Lá se foi o verão. A música fica.
DJ 420@ôa – Club Sorrow [Rotten \ Fresh]
Tears in the club. O novo álbum de DJ 420@ôa carrega o nome e o peso da melancolia que se pode sentir numa pista – pela união ou pelo espaço que encontramos para nós mesmos. “Club Sorrow” dança por esta tristeza, sim, mas com esperança. Breaks e ambiências que sabem a abraço, não deixando de parte faixas mais duras. WTVR, dlfx e Violet rematam com remixes à altura. E claro, No Breaks For Fascists. Tudo certo.
Filhos – Vol.2 [Sucata Tapes]
Os Filhos estão de volta. A dupla Bruno Abdala e Guilherme Granado regressa com um ritual de beats repleto de lembranças e invocação, ou não fosse este um “tributo à linhagem e tradição”, nas palavras da editora. Cassete marcada por elementos como samples, sinos a circundarem a cabeça, synths funky, baixos acentuados ou ritmos que relembram os antepassados. Power.
Fluido – Underwater Spiral
Editado de forma independente em versão digital e em cassete, “Underwater Spiral” é o mais recente trabalho de Fluido aka Lelie Amens. Logo à partida, somos puxados para dentro da espiral, submersos num canto de sereia dos vários synths de João Amélio, antes de dançarmos de toda a maneira e mais alguma entre detalhes como as linhas de acid do tema homónimo – e de forma fluida, pois claro. No lado B, exclusivo na edição física, um live act “especial”. Pena já ter esgotado.
Imberbe – Presence [Altamira Records]
O sucessor de “Fantasmas” (2023) soa a verdadeira obra-prima de Imberbe. Após captar field recordings nos Alpes austríacos e em Bregenz, o português João Mineiro, que conta aqui com masterização do incontornável Rashad Becker, inspirou-se no livro “A Shining”, de Jon Fosse, para compor um disco onde tempo e espaço ganham nova forma para quem escuta. Ambient, dub, texturas. Ecos de memória. Refúgio.
MXGPU – Sudden Light [Discotexas]
O primeiro álbum da dupla MXGPU, de Moullinex e GPU Panic, foi “muito feito da experiência que vem do formato ao vivo”, nas palavras da dupla ao Rimas e Batidas. E nota-se. Para ser ouvido sem interrupções, “Sudden Light” é MXGPU e nada mais senão MXGPU, repleto dos beats e melodias a que nos habituaram ao longo dos últimos anos. Com tanto de esperançoso como de nostálgico – shout in the dark e sympton of u são bons exemplos disso –, é um álbum que não se limita ao óbvio – ouça-se find u e o toque drum’n’bass – e no qual se destacam os vários synths usados e a produção irrepreensível.
Petraculto – Eme
Sarar feridas através da música. “Eme” é o trabalho mais pessoal de David Falcão, também conhecido como Cassulle no mundo techno. Entre samples que vão de jogos como The Legend of Zelda a vozes negras como Aretha Franklin e D’Angelo, o álbum dá-nos breaks introspetivos e comoventes, um disco que muitos talvez coloquem nas suas prateleiras de IDM. Como outros trabalhos desta lista, é conforto e música feita para ter bem de perto – e para nos ajudar a sarar, quem sabe.
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Silvestre – Fantasma [Studio Barnhus]
Quem se lembra da letra de Ganzas? Agora, Silvestre canta num dos temas “Ainda não estou sóbrio, mas ainda um dia eu vou estar”. Procura séria. Diferenças à parte, a assinatura própria e inconfundivelmente Silvestre mantém-se em “Fantasma”. A variedade de influências – particularmente de breaks e música bass, mas também há temas introspetivos – e a coesão são as que se esperam de um álbum e deste nome. A genialidade? Também a que se espera de Silvestre.
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Tempo Livre – Terra Nova [turva]
A dupla Luís Neto (da editora turva e do duo AG.R97) e Pedro Tavares (funcionário) estreia-se como Tempo Livre com “Terra Nova”, um disco de “memória, medo e transformação”. Aqui, Neto toca bateria, sintetizadores e assume-se como vocalista, enquanto Tavares fica a cargo de sampler ou sintetizadores e convidados de instrumentos como guitarras, baixo ou nyckelharpa. Entre folk, pop e prog rock, o álbum ergue música eletrónica em que as letras acompanham todo o lado poético e convidativo.
WTVR, 451F – Interferences [Yanked Beats]
Javardeira máxima. No melhor dos sentidos. WTVR e 451F (aka Incendiário) juntos num EP tão louco quanto seria de esperar. Dois nomes do underground por um dos selos mais relevantes dos últimos tempos no que toca à divulgação de footwork e derivados bass em Portugal. Este trabalho é exemplo claro disso: uma receita de experimentação que há de saber bem a qualquer pista que procure estes géneros.
XEXA – Kissom [Príncipe]
Ki som é este? É o afrofuturismo de XEXA bem presente. Fruto das experimentações que foi desenvolvendo ao longo dos anos, “Kissom” é o ponto alto na obra da artista que teve em “Vibrações de Prata” um dos nossos álbuns favoritos de 2023. Bebendo agora de kuduro e batuku, há aqui novos e bem-vindos caminhos que não se havia ouvido no álbum anterior. Há XEXA em todo seu esplendor.
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