica dos Congregados, em plena Avenida Central, e terá os ucranianos Heinali & Andriana-Yaroslava Saienko a apresentarem ‘Гільдеґарда’ (Hildegard), uma obra que parte de duas composições da Santa Hildegarda de Bingen, uma “freira visionária” do século XII cujo legado, nas palavras da organização, “permeou a nossa cultura por quase um milénio, abrangendo desde a teologia à medicina, da botânica à música.” Por isso, repara como teremos música dedicada à Virgem Maria em plena basílica, aqui “executadas de forma radicalmente mais lenta do que o habitual, expandindo-se no tempo e no espaço”, pode ler-se nas notas oficiais do disco.

Caso estejas por Braga durante a tarde, entre as 14 e as 19h, a zet gallery vai estar a exibir “Wildtracks” (35m) e “A Forbidden Distance” (23m), dois filmes de Andrzej Załęski que documentam “Białowieża”, de Chris Watson e Izabela Dłużyk, e o trabalho homónimo de Saint Abdullah, Eomac e Rebecca Salvadori, ambos frutos do programa europeu TIMES, de que o Semibreve e outros nove festivais fazem parte, apresentados na edição de 2024.

Ainda na quinta-feira, entre as 14 e as 18h30, vais poder ver as obras vencedoras do Edigma Semibreve Scholar, no gnration, neste caso assinadas por Bruno Mesquita, Isidora Correa & Guy Fleisher, Martim Novais e Rafael Morais. Essas ficam em permanência nesse espaço, enquanto “8.33, Perception of the Invisible”, do vencedor do Edigma Semibreve Award 2025, Jésus Baptista, poderá ser vista no Theatro Circo a partir de sexta-feira.

Também a partir de sexta, o programa desdobra-se em outras atividades. Nesse dia 24, o filme “Moving Ice”, de Susan Schuppli, será exibido no gnration às 17h, momento que será sucedido por uma conversa com a realizadora e Fernando José Pereira. Um dos destaques de todo festival acontece às 21h30, no Theatro Circo, com Rafael Toral a apresentar o novo disco “Traveling Light” – um regresso em que não estará sozinho, fazendo-se desta feita acompanhar por Bruno Parrinha, Clara Saleiro, Pedro Alves Sousa e Yaw Tembe. Daí, Marta De Pascalis & Marco Ciceri fecham essa noite no teatro com “Tell Me The Sun”.

Figura-chave das artes performativas em Portugal, João Galante sobe ao palco da sala multiusos do gnration à 0h30, mesma hora em que NAH, baterista com uma história de experimentação que vai desde o hip-hop ao punk, toca na blackbox. As escolhas difíceis ficam-se por aí, já que depois é sempre tudo na blackbox: primeiro, à 1h30, aya apresenta “hexed!”, um louco e áspero disco (por vezes até emotivo) que será certamente um dos nossos favoritos deste ano; e depois, às 2h30, Zancudo Berraco, ele que tem o recente “Caribaria” na bagagem e que assina um dos live acts que tem suscitado mais curiosidade entre os fãs nacionais de música de dança de orientação exploratória.

Sábado é mais longo. Para quem acordar cedo – o que aconselhamos, dado o programa – há uma masterclass e um workshop às 10h: Ava Rasti dá a aula “Composing without a map” no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian; Lyra Pramuk o workshop “Listening Together” na Casa Rolão. Mais tarde, às 15h, a escuta continua a ser tópico-central do festival, com Nuno Fonseca a dar a palestra “Listening to Temporal Disturbances” no Museu Nogueira da Silva.

Explorando a forma “como um local guarda e esconde memórias e, inadvertidamente, como a perspetiva e o tempo criam narradores pouco fiáveis”, a iraniana Ava Rasti apresenta “The River” às 17h30, na Capela Imaculada do Seminário Menor, acompanhada pelos violinos de Filipa Abreu e Vânia Oliveira e pelos violoncelos de Tiago Mendes e Catarina Coelho. Será, certamente, mais um daqueles momentos emotivos a que concertos neste espaço já nos habituaram.

Com a pausa até às 21h30, hora em que Lucy Railton, com Charlie Hope e Rebecca Salvadori, leva a encomenda “Not A Word From Me” até ao Theatro Circo, há tempo para ver as instalações que estão em permanência. Ainda para esse teatro de 1915 está programada a atuação de emptyset, um dos momentos mais esperados por muitos. A dupla de Bristol, formada por James Ginzburg e Paul Purgas, é conhecida pela eletrónica que já levou a editoras como Raster-Noton e Subtext, mas aqui vai estar a apresentar “Dissever”, disco editado este ano que parte de uma exibição no museu Tate Modern e que se “baseia na sua exploração contínua das histórias do som eletrónico e dos meios de comunicação ao longo do século XX”, escreve-se na descrição do trabalho.

Regressados ao gnration a partir da 0h30, a primeira escolha volta a ser muito difícil. Se por um lado há Violet b2b Mix’Elle, casos sérios do DJing da nossa cena e cúmplices das festas de drum’n’bass Angel, no saudoso Planeta Manas, por outro há Nazar com “Demilitarize”, álbum bastante mais emotivo do que os trabalhos anteriores e no qual liberta o espírito através da voz. A decisão talvez parta da vontade de dançar ou de fechar os olhos.

Depois, não são precisas mais decisões. µ-Ziq & ID:Mora há de ser uma celebração incrível da música de dança e do IDM, ou não fosse o primeiro o patrão da Planet Mu e um dos porta-estandartes do género, e não apresentassem precisamente “Grush”, resultado de “live favorites” de espetáculos entre Mike Paradinas e o artista visual checo. Para fechar, um raro DJ set – o que só por si já é motivo de interesse – de Lyra Pramuk em b2b com Krzysztof Bagiński. A cumplicidade entre os dois é clara e isso é meio caminho andado para um back-to-back de sonho.

No domingo, o lado introspetivo e emotivo continua a fazer parte do cardápio. Yara Asmar, artista multidisciplinar de Beirute, abre o dia no Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho, com a apresentação de “Stuttering Music”. Um disco que, nas palavras da própria, é composto por “eulogias para acordeão, metalofone e eletrónica” e que, ouvindo, mostra o tipo de ambient expansivo e etéreo que queremos ouvir naquele salão e depois de uma noite de gnration.

Um dos atos que queremos mais ouvir é “Concrète Waves”, de Actress e Suzanne Ciani. Afinal, estamos diante dois nomes com imensa importância na eletrónica, cada qual numa geração em particular. Se o britânico Actress é sinónimo de uma discografia invejável que vai desde o lo-fi ao techno, sempre com muita peculiaridade, Suzanne Ciani é uma das maiores aventureiras de sempre, uma mulher de 79 anos indissociável da eletrónica que confraternizou e trabalhou com o próprio Don Buchla. É preciso dizer mais?

Para fechar, também no Theatro Circo, Grand River vem mostrar por que tem sido uma das compositoras mais aclamadas dentro dos círculos de ambient em tempos recentes, neste caso com o último “Tuning the Wind”. Aimée Portioli espera “que as pessoas saiam do concerto sentindo algo pessoal, talvez uma sensação de quietude ou uma mudança na forma como ouvem o mundo à sua volta”, como referiu ao Rimas e Batidas. Nós também.

Fotografias por Adriano Ferreira Borges / SEMIBREVE

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