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Lançamentos favoritos de maio

11 Junho, 2021 - 16:31

Maio já lá vai, mas não o podíamos deixar no esquecimento. Por entre tantos outros, estes foram os 12 lançamentos que não conseguimos parar de ouvir.

Aikanã – Run In The Woods [Kurnugû]

Ainda não chegou a toda a gente no panorama, mas Aikanã é definitivamente um nome em que vale a pena pôr o olho. Este é o seu primeiro EP do mês de maio, sendo que o segundo, “Summoner”, é um lançamento com uma estética semelhante mas nos campos da música techno. Podemos ainda acrescentar que é bastante ativo na comunidade, já participou numa compilação e num podcast da Zodiac Music, e conta também com mixes por aí espalhados. Este é apenas um dos releases do produtor e é uma correria selvagem pelas florestas tropicais da Amazónia – duas faixas de música bem rápida, selvagem e tribal. JF

CZN – Commutator [Lovers & Lollypops/Offen]

Já sabemos o que esperar quando João Pais Filipe se junta a Valentina Magaletti no projeto CZN. Mas desta vez o duo deu as mãos a Leon Marks, sendo este o primeiro lançamento editado como trio. “Commutator”, ao contrário do último trabalho, igualmente excelente, revela-se mais tecnológico e eletrónico, havendo sempre espaço para atmosferas brilhantes, reverbs frescos e introspeção no ouvinte. Autêntico transe. JF

Hung Mung – The Art Of Chaos [Discordian Records]

Diretamente do underground experimental de Barcelona surge o conjunto flexível de música improvisada Hung Mung, desta vez em formato de quarteto, que lança através da Discordian Records uma série de improváveis crossovers musicais em formato de álbum. Há de tudo – paisagens de noise/drone, saxofones que se cruzam com guitarras e sintetizadores modulares e até uma príctara, instrumento eletroacústico de percussão construído por encomenda e que se estreia precisamente neste lançamento. Uma escuta obrigatória para fãs de underground experimental, free jazz e música eletrónica improvisada. DR

Império Pacífico – Flagship [Leitura Tropical]

“Flagship” é o sucessor de “Exílio”, álbum que a dupla de trash CAN e funcionário lançou em 2020 e que foi considerado por nós como um dos álbuns nacionais mais interessantes desse ano. Os Império Pacífico dizem que este é “uma versão full quality” do que queriam para esse primeiro, portanto é fácil perceber por que razão “Flagship” consta destas escolhas. Por aqui há influências que vão do ambient a eletrónica de dança ou até mais contemplativa, rasgos que nos levam até compositores japoneses de bandas-sonoras para videojogos, melodias emotivas, tudo compreendido num trabalho que está simplesmente no ponto. É ouvir e chorar – não só por mais, mas também. DD

KAKAF – Pushing [Alphabet Street]

Nem só de veteranos é feita a nossa lista de lançamentos favoritos do mês de maio. Aliás, a idade pouco importa, o que conta é a música. E no que ao mais importante diz respeito, “Pushing” é redentor. Apadrinhado pela recém-criada Alphabet Street, o curta-duração navega entre o house e o techno, entre o corpo e a mente. As três faixas que o compõem, duas originais e uma reinterpretação, são musculadas e funcionais, ao mesmo tempo que emanam uma certa espiritualidade (bem vincada nas palavras de Nina Simone). Por cá, ficamos deliciados. E muito expectantes em saber o que é que este miúdo nos vai trazer no futuro. NV

Malibu Gas Station – World Wide Dance

Deixem para lá os Metronomys e Hot Chips desta vida por uns tempos – pelo menos durante os 30 minutos deste disco – e apertem play no álbum de estreia de Malibu Gas Station. Formado por amigos portuenses de longa data (David Félix, Diogo Barbosa, João Losa e Vítor Pinto), este quarteto agarra em máquinas, guitarras ou baixos para assinar “World Wide Dance”, um trabalho cujo título já diz tudo. É música pop-eletrónica que tanto dá para dançar como para ouvir a caminho do trabalho, mas sempre com uma certeza: é a prescrição ideal para levantar o espírito. DD

O Culto Do Fogo Negro – Cálice [Noctivagant]

“Cálice” é o álbum de estreia do projeto que junta O Clube da Moca Vermelha, Babalith e Nebullah. Com esta fusão surgiu um trabalho recheado cenários obscuros, e contemplativos, que se encaixam no dark ambient de mãos dadas com a performance teatral e ritual. Podem contar com Diana Consciência na lírica, Eunice Correia e André Consciência nas vozes xamânicas, ritmos e teclas, e Pedro Romão por trás da arquitectura transcendente. E podem contar também com uma peregrinação séria e convidativa. JF

Pedro Goya – Sycamore

Pedro Goya já anda nisto há muito tempo. E, quando dizemos andar, podemos estar a ser demasiado redutores. Com uma discografia tão extensa como o catálogo de uma editora, o setubalense não tem nada a provar. Ainda assim, acabou de assinar um doze polegadas que nos faz viajar em primeira classe até uma pista de dança. Com house, techno ou acid, se não souberes por onde começar – mas vê lá se ouves do início ao fim – vai por nós: a faixa Dun é esclarecedora. NV

Planetary Assault Systems – Say It Loud [Token]

Para o 100º lançamento da sua Token Records, Kr!z convidou Planetary Assault Systems, que nos presenteou com “Say It Loud”, um intenso EP de techno desenhado com tamanha precisão que põe cabeça, tronco e membros a deambularem por uma qualquer pista que se vai formando no nosso imaginário. Não é estranho dizer que Luke Slater é um dos nomes fortes do techno à escala mundial, nem tampouco é estranho ver um dos seus pseudónimos a perfilar numa lista como esta, mas este EP é tão brilhante que a escolha era obrigatória. DD

Rita Silva – Studies Vol. I

O primeiro de vários estudos de síntese de Rita Silva é feito com amor, dedicação e um volca modular. Uma continuação do legado das pioneiras da música eletrónica (e não só), é um lançamento que vale a pena ouvir não só por se tratar do primeiro trabalho que a artista assina em nome próprio, mas também por metade das faixas terem sido produzidas no próprio dia do lançamento. Se isto é o que Rita Silva faz com faixas soltas, 24 horas e um sintetizador algo low-cost, resta-nos esperar pelos próximos estudos, que fazem uso do piano e de um setup substancial de modulares emprestados. DR

Rui Maia – Botany Department [Groovement]

A Groovement Organic Series é uma denominação de origem controlada, é certo. E Rui Maia? Bem, Rui Maia é um verdadeiro artista, e o seu mais recente trabalho é prova disso mesmo. Em “Botany department” trabalhou com sons extraídos de vasos de metal, pedras ou garrafas até edificar oito temas que parecem saídos de um laboratório – tal é a sua magnitude. Ouçam, e se puderem escutem. Às vezes é melhor ir ao fundo e não ao longe. NV

Skee Mask – Pool [Ilian Tape]

Skee Mask na Ilian Tape. É preciso dizer mais? É que tanto um como o outro parecem não falhar. Três anos depois do brilhante “Compro”, o DJ e produtor alemão regressou à editora de Munique – pela qual lança todos os seus discos – com “Pool”, álbum no qual volta a uma miríade de estilos (ambient, breakbeat, techno e não só) que parece recair sobre uma só estética nas suas mãos – a tão peculiar, especial e infalível fórmula de Skee Mask. DD

Textos por Daniel Duque, David Rodrigues, João Freitas e Nuno Vieira

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