AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

Sota e Bapetismo “navegam sensibilidades oníricas” em “Senhora dos Prazeres”

17 Dezembro, 2024 - 13:16

Um disco que nasce a partir de gravações em Marrocos e Noruega e da vontade que Sota e Bapetismo tinham em trabalhar em conjunto.

Guilherme Sota e Gonçalo Baptista (Bapetismo) somam muitos anos “de partilha e convivência” e a “primeira colaboração oficial” chegou em outubro. Lançado pela Vertigo, de que a dupla faz parte ao lado de outros artistas, “Senhora dos Prazeres” partiu da vontade de produzir um disco, algo que “já flutuava entre ambos há bastante tempo”, contam à A Cabine.

“No seguimento de várias viagens a Marrocos e à Noruega, e juntamente com o material sonoro que já vínhamos acumulando, demos por nós com uma biblioteca tal de found sounds e field recordings, que tudo o resto veio por arrasto”, recordam.

“Foi um processo extremamente cumulativo, no qual o álbum se foi construindo quase às camadas, sem início nem fim. As próprias faixas foram-se encavalitando umas nas outras e partilham muito da matéria prima prática e conceptual”, continuam. “Neste sentido, para nós o disco nunca foi estruturado em faixas, mas como uma experiência una. Aliás, o disco acaba por ser dividido em faixas muito depois de estar praticamente terminado.”

O resultado é “um disco que procura navegar sensibilidades assumidamente oníricas, sempre num qualquer limiar entre a corporalidade agressiva – quase primitiva – e a espiritualidade sedutora”, sendo ambas consideradas pelos próprios como “polos da experiência humana.” Pode ser descrito como um trabalho experimental que navega pelas referidas gravações de campo, sim, mas também por breaks, techno e até o lado poético de On Seduction.

Apesar do que “Senhora dos Prazeres” representa, o trabalho de Sota e Bapetismo vai além do que se ouve aqui, tanto que já haviam “colaborado na sonorização de uma instalação do primeiro, ‘The Way of All Flesh’”. Como nos dizem, aliás, “muito do que foi a abordagem estética ao disco acaba por ecoar sentidos que já tinham vindo a explorar.”

Guilherme Sota é DJ e artista multidisciplinar formado em pintura que “dedica a prática à investigação da condição pós-moderna e dos seus sintomas, nomeadamente no que toca a assuntos como a mortalidade, a sexualidade, o tempo e o corpo”, nas palavras do próprio. Já Gonçalo Baptista, que integra também o coletivo Sarilho e que trabalha profissionalmente como técnico audiovisual, diz que “o âmbito do seu trabalho dista da banda sonora assumidamente programática ao mundo da Sound Art, com passagem obrigatória pelas sonoridades mais clubby” e pela “reciclagem de sons”.

Embora o trabalho tenha saído pela Vertigo, esta não é vista como uma discográfica pelos dois membros. Este é um grupo de artistas que “trabalha sobre as intersecções entre arte e rave com o fim de ocupar, transformar e apresentar espaços rizomáticos de interação híbrida, nos quais Corpo, Pulsão e Identidade se unem vertiginosamente como arma de Libertação individual e coletiva.”

Depois de dois anos de eventos privados, a Vertigo tem aberto as portas e isso “culminou em dois eventos híbridos aliados a uma exposição em Aveiro e dois eventos híbridos em Coimbra.” Em setembro passado, por exemplo, o coletivo esteve a cargo dos visuais de uma Ácida, no Porto.

Em breve, a dupla lança no Bandcamp “o álbum par do ‘Senhora dos Prazeres’, uma coletânea de alguns dos sons do arquivo que marcaram a estética do disco, e ele mesmo um arquivo livre para uso e abuso de todos.”


Ligação para Bandcamp aqui

Fotografias por David Pessegueiro

relacionados

Deixa um comentário







t

o

p