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Lançamentos favoritos de junho

7 Julho, 2022 - 19:32

De Aguila a Trypas Corassão.

Aguila – Loft Traxx [all my thoughts]

Desde promotor de Loft parties a DJ, produtor e dono da editora The People’s Bureau of Ignorance, Aguila é um exemplo da cultura DIY e um nome a ter em consideração na cena de Chicago. E após vários lançamentos em nome próprio, Lázaro Aguilar chamou a atenção de editoras como a Lobster Theremin e esta All My Thoughts, de Seb Wildblood, à qual regressa com um dos seus trabalhos mais fortes até à data. Neste “Loft Traxx”, aconselhamos a smothness presente no deep house de Morning Slide, o breakbeat house efusivo de Zenith’s Groove e ainda a melodia super catchy de Jaq, que nos faz esboçar um sorriso involuntário à primeira batida. RC

DJ Danifox – Dia Não Mata Dia [Príncipe]

Da trupe normalmente associada à Príncipe, DJ Danifox é um dos nomes que mais tem crescido e mostrado maturidade nas produções. Ouça-se o single Moça, por exemplo, feito ao lado de DJ ADAMM, ou até Dark Hope, tema que integra a compilação “Verão Dark Hope”, para perceber o quão própria e reconfortante é a música deste nome. O novo “Dia Não Mata Dia” é mais uma confirmação: os baixos vincados, as percussões contaminantes, as melodias apaixonantes ou o uso da voz são algumas das ferramentas que Danifox manuseia com toda a precisão e perfeição. Dancemos e vibremos, irmãs. DD

Fado Bicha – Ocupação

“OCUPAÇÃO é o álbum possível. Desde as autorizações que não obtivemos para gravar vários dos fados que vínhamos cantando desde o início do projecto até às limitações de tempo e logísticas e às canções que não conseguimos terminar ou que acabámos por achar que não estavam ainda suficientemente boas ou não encaixavam”, disse Lila Fadista em entrevista ao Rimas e Batidas.

E, ainda assim, “OCUPAÇÃO” é dos discos mais bonitos que ouvimos em tempos e anos recentes. Produzido inteiramente por Luís Clara Gomes (Moullinex) e com participações de nomes como Labaq ou Trypas Corassão, o álbum tem o fado (e o âmago deste, pois claro) como elemento primordial, mas é muito mais do que isso. “OCUPAÇÃO” é um cântico queer brilhante, formativo, emotivo. Quem não chora com 1997? Quem não tem coração, talvez. E aqui, neste disco, há muito coração. DD

Field Of Mist – Illuminated60 [Ilian Tape]

“Illuminated” é o novo album de Fields Of Mist e chega pela Ilian Tape, que nos tem apresentado um espaço muito cuidado para música instrumental como esta. Nestas 12 faixas podemo-nos sentar no sofá e apreciar as paisagens lo-fi, com baterias carregadas de distorção e crunchyness. O virtuoso da MPC60 leva-nos a lugares que não sabíamos que queríamos visitar. O bilhete de ida é suficiente, venham connosco. JF

Ido Plumes – Balancing E.P. [Livity Sound]

A Livity Sound sempre que dá cartas é da melhor forma e sempre carregada de baixas frequências. Neste EP de estreia do artista residente em Bristol Ido Plumes, as narrativas não são lineares, há microfunk e wobbles massivos e uma abordagem psicadélica do artista bastante única — para muitos, com certeza, esquisita. Que este não passe despercebido a ninguém. JF

Kangding Ray – Ultrachroma [ara]

Sempre olhamos para Kangding Ray como um cientista que investiga as mais minuciosas poções para nos entregar eletrónica séria e rica. Um alquimista até, e “Ultrachroma” parece ser a prova mais viva do quão exímio é David Letellier. Altamente leftfield, este disco guia-nos por um mundo de baixos exemplarmente desenhados, arpeggios vibrantes, um verdadeiro cosmos de psicadelia viciante que exige os melhores fones para apreciar o trabalho com precisão. “Ultrachroma” é para fãs de IDM, de breaks, de techno. É para fãs de eletrónica. DD

Ngoni Egan – Re Teng [United Identities]

Em “Re Teng”, o techno abraça o eletro e o produtor irlandês evoca as raízes rítmicas do Botswana, de onde a sua família é proveniente, para dar um cunho mais próprio ao trabalho. Escuta Phase 2, um techno onde a linha de acid estimulante sob atmosfera lo-fi nos acaricia os tímpanos, enquanto o pé bate efusivamente. Fica atento/a também aos twists rítmicos de Gaborone West Groove e Difacane, que nos levam numa viagem techno daquelas que fazemos questão em nos perder. Em suma, se procuras um EP pleno de bangers, ei-lo. RC

Oake – 47029 [47]

A editora de Tommy Four Seven tem esta peculiaridade – música diferente, densa e repleta de texturas. Este é um EP de remixes sobre a faixa de Oake Paysage Dépaysé. Apontam-se nomes como Killawatt, Lemna e Quelza, que têm chamado a particular atenção nos últimos tempos Dubstep, experimental e muito mais, são quatro faixas contemplativas que se podem encaixar em qualquer hora da noite – ou do dia, claro. JF

Osutin – Bass Go [Teethy]

Como diria um velho sábio que uma vez encontrei na pista: “que jarda, moço!”. E este EP está cheio delas. Dinâmico, energético, pesado mas divertido. Back To é o ex-líbris, com o seu electro pausado de kick bem definido, claps, vocal “loopado” e uma linha acid agregadora que promete furor. Mas não descartem as restantes, sobretudo a portentosa Other Planet. Desconhecíamos este produtor do Arizona, mas depois destas bombas, não há como não o manter debaixo de olho. RC

Perfume Genius – Ugly Season [Matador Records]

Não há palavras que possam descrever este “Ugly Season” de forma tão breve, especialmente num meio como este, que procura pequenos espaços de tempo para poder servir os leitores. Mas o génio artístico de Perfume Genius está mais forte do que nunca neste disco. É um álbum que recorre a movimentos tão díspares quanto música clássica ou música reggae, um trabalho que usa elementos tão distintos, sim, mas que se unem todos numa fusão tão natural e arrepiante que obriga o ouvinte a ouvir “Ugly Season” vezes sem conta e do início ao fim. Brilhante.

The Fear Ratio – Slinky [Tresor]

Juntar Mark Broom e James Ruskin já nos deixa de ouvidos e olhos abertos, quanto mais quando se trata de um disco destes. O duo inglês apresenta-nos um álbum, com selo da Tresor, que circula entre breakbeat, IDM, beats e halftempo, mas bem longe de ser facilmente categorizado. Em “Slinky” há 12 faixas, todas elas impressionantes, com luzes cintilantes e experiências sónicas obrigatórias. Podíamos continuar a contemplação, mas apertem vocês no play. JF

Trypas Corassão – Beleza Como Vingança [naive/Mamba Rec]

“Beleza Como Vingança” é o primeiro álbum de Trypas Corassão e é um disco que se destaca pela multiplicidade sónica que apresenta e que é, mesmo repleta de ingredientes, uma amálgama única de sabores bem apurados. Por aqui há música de clube, experimental ou brega, música interventiva ou música que recolhe inspiração de outros (ouça-se os toques de Gypsy Woman (She’s Homeless) em Viciada em Vc), mas acima de tudo música honesta. Um cântico pela verdadeira liberação, “Beleza Como Vingança” oferece vozes e letras com um papel-central e merece um lugar de destaque neste mês e principalmente neste ano. DD

Textos por Daniel Duque, João Freitas e Rui Castro

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