AUTOR

Rui Castro

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Notícias

Adeus, Fragz. Olá, Jon Tho

25 Setembro, 2020 - 11:36

João Fragoso coloca um ponto final na era de Fragz. Jon Tho é a entidade artística que se segue, e o próprio explanou-nos esta mudança.

Depois de 11 anos a revolucionar o panorama nacional, e internacional, de drum’n’bass como Fragz, o produtor portuense decide despir a farda, e alguns estereótipos associados, para abraçar um projeto que o torne mais próximo do que é hoje. “Esta decisão não foi tomada de ânimo leve. Foi algo que já vinha a pensar praticamente desde a altura em que tivemos a ideia de criar a Surveillance. Queria ter algo que fosse mais ao encontro do que nós fazemos na editora, e de certa forma libertar-me dos rótulos que o meu projeto anterior tinha”, conta.

Mas afinal em que é que Fragz e Jon Tho se distinguem? Segundo o próprio, “o que tento fazer com Jon Tho é encontrar um equilíbrio entre a melodia e o dancefloor. Pondo por outras palavras, música que seja tão, ou quão, agradável ouvir no Spotify do que na pista de dança. Digamos que com Fragz a essência era um pouco diferente, era música 100% pensada para a pista e foi tudo feito com outro espírito e mindset.” E, no fundo, esta mudança tem uma razão muito simples: “Os tempos passaram e sinceramente sinto que o meu som evoluiu e acho que não fazia sentido nenhum ficar agarrado a um nome que já carregava muita história com ele.”

Como Fragz, a sua fama derrubou fronteiras, tornando-se no artista nacional de drum’n’bass com maior expressão global. Não só pelo trabalho desenvolvido pela Yellow Stripe, ajudando a cimentar um género inovador até então – o crossbreed – mas também implementando o seu próprio cunho musical, com um género próprio, o “Portostep”. No entanto, a mudança de sonoridades para vertentes mais neurofunk e com conotações menos associadas a essas vertentes extremas, denotava uma alteração rumo a paragens distintas pelas quais ficou conhecido.

Mas o que irá acontecer a Fragz? “Sinceramente, para já, não vejo nada que possa acrescentar a esse projecto. Tinha muitas metas e objectivos com ele, que acabei por conseguir concretizar. Gosto de saber que foi um projecto com bastante peso numas quantas gerações de ravers, e que serviu de inspiração para muitos outros. Fiquei bastante contente com muitas mensagens que recebi após ter anunciado o fim do projecto, pois fiquei a ter a certeza que realmente a música que fiz, e tudo em seu redor, deixou marcas em muitas pessoas, e isso é muito gratificante. Mas não, não irei dar continuidade ao Fragz. Quiçá faça um set especial muito ocasionalmente.”

Já percebemos as diferenças e o motivo desta viragem de página, mas ficamos curiosos quanto ao nome. Então resolvemos questionar o porquê de Jon Tho: “visto que o pessoal lá de fora vê-se à rasca para dizer João, muitos chamam-me Jon, então saiu-me naturalmente o trocadilho com John Doe/Jane Doe. Podia estar aqui a inventar aquela clássica história que se ouve nos documentários, mas não, não pensei muito nisso, simplesmente soou bem e sei que representa o que quero fazer artisticamente com ele. E, no final de contas, a música é que acaba por dar a verdadeira cara ao nome.”

O seu EP de estreia, de quatro faixas a solo, sairá pela sua Surveillance Music em outubro, e aí poderemos “perceber a essência de Jon Tho”, e o que procura transmitir com esse pseudónimo. Mas há muito mais agendado para o futuro próximo. “Tenho também umas quantas colaborações com artistas como Dj Ride, Missin, Vowel, Freshney e Nickbee que foram, e estão a ser, muito divertidas de fazer. Só para fechar este leque de collabs, gostava de destacar uma música que foi composta na altura do lockdown, com uma vocalista do Canada chamada Anastasia, que na minha opinião é dos temas mais sentidos que fiz ate hoje e, lá está, tem uma sonoridade que com Fragz nunca iria ter a coragem de abordar. Muito menos de a tornar pública [risos]”, remata.

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