AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

DJ Lycox: “A batida pode ser um refúgio”

8 Novembro, 2024 - 13:41

Entrevista com DJ Lycox sobre diferentes momentos da carreira, incluindo o recente “Guetto Star”, disco em que “dá para sentir que não está focado só numa base dentro da batida”.

É um dos principais impulsionadores da batida, movimento nascido nas periferias de Lisboa que hoje se ouve em pistas de todo o mundo. Este ano, pela habitual Príncipe, pôs cá fora “Guetto Star”, disco que reflete o amadurecimento de DJ Lycox como produtor, um dos pontos abordados nesta entrevista. Mas a conversa vai muito para além disso.

Hoje a viver em Paris, Ivan Martins era menor de idade quando teve o primeiro contacto com a Príncipe, a que é muito associado apesar de ter trabalhos editados fora deste selo, como é caso de “TERAPIA”, lançado este ano, da conhecida colaboração com JLZ, UH UH BALANÇOU, ou das muitas faixas que lança no SoundCloud. Enquanto DJ, tem tocado em clubes e festivais reconhecidos, como é caso do Primavera Sound, que vê como um marco na carreira.

Um dos nomes da Tia Maria Produções, DJ Lycox fala aqui sobre tópicos como o trajeto pessoal e artístico, as inspirações, o processo de “Guetto Star” ou a importância e impacto do movimento da batida, que pode servir como refúgio e afirmação cultural para diferentes gerações.

Moras em Paris há quanto tempo?
Faz 12 anos.

Como é aí a vida? Qual é a diferença que tens sentido para Lisboa?
A vida por Paris é uma vida corrida. Sempre no corre. Cada um atrás do ganha-pão de cada dia.

É uma vila muito movimentada, ou seja, o people em si é muito estressado. Não é como em Portugal, em Lisboa. Aí vejo o people um pouco mais descontraído, com o trabalho e tudo mais. Aqui é pressas para aqui, pressas para ali. E acaba por ser um caos. De resto, estilo de vida, eu gosto. Porque sempre estive habituado a movimentos desde Portugal, então…

E também sais à noite ou estás envolvido na cena musical?
Sair à noite só quando é para suportar os manos. Ou seja, os manos que vêm de Portugal, ou aqueles com que ao longo do tempo, com a música, criamos amizade. People, sei lá, de Holanda, Nova Iorque, China, que vêm cá para ter um gig. Eu vou lá sempre para mostrar o suporte. Mas não, não saio regularmente à noite.

E a nível de música, há cenas que tenhas descoberto e que te inspirem por aí?
Sim. Desde a minha chegada cá em 2012, o que mais me inspirou… Para já foram as culturas. O universo de culturas que cá tem, eu não via em Portugal. Em Portugal é mais aquela cena… Temos nós os portugueses, os ciganos, os blacks – o mundo dos PALOPs, como nós dizemos, seja angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos. E temos aquela cultura musical, que é o kizomba, kuduro, semba e por aí.

Chegando cá, deparei-me com o estilo musical deles, como techno. Depois, conhecendo outras culturas, como árabes, descobri mais música, como do Médio Oriente. Isso tudo, para um jovem produtor na altura, foi um mundo de informações. Ou um universo de informações, se posso dizer assim, que não estava muito à espera. Fiquei super inspirado. Eu disse, uau, quero começar a pegar em cada identidade que ouvi e implementar na cena que eu faço, ou seja, no afro house e kuduro, que a gente chama batida.

E até ia aí, mas agora, já que estamos a falar nisto, alguma coisa que tenhas saudades de Lisboa? Acredito que muitas, mas alguma coisa em particular?
O povo em si e a comida.

Eu sei que já falaste disto noutros momentos, mas gostaria de perguntar e recordar as tuas primeiras experiências com a música. Eu sei que o kuduro, por exemplo, é importante para ti, mas não sei se conseguirias resumir as tuas primeiras experiências.
A primeira experiência que eu tive com a música já foi há uns bons anos. Eu dançava antes de ser mesmo produtor.

Não sei se te lembras, no tempo do Messenger, 2008, 2009, tínhamos aquela cena que era do tipo, mal chegas da escola, caminho para casa, já abres o Messenger, começas a interagir com o people, e na altura eu era um jovem dançarino de kuduro. E aquilo era o quê? Passar músicas entre amigos, não é? Ou seja, conversas com os teus amigos e tal. Então, eles dizem-te assim: “olha, já ouviste aquele novo som do Marfox e tal?” ou “olha, isto aqui para um videoclip ali na escola, atrás do parque de estacionamento, seria fixe e tal”. E tu ouves o beat e já te saltam um monte de emoções. E tu dizes, olha, nesta parte aqui, se calhar vou puxar este toque de dança e tal.

Música, verdadeiramente, é algo que já cresceu comigo desde criança. Então, sempre tive aquele interesse por música, tanto como dançarino e, depois, no final de 2009/2010, como por gravitar mais para o lado de músico. Ou seja, largar um pouco a dança e começar a produzir também. E foi o que começou a acontecer. Com a ajuda do Bboy e do EDyFoOx, claro.

Pois, já ouvi falar sobre isso. Aqui no Porto também passávamos música, mas era mais hip-hop. Já vocês aí tinham muita cena de dança dessa malta toda. É engraçado. Tu lembraste de quando é que começaste a produzir? O que é que te motivou a dar esse passo?
Na altura, o que me motivou foi a estrela da minha zona, o DJ EDyFoOx. Hoje já não produz mais, não é DJ. Está a fazer a cena dele, com todo o respeito. Big up ao mano. Foi ele que verdadeiramente me inspirou a ser músico. Porque ele dançava e eu inspirava-me nele. Depois ele começou a produzir, a fazer beats, e eu pensei que os beats eram de outro mundo e que também queria aprender a fazer beats. Então ele foi a minha referência, verdadeiramente. Ele era o meu ponto de inspiração.

E desde aí, já vai algum tempo, como é que tens visto o crescimento da batida e desse movimento?
O crescimento da batida… No meu ponto de vista, tem sido um crescimento saudável. Não é algo que pegou. Ainda está nas vergas de explodir, ainda está a crescer. Tem ido com o seu tempo. Mas, no geral, eu creio que está a crescer bem, está a ir na direção certa. E é só a gente, ou seja, os fazedores da batida e também os consumidores, continuar sempre mostrando love e suporte uns aos outros. E engrandecendo mais o movimento, creio que, daqui a um ou dois anos, isto aqui pode explodir muito.

Qual é que achas que é a importância do movimento da batida para a malta mais nova? Achas que pode ser uma porta para se interessar por fazer música, por exemplo?
Para um jovem que está a começar agora a fazer música, eu creio que é muito importante. Vou-te levar a uns anos mais atrás, 2011 até 14. Era uma altura que não tinha assim muita união. Para ser mesmo explícito, não havia uma união grande entre artistas.

Tu vias grupinhos, como ainda tem hoje em dia. Tens aqui Tia Maria, Piquenos Djs do Gueto, RS Produções, tens bué grupos. Mas antigamente não tinha aquela cena do tipo… Uma Tia Maria se unir com os RS, estás a entender? Eu não sei porquê, visto que eu também já tinha me deslocado para aqui, para Paris, então entendia muito o porquê. Eu já era fazedor, mas depois retirei-me de Lisboa, então muitas das informações eu já não sabia. Mas de longe eu via que não havia união.

Então, só para te resumir, hoje em dia a união que a gente tem, todos nós os produtores da batida, para um jovem que hoje em dia faz também, é super importante, porque ele vai ver que este movimento é verdadeiramente unido. É aqui que eu verdadeiramente me sinto em casa, sinto-me bem e quero crescer também aqui.

Fotografias por Marta Pina

Então vês que pode ter um papel educador para a malta mais nova, nesse sentido de união. Perceber que pode fazer parte de alguma cena.
Eu creio que também pode, sim. Pode sim ter um papel educador. Porque no final do dia, aquilo é o quê? A batida, no final do dia, é um estilo que foi criado nas periferias de Lisboa e tal.

Pode ser educador também porquê, porque hoje em dia – não sei se tens acompanhado, é muita violência e tudo mais – posso conversar com um rapaz mais novo que está a interessar-se pela batida e posso dar-lhe aquela motivação. Do tipo, “mano, em vez de estar nessa vida de rua, fazer coisas que se calhar não agradam aos teus pais, mesmo para ti não será benéfico no futuro, vais ter problemas e tal, isto aqui é um bom passatempo e se calhar um dia pode ser uma vida também para ti”.

Pois. E vimos isso muito no hip-hop também, não é?
E agora na batida, exatamente. Eu creio que isso aconteceu com muitos dos irmãos dentro do movimento. Ou seja, a batida pode ser também um refúgio.

Gostaria de falar um bocadinho sobre o disco. Como é que chegaste ao título “Guetto Star”?
Já não me lembro onde tinha tocado, mas tive uma grande conversa com uma pessoa já depois do gig que estava a dar-me aquele suporte. Disse-me “mano, eu estive no teu show, a gente infelizmente não pôde falar porque era muita pessoa a interagir e tal, mas quero que saibas que tu és mesmo um ‘Guetto Star’, que tu mostraste verdadeiramente que és mesmo uma estrela”.

Daí eu fiquei com esse nome, Guetto Star. Uau, as pessoas já chegam a ter esse tipo de pensamento com a minha cena. É fixe, fico feliz verdadeiramente. Depois, naquele processo entre família da Príncipe e o álbum, eu tinha as faixas mas não tinha o nome. Quando o Nelson [Gomes], que é um dos owners lá da Príncipe, me disse que faltava um nome, eu disse que não tinha. Depois veio esse título e ainda pensei se não era muito foleiro. Mas depois disse ao Nelson, “olha, fica assim”.

Essas palavras foram muito marcantes.
Foram, foram. De certa forma foram muito marcantes.

E podes falar um bocadinho sobre processo do disco? Como é que escolheste as faixas?
Sendo sincero contigo, é um disco que já tinha começado a fazer em 2020, só que depois dei um break em 2021 porque entretanto tinha ido viver para o Reino Unido, para Inglaterra. Então meio que fiquei naquela de stand-by, estás a entender? Aprender uma nova cultura e tal. Quis deixar o álbum em stand-by e focar nas coisas em que tinha de me focar primeiro. Depois voltava a trabalhar no álbum.

Voltei a trabalhar no álbum em 2022, quando tive uma turné nos Estados Unidos com a Nídia. A gente estava em Nova Iorque, lembro-me bem desse cenário: ela estava a jogar no seu computador e ela tinha levado também a Maschine+. É uma máquina que te permite fazer instrumentais. E eu estava meio aborrecido, estava no telemóvel e disse “olha, não tenho nada para fazer, podes emprestar-me a tua máquina para que eu possa fazer algo?”. E ela disse “na boa, pega”.

Daí comecei a fazer a track To Bem Loko. E eu ali no meu cantinho, assim no sofá, comecei a ter uma visão grande, a pensar que aquilo iria para o álbum em que comecei a trabalhar e que agora precisava de solidificar. Ou seja, verdadeiramente fugir do padrão que eu mostrei ao povo em 2017 no “Sonhos & Pesadelos”.

Queria fazer uma cena, sei lá, um pouco diferenciada, uma cena fora do normal. E quando voltamos da turné, foi quando eu fiz a track YAAAHH, meio que tribal, com aquelas vozes que vai e vêm, com eco e tudo mais. E eu disse que iria ser uma cena diferente e a partir daí foi só trabalhar, trabalhar. Foi para aí em outubro que eu disse, olha, vou meter uma deadline, dias 20 e tais eu acabo isto aqui e mando para a família para verem o que é que a gente faz com isto. E, graças a Deus, gostaram e disseram para avançar.

Altamente. Nota-se que há cenas diferentes no disco. Estás a dizer tribal e ouve-se momentos, sei lá, com mais energia, outros mais românticos, mais calmos. Como achas que este disco te representa?
Sendo sincero, não te sei bem dizer. Eu creio que é mais versátil. Dá para sentir que não estou focado só numa base dentro da batida. Tem várias bases, ou seja, eu verdadeiramente permiti-me viajar mais no que é a batida. Fui para além da batida, misturando vários elementos. Se só posso dizer uma palavra que me identifica neste projeto, direi versatilidade.

Tu tocaste nos “Sonhos & Pesadelos”. Como é que vês a tua evolução, até mesmo antes desse disco, hoje em dia? Achas que este “Guetto Star” representa bem a tua evolução ao longo dos anos?
Eu creio que sim. Dá mesmo para notar na sonoridade, a seleção de instrumentos, a construção, ou seja, a história dentro do instrumental. Eu creio que dá para notar uma grande evolução.

Há assim alguma coisa que tu queiras mesmo exprimir com a tua música? Tu falas muito do lado do kuduro, não sei se vês algum pormenor em específico que gostes de exprimir.
Sendo sincero, a única expressão que eu quero mostrar ao people… Eu já ouvi relatos que a minha música meio que lhes ajudou, isso ainda no “Sonhos & Pesadelos”. Tinha um irmão que estava a passar por uma fase difícil e que ouviu a track Solteiro e disse que lhe mudou a vida. Ele tinha pensamentos suicidas e quando ouviu a track meio que foi um wake-up call. Então, verdadeiramente o que eu quero passar com a minha música é que a mensagem é não desistas. Como eu estou a fazer algo, tu também podes fazer algo. A vida não pára por aqui. A gente passa por tribulações e tudo mais, mas a gente tem que continuar, entendes? A gente tem que continuar e essa é a mensagem que eu tento exprimir na minha música.

Não neste disco, mas tens algumas colaborações. Danifox, por exemplo. Como são esses momentos? Curtes fazer? É algo que te ajuda a crescer?
Mencionaste o Danifox e ele é o meu melhor amigo. Vejo-o como um irmão mais novo. Então, o nosso processo de criação numa colaboração é diferente porque a química está a mil por cento. O que ele vai fazer, eu consigo acompanhar direto, ou seja, eu consigo entrar no pensamento dele e perceber onde é que ele verdadeiramente quer ir com a música. Como eu também quando começo algo, ou seja, um projeto, e depois ele pega, ele também sabe qual é a ideia. Depois é aquela cena, tipo, só viajar, de mente para mente, e eu acho isso super lindo porque costuma-se dizer que duas cabeças funcionam melhor do que uma.

E não só. Tem outras colaborações. Tenho um grande irmão do Brasil, o JLZ. A gente compreende-se facilmente no que a gente tenta projetar para a nossa audiência, e para mim são momentos únicos. De certa forma também ajuda na audiência. E eu hoje em dia, ao fazer uma colaboração contigo, tu estás a ajudar-me e eu a ti. Não só no nível artístico, como também na audiência.

Falaste nesse teu bro do Brasil. Foi com ele que lançaste a UH UH BALANÇOU, não é? A Björk tocou essa faixa e tudo. Como é ver nomes tão grandes a tocar faixas tuas?
Para mim é uma sensação de gratidão, fico super grato. Agradeço a Deus sempre porque… Não sei como é que isto aqui pode ser, então só tenho que agradecer, basicamente. Fico verdadeiramente contente.

Há assim malta com quem curtisses mesmo colaborar ou até com quem estejas a colaborar agora?
Neste preciso momento, tenho dois nomes com quem eu gostaria de colaborar: Diplo e Ape Drums. Ah, e Skrillex também. Era verdadeiramente honorável porque são produtores que cresci ouvir, então gostaria de fazer acontecer. Quem sabe um dia.

Voltando atrás, há algum momento ou momentos na tua carreira que vejas como uma milestone?
Tem, tem. Como milestone, primeiramente em 2015, quando assinei pela Principe. Isso para mim foi uma grande conquista porque não conhecia nada da indústria musical. Na minha cabeça era: tenho a escola, faço as cenas que tenho de fazer no meu quotidiano e depois quando vou para casa, abro o meu computador e música, só faço música. Não sabia nada de labels, não tinha esse conhecimento do que é a vida musical, ou seja, a vida do músico e tal. Labels e por aí. 2015 foi o começo, um dos primeiros milestones.

2019, quando eu participei no Primavera Sound. Isso para mim foi um dos grandes milestones porque no palco ao lado estava um dos rappers que eu mais apreciava e ainda aprecio, o A$AP Rocky. O meu camarim estava logo ao lado dele e eu fiquei “uau, alguém que eu só via no Youtube ou na televisão, hoje em dia, está no mesmo line-up”. Então, isso para mim foi um dos grandes milestones também.

E quando comecei a despertar aquele lado DJ, ou seja, 2016/2017, o sonho de todo DJ é fazer um Boiler Room. E em 2022, eu e a firma fizemos um grande Boiler Room, para mim o meu melhor, eu tenho dois na carreira, esse aí verdadeiramente foi aquele stamp no passaporte, entendes?

Estas cenas de certeza que também te fizeram mudar a tua relação com a música, não é? Se calhar antes não imaginavas fazer disto vida.
Sim, sim, a pessoa tem sempre aquele pensamento do tipo, se isto não der certo ou mesmo que dê certo, tem sempre que ter aquele backup plan. Quando comecei a atingir esses milestones, eu comecei a ver que isto aqui também pode servir de vida. É uma cena que eu verdadeiramente… Amo música e faço, então fazer disto aqui uma vida para mim nem veria como um trabalho. Imagina estares a fazer algo que tu gostas de fazer, é tipo um hobby que te dá sustento, consegues pagar as bills e tudo mais.

Onde é que gostavas de chegar ou que legado que gostarias de deixar? Não sei se é algo em que penses.
Para o futuro, eu creio que daqui é sempre a subir, ou seja, começar a elevar mais o meu trabalho, levá-lo mais longe. Trabalhar com artistas que ninguém espere que eu trabalhe. Já tenho alguns em mente, agora a cena é só tentar chegar até eles através de conexões. Ver se consigo fazer isso acontecer para um dia, quando eu olhar para trás, daqui a 10, 15 anos, dizer que deixei um grande legado. Com o futuro, levar também a batida tão longe quanto possível para a gente começar a ganhar GRAMMYs e coisas significantes para a nossa carreira.

E a verdade é que já estás a deixar um legado, mas como é óbvio percebo que queiras mais ainda. Espero que chegues lá.
Com foco, determinação, trabalho e fé, a gente chega lá.

Obrigado por este momento. Não sei se tens alguma mensagem final para os fãs, ouvintes, até mesmo amigos.
Não digo que a gente tenha fãs, eu digo ouvintes. Continuem a fazer stream ao “Guetto Star” e sobretudo a dar o suporte à comunidade toda. E checkem também o trabalho dos rapazes sobretudo.

Fotografias por Marta Pina

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