Um disco que olha para o universo e para os dias de hoje.
Cinco anos depois de “Quietude”, Vitor Joaquim faz chegar um novo álbum. “Calligraphy” foi editado este mês de modo independente, como habitual nos últimos trabalhos, e é dedicado às “grandes mentes” de Cecilia H. Payne e Carl Sagan.
Vitor Joaquim volta a não estar sozinho, ou não considerasse “o lado colaborativo o que dá sentido a fazer música”, e conta com o trompete de João Silva, com quem partilha agora a dupla SOIL, e o violoncelo de Ulrich Mitzlaff. Ao longo do disco, ouvem-se gravações vindas de vídeos e broadcasts vindos do genocídio em Gaza, vozes do fotojornalista palestiniano Motaz Azaiza ou até Carl Sagan.
Esta é “uma homenagem ao grande Universo em que vivemos e à forma como este inscreveu, de maneira tão caligráfica, a nossa existência na sua própria existência, tornando-nos frutos ocasionais, capazes de rir, chorar, sentir poesia e imaginar o infinito durante breves instantes de respiração temporal”, pode ler-se nas notas oficiais. “Saibamos ou não, sintamos ou não, a verdade é que fazemos parte da caligrafia criada pelo Universo.”
Professor, investigador, aventureiro ligado ao som nas suas diferentes formas. Vitor Joaquim é um dos grandes experimentalistas portugueses, com uma carreira que começa em meados dos anos 80 e passa por várias paragens, como a vida académica ou a produção do EME Festival. E claro: durante estes anos, tem assinado uma vasta discografia que, a solo, inicia-se em 2003, com “La Strada Is On Fire (And We Are All Naked)”, e inclui trabalhos como “Flow”, considerado pela revista Wire um dos grandes discos de 2006.
Com capa assinada por Miguel Carvalhais, “Calligraphy” pode ser encontrado no Bandcamp.
Fotografia por Maria Miguel

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