AUTOR

Daniel Duque

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Lançamentos favoritos de fevereiro e março

4 Abril, 2025 - 15:18

Dois meses, inúmeros discos. Estes são alguns exemplos dos que mais rodaram por cá.

Banha da Cobra – Lava Love [Discrepant]

Dupla de Carlos Godinho e Mestre André, os Banha de Cobra gravaram este disco num tanque de combustível desativado, durante uma residência em Tenerife, e em alguns espaços exteriores. Godinho está na percussão, que inclui objetos encontrados, e André nas eletrónicas. O resultado é um alucinogénio doido que nos leva a um lugar ainda desconhecido. E a viagem, essa… Nós agradecemos.

Carmen – Matiné [Diffuse Reality]

Não estamos a exagerar quando dizemos que Carmen (também conhecido por Ferro) é um dos nomes mais interessantes da cena techno atual no país. Dizemo-lo pelo talento, sim, pelas explorações em modular e por acreditarmos que é a próxima grande cena, caso possamos dizer isto neste meio. “Matiné” é o EP de estreia com este nome e prova disso tudo. Seis faixas techno dignas de embelezar qualquer pista, marcadas por abordagens que tanto se podem ouvir num peak time como nos primeiros raios de sol.

Dj Narciso – Diferenciado [Príncipe]

Difícil ouvir um disco lançado pela Príncipe e não ficar rendido. A editora lisboeta continua a pôr cá fora assinaturas únicas e a de DJ Narciso não é exceção. O título diz tudo: “Diferenciado” mostra um dos fundadores da RS Produções a servir a sua batida sem rodeios — graves a tremer com tudo, a puxar da tradição angolana enquanto embebe a sua própria experimentação. Música para gente exigente e sem medo de distorcer corpo e mente.

Hélder Russo – Nha Joia [Percebes]

Homenagem à falecida mãe de Hélder Russo, “Nha Joia” é um espelho emocional de tudo o que este nome tem vindo a construir enquanto DJ e produtor. House cheio de groove e soul, com identidade vincada, rico em detalhe e com contributo de músicos que lhe dão ainda mais corpo. Disco feito de luto, mas também de celebração e amor.

Lê também: Hélder Russo: “Nha Joia representa um pouco de tudo que me fascina musicalmente”

Maria Amor, Shcuro – Intertwined [Paraíso]

Casal maravilha responsável pela mui relevante Paraíso, Maria Amor e Shcuro lançaram por esse mesmo selo o primeiro EP colaborativo. Techno enérgico e feel-good de pé no acelerador a remeter tanto para as fundações como para a contemporaneidade. Os remixes de Fireground e Black Rave Culture são a cereja no topo do bolo.

Nørbak – Casa [HAYES]

Terceiro álbum no currículo de Nørbak. O mais pessoal até à data. Amostra certeira do cunho próprio deste nome e da sua produção em expoente máximo, escute-se isso nos ritmos ou no design de synths. Um disco que mantém o lado de techno mental enquanto nos dá broken beats e as inspirações bass que o moldaram, como se escuta no exemplo mais claro que é a faixa de dubstep Tarefa, e temas como Amigo, colaboração com Temudo que prevemos ser uma das mais rodadas pelas pistas este ano. Tudo certo.

redoma – santos da minha mente [Biruta]

Por vezes, vemo-nos obrigados a destacar discos de géneros como hip-hop. Já aconteceu com “Miguela”, de Silly, e desta feita é o primeiro álbum da dupla portuense redoma. A razão? É hip-hop, sim, mas também é eletrónica e trip-hop. Disco certeiro que reflete com clareza as mentes inquietas e sinceras de Carolina Viana e Joana Rodrigues.

Temudo – Meteora [Fuse Imprint]

Assim não vale. Temudo lança um disco e ficamos sempre vidrados. Desta vez pelo selo editorial do clube belga Fuse, o produtor torreense continua a embasbacar fãs de techno por todo lado. É que mesmo sendo um claro disco de Temudo, parece que há sempre algo novo a contar. E há. Apertai play, apertai.

Lê também: Temudo: “Fico grato por tudo, mas é fruto de anos e anos de trabalho”

twistedfreak – Música Para Dormir Vol. 5 [Rotten \ Fresh e combustão lenta records]

Gravado ao vivo durante o evento Manta Amniótica em 2023, “Música Para Dormir Vol. 5” é música verdadeiramente hipnagógica. Guiados por twistedfreak, também conhecido por ser membro do Conferência Inferno e por tantas outras aventuras, enveredamos aqui pelo conforto e o desconhecido que a cada momento nos vai abrindo novos caminhos na mente e ajudando a mapear o que queremos ser quando abrirmos os olhos. Qual psicadélico sem espaço para mal-estar.

Vile Karimi, Haizea Huegun – Peach [Colectivo Casa Amarela]

Também este fruto de uma gravação ao vivo, no caso a passagem da dupla pelo Westway LAB, em Guimarães, “Peach” é ternura e refúgio para estes dias. Vile Karimi e Haizea Huegun desenharam um mundo sonhador, onde cordas flutuam, teclas sussurram e gravações se cruzam com o nosso próprio espírito. Um EP de ambient humano que é “curto em duração, mas rico em experimentação e profundidade”, para citar o Colectivo Casa Amarela.

Outros 10 a não perder:
4625kHz – Straight Lines is the Path to a Slow Death [Butterfly Records]
Extrazen – WHAT TO DO WITH YOUR HANDS [Sony]
Fernando Triste – Coisa Nenhuma [Revolve]
Insignio – Lost Keen [Yanked Beats]
Los Thuthanaka – Los Thuthanaka
Rave Child – I Got U [Kokölò]
Sandwell District – End Beginnings [Point of Departure]
TGZ – Long Shape [O Sótão]
Whatever The Weather – Whatever The Weather II
Zé Burnay – Fumigant Drift

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