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20 EPs nacionais de que gostámos em 2021

13 Janeiro, 2022 - 14:01

Ainda a olhar para 2021, escolhemos 20 EPs nacionais que passam por ambient, techno e muito mais.

Estes não serão, certamente, os melhores EPs nacionais do ano. Mas são 20 EPs de que gostámos de tal forma que não conseguimos evitar que surgissem nesta nova lista, lançada depois das nossas compilações e releases internacionais favoritos.

Por aqui, não faltam trabalhos para todos os gostos e feitios. Há ambient (“Daylight Fireworks”, de Aires, e “Onirologia III”, de Tempura The Purple Boy), house (“Still”, de Yen Sung e Photonz, ou “Promised Land”, de Deebop) e muito techno (“Klockworks 32”, de VIL e Cravo, é um dos mais chamativos, mas há também trabalhos como “Back On Tracks”, de Morrice).

Há mais para ouvir, pois claro, como é caso das inspirações britânicas de Diogo em “Ruff Trax”, a loucura de Ricardo Martins em “Incerteza Absoluta” ou o cada vez mais maduro DJ Lycox em “LYCOXERA”.

Escutem:

Aires – Daylight Fireworks [ZABRA]

Na sua estreia a solo pela ZABRA, Aires assina um EP que assenta como uma luva nestes dias de enclausuramento. Não é “um disco de quarentena”, mas “as emoções presentes” amplificaram-se nesse período, contou o madeirense em entrevista. Por entre estática, arpeggios ou samples de voz distantes mas enternecedores, Aires presenteia-nos com um EP detalhado e airoso que fala sobre “aceitação inevitável da efemeridade, sobre o anseio por algo fugaz que nunca vivemos plenamente, sobre a noção de saudade”. A não perder.

Boris Chimp 504 – Red Quasar

Completados os 10 anos do projeto dos experientes Miguel Neto e Rodrigo Carvalho, o duo decidiu pôr cá para fora o primeiro EP, intitulado de “Red Quasar”, um spin-off do espetáculo audiovisual “Vanishing Quasars”. Este primeiro registo apresenta quatro composições de som e imagem com “a visualização de caminhos orbitais e coordenadas polares” e, pelo caminho do sci-fi e do minimalismo, deparamo-nos com experimentações em compassos 5/2, 7/4, 11/8 e 13/16, todas resultado do convidativo espaço extraterrestre onde reside Boris Chimp 504.

Cravo – INQUIETUDE [ANAØH]

O primeiro EP a solo de Cravo pela mexicana ANAØH é viciante até mais não. Com quatro faixas originais e quatro remixes, “INQUIETUDE” mostra o techno retorcido, complexo e sério do DJ e produtor português. É um EP imperdível e ideal para qualquer fã de techno, especialmente para os que gostam de nomes como Stanislav Tolkachev.

crwdcntrl – butoh [Rotten \ Fresh]

Admitimos que um disco que abre com uma intensa malha techno que conta com um poema de José Régio já é motivo suficiente para integrar esta lista, não fosse essa faixa uma das mais promissoras do ano no que toca a pôr clubes a enlouquecer por completo. A questão é que o vila-realense crwdcntrl não se fica por aí neste “butoh”: trata-se de um EP bem delicioso que enche as medidas de qualquer fã de techno mais duro, obscuro e algo industrial. É um dos lançamentos mais rígidos da Rotten \ Fresh e um dos mais viciantes de techno do ano, não fossem os riffs de faixas como Power Is Not A Means aquilo que precisamos nestes tempos.

DATAHUNTER – Drained Tones of Ecstasy [Collect]

Este EP nasceu de “um conjunto de experiências sonoras únicas” entre a margem sul de Lisboa e o norte da Europa. Foi entre muitos quilómetros que Datahunter encontrou a simplicidade para a aliar à funcionalidade musical. Inspirado em editoras como a Warp ou a Rephlex, o alias de Pedro Andrade flutua entre géneros como electro ou IDM. Combina bem com um final de tarde ou mesmo com qualquer hora do dia, especialmente se fecharmos os olhos.

Deebop – Promised Land [Piston Recordings]

Eduardo Vaz é um DJ e produtor altamente prolífico. Desde Vila Nova de Famalicão, lança trabalhos techno enquanto Edward Bei ou, entre outros, house e deep house enquanto Deebop. Foi com este último pseudónimo que assinou “Promised Land”, pela Piston Recordings, um EP de três faixas muito bem conseguidas. É um trabalho que respeita as fórmulas clássicas, mas que tem um cunho pessoal e frescura que fazem deste EP um dos nossos favoritos de 2021.

Diogo – Ruff Trax [Extended Records]

Depois de se despedir de 2020 com “Matters Of Trust”, Diogo entregou-nos “música de dança-fusão com eficácia” para qualquer pista. A evocar o universo noturno e toda a saudade que lá habita, “Ruff Trax” trata-se de música para ouvir quer de pijama (a dançar!), quer num clube escuro e suado. Entre o “rugido explosivo da 808” e a “nostalgia por fragmentos passados e inatingíveis”, esta montanha-russa localizada no jungle e drum’n’bass do Reino Unido tem um pé noutras influências, como acid, e está a chamar por ti.

DJ Lycox – Lycoxera [Príncipe]

Este é um 12’’ que revela o quanto este DJ e produtor tem crescido. Afinal, estamos a falar de Ivan Martins, um nome que aos 16 anos já assinava trabalhos por esta label e que no ano passado editou um dos nossos favoritos de 2020, “Kizas do Ly”. Ao contrário desse disco, no entanto, “LYCOXERA” larga o lado mais romântico (pelo menos na maioria dos temas) e presenteia-nos com uma autêntica e incrível festa de seis faixas (sete na versão digital) que não deixa ninguém arredar o pé, tal são os diferentes ritmos e detalhes escrupulosamente trabalhados para nos fazer dançar. Uma autêntica bomba.

DJ Spielberg – Carregada/Calibrada [No, She Doesn’t]

Atenção: A escuta deste EP pode causar efeitos severos de nostalgia e/ou desejo de regresso ao suadouro de pista. Nunca a No She Doesn’t havia apostado numa sonoridade rave de forma tão declarada. “Carregada/Calibrada” é um EP fortíssimo, com entrada direta para a já vasta tombola de trabalhos nacionais dignos de lugar de destaque no pódio. São quatro armas robustas, apontadas diretamente à pista, prontas a ser usadas no regresso definitivo aos clubes. Falta muito?

KAKAF – Pushing [Alphabet Street]

Nem só de veteranos é feita esta lista. Aliás, a idade pouco importa, o que conta é a música. E no que ao mais importante diz respeito, “Pushing” é redentor. Apadrinhado pela recém-criada Alphabet Street, o curta-duração navega entre o house e o techno, entre o corpo e a mente. As três faixas que o compõem, duas originais e uma reinterpretação, são musculadas e funcionais, ao mesmo tempo que emanam uma certa espiritualidade (bem vincada nas palavras de Nina Simone). Por cá, ficamos deliciados. E muito expectantes em saber o que é que este miúdo nos vai trazer no futuro.

Kara Konchar – Estige [Regulator Records]

Obscuro mas com raios de luz a iluminarem o ouvinte, “Estige” é um dos trabalhos mais convidativos do ano – basta apertar play para perceber porquê. Enquanto Kara Konchar, Miguel Béco até pode passar despercebido para a maioria, mas os mais atentos não deixam escapar a minúcia sónica que foi trabalhada para trazer um disco que, mais do que nos agarrar com percussões ou melodias bem desenhadas, nos agarra pela coerência que apresenta do início ao fim. Simplesmente delicioso.

Luhk – Em Casa [Carpet & Snares]

O título deste disco é algo paradoxal. Remete para a ideia de ficar “Em Casa”, mas está repleto de música de dança que nos dá vontade de ir até à pista mais próxima o mais rapidamente possível. Não acreditam? Ouçam desde já Reminiscência Do Trance e digam-nos se não concordam. Envolvido em ritmos viciantes e modulações melódicas brilhantemente conseguidas, este é um vinil que não pode escapar às bagagens da tropa romena do minimal ou até de nomes como Ricardo Villalobos. E à nossa estante também não, claro.

Morrice – Back On Tracks [Paraíso]

Um dos pioneiros da música techno no norte editou este EP pela Paraíso. Entre as seis faixas presentes no “Back On Tracks” podemos encontrar arpejadores rústicos, linhas bem ácidas, um toque old school bem notável com um sabor raw e fresh do techno dos anos 90. Para além das faixas a solo, é possível encontrarmos ainda uma remistura da DJ e produtora lisboeta Violet, que remata da melhor forma este aguardado disco de Morrice aka Fauvrelle.

Ricardo Martins – Incerteza Absoluta [Revolve]

Baterista de Lobster e Cangarra, trata dos ritmos por de trás dos Pop Dell’Arte, Jibóia, Papaya, ALGUMACENA, Deriva, Silvar, Fumo Ninja e no sexteto Chão Maior. O seu currículo musical estende-se e não nos esquecemos dos lançamentos a solo. No mês de junho foi lançado “Incerteza Absoluta” – composto por duas faixas completamente espaciais, são cerca de 24 minutos de experimentação, tecnologia e ritmo. Admitimos um certo carinho por um lançamento como este onde a bateria se funde com a eletrónica, abrindo portas a um novo caminho. Escolha obrigatória.

Shcuro – Echoplexia [naive]

O primeiro lançamento do ano de João Ervedosa marca também a sua estreia a solo pela naive. A label lisboeta recebe “Echoplexia”, um EP com tendências de electro ou breaks, mas bem techno, que é acompanhado por quatro faixas originais, uma delas em colaboração com Maria Amor, e dois remixes, assinados por Violet e Ilana Bryne. Shcuro não é uma cara estranha à editora – atua por lá como designer – e esta adição ao catálogo da naive é certeira, como podes evidenciar acima.

Tempura The Purple Boy – Onirologia III [Panama Papers]

Viajante assíduo nos meandros do downtempo, Tempura The Purple Boy tem vindo a explorar o ambient como ponto de contacto entre mundos, em memória a Leonardo Adário. Nesta terceira parte de “Onirologia”, flutuamos pela dimensão sónica do etéreo a partir de “pads infinitos” e “melodias esparsas”, que se interligam entre si para sussurrar o epílogo alumiado de uma vida. Imersos em nostalgia, ouvimos o sonho e conseguimos tocar-lhe, numa leveza que entra corpo adentro e nos diz: It’s OK to spread your wings.

Temudo – Klockworks 31 [Klockworks]

Profundamente tecnológico e com uma cuidada atenção aos detalhes, João Rodrigues assinou o 31º lançamento da Klockworks, na qual se estreou com este EP – e de que maneira. O segundo português a assinar pela label de Ben Klock, Temudo mostra com precisão a sua tão particular abordagem no techno ao longo de quatro faixas. Ouve do início ao fim e diz-nos se te consegues manter estático física e mentalmente.

VIL & Cravo – Klockworks 32 [Klockworks]

Se calhar somos suspeitos por estarmos deliciados com mais uma estreia nacional na label de Ben Klock, mas a verdade é que “Klockworks 32” parece ser do melhor techno que se fez pelo mundo em 2021. VIL e CRAVO, autênticas certezas dentro de portas que têm mostrado cada vez mais esse talento lá fora, assinam aqui três faixas rápidas que são modernas, sim, mas que também têm um quê de anos 90. Não tenham dúvidas: os clubes precisam deste techno acelerado e meticulosamente produzido para fazer vibrar.

Violet – Sickle And Hammer [Alphabet Street]

Num momento em que é urgente levantar a voz, Violet lança um EP que nos remete diretamente para a foice e o martelo, símbolos tipicamente associados ao comunismo. E mais do que uma afirmação sem rodeios, “Sickle And Hammer” é também um trabalho em que a lisboeta Inês Coutinho se volta a afirmar como uma produtora que não tem medo de fazer o que bem lhe apetece. Já a ouvimos pelo ambient ou pelos breaks, mas por aqui há uma vertente mais techno, provavelmente inspirada em diferentes eras deste e de outros géneros. E sim, este é para pôr a tocar por essas festas fora.

Yen Sung & Photonz – Still [Alphabet Street]

É um single, mas é uma das faixas nacionais do ano. Still foi o trabalho com que Yen Sung e Photonz inauguraram a sua nova label, Alphabet Street, e é tudo aquilo que se espera de dois nomes fortes a colaborar. Desde o sintetizador nostálgico ao sample de voz irrepreensível, a passar pelos ritmos viciantes, este é um tema house que não pode escapar aos ouvidos de ninguém.

Alguns dos textos aqui presentes foram resgatados das nossas escolhas mensais

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