Em entrevista, Nørbak fala sobre o novo álbum, o passado ligado à bass music e o caminho que tem percorrido até aqui.
Parte de uma geração nascida nos anos 90 teve o primeiro contacto com a eletrónica de dança por meio da bass music e de fenómenos como brostep e Skrillex. Nørbak é um desses casos. Se outrora teve alguma vergonha em admiti-lo, hoje está longe de renegar essa origem. O novo álbum, editado pela sua HAYES em março, surge da vontade de juntar techno a mundos como o do dubstep.
“Casa” é também resultado das várias inspirações que foi tendo ao longo dos últimos anos, como é caso do festival neerlandês Draaimolen. Marcado por 10 faixas (oito na edição em disco de vinil), o álbum é uma demonstração evidente desse desejo de fusão. Por entre temas mais quebrados ou outros cuja assinatura techno de Nørbak é clara, há, por exemplo, o dubstep de Tarefa ou Compasso, sendo esta a que mais revela a mistura dos dois universos, nas palavras do próprio.
Desde a última entrevista com A Cabine, Artur Moreira começou a tocar em muitos mais países e a acabar muito mais música. Sempre de pés assentes na terra e com a oratória serena que lhe é habitual, fala-nos agora sobre os últimos anos, projetos para os próximos tempos, receios e claro, entre outros tópicos, o álbum “Casa”.
A última vez que falámos foi em 2021, isto na altura do “Flesh to Ashes”. O que mudou na tua vida desde então? Acredito que muita coisa.
Profissionalmente, como produtor, ganhei bem mais experiência. Acabei muito mais música. Um ritmo mais elevado. E comecei a tocar mais, e com isto comecei também a testar mais a minha música. Ver o que é que eu precisava fazer na minha música para soar um bocadinho melhor em certas situações. Comecei a entender melhor a minha própria música ao tocar mais. Isso fez-me crescer imenso tecnicamente. Esteticamente, também comecei a ouvir mais coisas. Nesse período de tempo, no que toca eletrónica, eu focava-me um bocadinho mais em techno. Desde então, comecei a ouvir um bocadinho de tudo – já ouvia, mas comecei mais intensivamente a ouvir de tudo.
E se calhar com outros ouvidos.
Exatamente. Mais na cena de também ouvir um bocadinho de outros géneros. Em vez de consumir só como fã, passei a ouvir para tentar entender como é que funcionam e as regras que têm para também poder aplicar o que eu faço. Um bocadinho por aí.
Neste período passaste por Berghain, Nova Iorque… Deve ser altamente enriquecedor para ti.
É. Conhecer as pessoas de vários sítios, perceber como é que os públicos mudam e falar de música, no geral, com pessoas dos outros lados do mundo é muito bom. Também tive o prazer de ir à China pela primeira vez. Nunca tinha ido lá. Também fiz outros países da América do Sul, como Argentina ou Brasil, e foram todos uma experiência muito enriquecedora.
Pois. Mesmo o convívio com essas pessoas deve inspirar.
Inspira muito. Inspira muito porque, repara, antes de eu começar a tocar desta forma, eu vivia um bocadinho dentro de um círculo, não é? Que era a falar com os meus colegas produtores. Produzimos mais ou menos o mesmo estilo de música e acabas por falar mais daquilo. Entretanto, conhecendo imensas pessoas, as pessoas acabam por mostrar-te música também. E não só. Falar com elas sobre as suas experiências inspira imenso.
Na altura da tal entrevista – e acredito que ainda penses um bocado assim, mas talvez de forma diferente – falavas sobre a instabilidade de pensar em ser artista a 100% ou de tomar isso como garantido. Será que essa opinião mudou de alguma maneira? Já tens mais fé nessa possibilidade ou continuas também com essa visão?
Eu faço o meu trabalho o tempo inteiro felizmente. E já na altura fazia. Tudo que eu faço está sempre ligado à música. Mesmo que não seja tocar ou lançar música, como outra opção tenho também a questão de dar aulas – e já na altura dava.
Ainda vivo nesse medo de não poder ser muito viável devido até à natureza instável disto da música. Eu dependo das propostas das outras pessoas para poder ter trabalho, não dependo a 100% de mim, e isso cria um bocado este medo de me questionar se vou estar aqui daqui a 10 ou 20 anos. Por isso admira-me imenso quando olho para carreiras de Jeff Mills, Regis, Oscar Mulero, Luke Slater, malta que já está a caminhar para os 60 – ou nos 60 já – e conseguiu fazer a carreira desde os 20. É uma coisa surreal. Estão aqui há 40 anos ou uma coisa assim. Espero conseguir fazer isso e vou trabalhar para isso.
Outra coisa em que tens trabalhado é a tua própria editora NRBK.
É assim, o fluxo de trabalho é bem menor do que com a HAYES. Eu não edito com tanta frequência lá. Mas sim, por acaso este ano quero e já tenho planeado mais lançamentos. Em 2025, a editora vai estar bastante ativa a partir de junho até ao final do ano. Mas o meu foco principal há de ser sempre a HAYES. A minha editora é, maioritariamente, para lançar as minhas coisas e para dar oportunidade a artistas up-and-coming que estejam perto de mim – artistas com que já falei pessoalmente, que já privei. É para dar uma plataforma a esse tipo de artistas. Mas o meu foco há de ser sempre a HAYES.
Antes de ir ao álbum, qual achas que foi, ao longo destes últimos anos, a cena que te mais surpreendeu na tua carreira?
Tocar com tanta frequência no Berghain, como tenho tocado neste último ano. Nunca esperei que isso fosse acontecer. E eu sabia que eventualmente eu ia tocar lá, não é? Quando trabalhas, és consistente e te manténs ocupado, acontece. Qualquer artista consegue ir lá. Agora, eu não estava nada à espera que eles me fossem chamar com esta frequência. E sinto-me bastante grato por isso. Também tocar em clubes como o Basement, em Nova Iorque, ou finalmente tocar no Awakenings. Todos nós que começámos a ouvir música eletrónica, mais especificamente techno, víamos aqueles vídeos do Awakenings, muitos artistas a tocar lá. Poder finalmente tocar lá é uma experiência muito boa.
Acho que és uma pessoa com pés e cabeça, mas como é que foste lidando com as tuas expectativas ou incertezas?
Incerteza eu tenho sempre. E é que tenho mesmo. Às vezes pensam que eu digo isto só para parecer bem ou para parecer que sou humilde e com pés na terra, mas eu tenho sempre uma incerteza enorme quanto ao meu trabalho. Tive momentos em que estava um bocado preocupado em como é que iam ser os próximos meses porque há meses em que tens 10 datas e há outros em que só tens uma, duas ou três datas. E uma pessoa, nesses casos, começa a questionar-se.
É um bocadinho aquela vida de freelancer. Se for preciso mesmo um fotógrafo, ou assim, também tem um bocado essa incerteza.
Completamente. Eu por acaso gosto de falar disso com várias pessoas não ligadas à música. Por exemplo, já falei disso com uma massagista, com um cabeleireiro, com um fotógrafo. Pessoas que são freelancers e têm trabalho por demanda. Acho que todas as pessoas que têm este tipo de trabalho vivem constantemente neste medo de, se houver um mês mau, pensar se já acabou, se já deu o que tinha dar.
É um bocadinho chato, é a parte má do meu trabalho. Gostava que fosse uma coisa… Não pedia muito, mas que se calhar fosse quatro datas para sempre [risos] em vez de ter alguns meses com poucas e outros com muitas. Seria um descanso enorme. Mas sim, é continuar a trabalhar. Fazer música é o que muitas vezes me ajuda a desligar um bocadinho desses pensamentos mais negativos. Fazer música está sempre lá. É a sorte que eu sinto: pelo menos a parte de fazer música está nas minhas mãos, posso sempre fazer música e depende completamente de mim. E isso é bom sentir.
Alguma coisa que gostarias de ter sabido no início? A brincar a brincar, mesmo sendo novo, já andas aqui há muito tempo.
Talvez para ter mais calma às vezes. Lá está, ligado ao que acabei de dizer, ter mais calma. Não achar que preciso de ter tudo já. Não achar que é o fim do mundo por estar a ter um mês mau ou por não estar a conseguir alcançar algum objetivo, como lançar em x editora. Não stressar. Continuar a focar mais no estúdio em vez do que está à volta do estúdio. Acho que seria o que diria ao Artur mais novo.
Voltemo-nos para o “Casa”. Obviamente que, sendo um álbum, exige muito mais tempo, atenção. E de facto é um disco com cenas diferentes. Se tivesses que resumir, como é que o farias?
De certa forma, é a ligação entre o início da minha viagem pela música eletrónica com os anos mais recentes. Eu comecei a ouvir bass music, assim drum’n’bass, dubstep – na altura até era aquele brostep [risos]. Comecei muito nisso e quis ligar esse mundo assim mais dubstep, bass, com a cena techno mais minimalista, que é o mundo dos últimos anos. Era uma ideia que eu já estava a conceptualizar há algum tempo, mas sentia que ainda não tinha as skills para o fazer. Ainda não conseguia bem, tecnicamente, fazer essa junção.
A certo momento, há um ano e meio, uma coisa assim, comecei a trabalhar mais e de forma mais focada em tentar fazer essa junção acontecer. E foi aí que começaram a sair as primeiras ideias para o álbum. Creio que a primeira faixa que eu terminei deve ter sido a Rosna, se não me engano, e foi a partir daí que começou tudo a ligar. Quis logo chamar o Temudo e o Quelza para trabalharem comigo e foi assim que se começou tudo a juntar. De alguma forma estranha, fez tudo sentido esteticamente [risos].
É incrível ouvir ali aquela faixa dubstep. E tu tocaste também tocaste Mala no Boiler Room. Depois, lá está, mesmo havendo faixas que não sejam necessariamente dubstep ou bass music, há cenas broken beat – não sei se é a Sinal que tem uma onda mais breaky. Ou seja, foi mesmo tua intenção ligar tudo a esse teu passado e a essas tuas primeiras experiências.
Sim, quis mesmo juntar as duas coisas ali. E este álbum também existe por existir um festival chamado Draaimolen. Fui a esse festival com a minha namorada há dois anos, creio, porque tinham anunciado um back-to-back de Skrillex com Blawan e eu achei aquilo histórico. Todo o festival abraça muito essa estética de misturar bass music com techno. Fui os dois dias, estive lá há imenso tempo e isso inspirou-me muito. E foi a partir daí que também eu acreditei “bem, é possível juntar os dois mundos”. Não é uma coisa assim tão distante, como eu achei durante anos. Eu tinha quase vergonha de dizer que vinha da bass music ou que gostava de Skrillex. Tinha quase vergonha de dizer essas coisas em voz alta [risos]. E esse festival fez-me aceitar que, sim, não há mal nenhum em juntar os dois mundos.
O título “Casa” vai um bocado ter ao encontro disso que estás a dizer, no sentido de ser uma cena tua?
Os meus títulos nunca têm um significado por trás. Eu gosto da palavra, gosto do som da palavra e fica ali. Não têm assim uma ligação. No fundo, eu gostava de ter [risos], mas não.
Que discurso é que se ouve ali no fim?
Numa daquelas insónias em que estamos no YouTube a ouvir as coisas mais aleatórias de sempre, descobri um canal que tinha discursos motivacionais, coisas assim do género. Aquele em particular mexeu comigo porque ouvi aquilo numa altura em que fez bem ouvi-lo. Senti que, bem, poderia usar isto por achar que gostava que me tivessem dito isto a mim há uns anos.
Nós falámos da bass music, mas tu também já te envolveste no ambient e na música experimental. Vais um bocado a isso na primeira e última faixa.
Sim. É uma coisa que quero explorar mais daqui para a frente. Até estou a trabalhar um projeto que gostava de editar, provavelmente no próximo ano, que é de trabalhar com músicas e misturar o ambient com instrumentos, banda e assim. Quero trabalhar nisso. Ainda estou a trabalhar, não sei se o resultado final será do agrado de toda a gente, mas gostava de tentar isso pelo menos.
Se tivesses que dizer só uma faixa do “Casa” que representasse o disco e a ti próprio, qual é que achas que seria?
A Compasso. A explicação é o contexto que eu te dei: a mistura dos dois mundos, do Draaimolen, de tentar juntar o passado com o presente. Acho que tudo se resume a essa faixa. Tem aquele driving techno, tem 909 mais básicos que já ouvimos, na parte dos sintetizadores aqueles synths mais bassy, dubstep e neurofunk de alguma forma. Junta as duas coisas e é por isso que é a minha escolha.
Já falaste do Quelza e do Temudo. No caso do Quelza, tens tocado muito com ele; no do Temudo, umas quantas produções. Pergunto porque é que foram estas duas pessoas que chamaste e de que forma é que estas duas pessoas te enriquecem enquanto artista e produtor?
São os dois produtores que eu mais admiro hoje em dia. Acho que, tecnicamente, têm skills e uma dedicação inigualável. Eles são mesmo diferentes do resto dos artistas que eu já conheci. São artistas especiais e eu sinto-me muito grato por ser amigo deles, por ser amigo próximo deles, e por ver um bocadinho do trabalho deles para me inspirar a mim no dia-a-dia. Como é óbvio, lançar um álbum é uma celebração da carreira como produtor, não é? E eu, numa celebração destas, queria mesmo chamar as pessoas de que gosto. Foi uma ideia que, por acaso, sempre teve de mão dada com a ideia do álbum no início.
Felizmente eles aceitaram e o processo todo foi muito fácil. Devem ter sido as tracks que foram feitas de forma mais rápida. Foi super rápido e super fácil. Porque, lá está, estávamos alinhados esteticamente e eles trabalham rápido e de forma eficaz, respeitando o tempo de toda a gente, e isso é ótimo. E são apaixonados pela música. Isso vê-se quando trabalhas com alguém que é apaixonado pela música, tu percebes logo isso. Não são pessoas que se estão a vadiar ou a arranjar desculpas. Quem é apaixonado faz acontecer porque gosta de fazer música. E se a música não tivesse que sair, não saía também. Não era obrigatório ter que sair. Mas o próprio exercício é a parte mais interessante. O resultado ter sido bom é só uma consequência de um exercício livre.
Suponho que tu tenhas vindo a tocar muito com o Quelza precisamente por se sentirem confortáveis um com o outro na cabine.
Certo, certo. Eu já toquei com muita gente na cabine, mas com ele a ligação é diferente. Nós entendemo-nos muito bem. Ele especializa-se mais numa certa parte, eu noutra, acho eu. Não somos exatamente iguais, acho que isso também não seria o ideal, mas complementámo-nos muito bem. E uma coisa que eu admiro muito no Quelza é a maturidade de ele perceber o espaço que eu preciso para fazer a minha parte. E eu também sinto que tenho isso com ele. E acho que isso é o segredo para um bom resultado. Mas nem sempre corre bem, não é? Como tudo. Na maior parte das vezes, nós tivemos ali uma ligação muito boa.
E mesmo a tua sinergia com o Temudo a produzir também é uma cena especial. Mesmo enquanto ouvinte. E no outro dia, ouvi o David Rodrigues a tocar a Amigo e digo-te que, nos primeiros segundos, estava na dúvida se era Nørbak ou Temudo até me inteirar de que era a Amigo. Como é que vês essa sinergia com ele na produção?
Excluindo pessoas com quem estou pessoalmente, o Temudo é provavelmente a pessoa com quem eu falo mais no dia-a-dia. E muitas vezes falamos de música e temos uma editora em conjunto, ou seja, nós entendemos muito bem o gosto estético um do outro, de música eletrónica e não só. Nós partilhamos técnicas que descobrimos ou acabamos uma faixa e enviamos logo um ao outro. Ou seja, nós vamo-nos conhecendo muito bem com este back and forth de partilha. Lá está, nem sempre corre bem, já tivemos tentativas falhadas, tal como disse com o Quelza, mas quando corre bem é bom, a sensação é boa. Sentimos que está ali um pedaço de ambos. E não é uma coisa que vai ir muito para um lado ou muito para o outro, está ali um bocado de nós os dois. E a faixa Amigo é um bom exemplo disso, está ali 50% de cada.
Já tocaste live nos inícios, pelo menos ambient e assim. Agora, tens voltado apostar nesse formato. Muita gente começa a apostar nisso mais como uma espécie de desafio, mas, no teu caso, porque voltaste a essa aposta?
Eu comecei a apostar neste formato porque descobri a existência do Push. Para que não conhece, o Push é basicamente o Ableton todo numa só máquina, num só pedaço de hardware. Esse conceito fascinou-me – eu não preciso de um computador, eu tenho uma coisa que é física que posso utilizar como sintetizador mas que tem o Ableton todo. Sendo um produtor que utiliza maioritariamente ferramentas do Ableton e só do Ableton, essa ideia fascinou-me, a de poder fazer música ao vivo e partilhar momentos realmente especiais.
Das outras vezes que eu fiz live, não era totalmente improvisação. Arrisco-me a dizer que a parte de improvisação era bastante limitada até. Era basicamente áudio – eu exportava e depois montava as tracks no momento. Tracks que já tinha conceptualizado no computador, por exemplo.
Com esta nova versão do live, eu estou mesmo a fazer uma coisa ali, improvisar no momento. É uma surpresa, tanto para mim como para as pessoas que estão a ouvir – positiva ou negativamente. Se estiver bom, olha boa, nem sei como fiz isto [risos]. Se estiver mal, olha, correu mal. Esse desafio de estar ali com medo, mas também empolgado pelo que vai sair, era uma coisa que eu queria fazer já há bastante tempo – e fico muito contente por finalmente conseguir fazer da maneira que eu queria com o Push.
Fugindo um bocadinho da música, como é que te manténs ativo e inspirado no dia-a-dia?
Gosto muito de fazer desporto no geral. Mais recentemente até comecei a fazer jiu-jitsu e isso inspira-me bastante. A atividade física foi uma coisa que esteve sempre presente na minha vida – e isso é bom para também me desligar da parte da música e para, de certa forma, recarregar energias para voltar com força a fazer música. Outra coisa que me inspira muito é ler. E gosto também muito de ver filmes. Acho que são boas fontes de inspiração, coisas que eu gosto de ter sempre que estou assim meio perdido ou quando não estou a sentir que o que estou a fazer é bom o suficiente.
Já agora, tens aí um livro e um filme que recomendes assim de repente?
Livro… “Jerusalém”, de Gonçalo M. Tavares. Filme é mais difícil, mas “Hereditário”, não sei se já ouviste falar. É um filme de drama, horror psicológico, mas é um filme que depende muito da maneira como tu olhas para ele. Se quiseres ver horror, vais ver horror. Se quiseres ver um drama familiar, vais ver um drama familiar. Eu olho mais no sentido do drama familiar. Na questão de haver males que são hereditários, coisas que fazem parte da tua família e das quais não podes fugir. Esse é um tema que me fascina muito. Agora, se quiseres ver como um filme de horror básico, também dá.
Para fechar: e o futuro? É algo em que penses ou simplesmente deixas fluir?
Não sei. Como nós falámos no início da conversa, esta questão de ser artista independente é uma coisa que me traz sempre uma incerteza enorme e um medo, não é? Eu tenho medo de não poder continuar a fazer isto daqui a cinco ou dez anos. Acho que ter este medo é bom porque me mantém acordado e pronto a fazer coisas, mas também me impossibilita, muitas vezes, de aproveitar o presente ao máximo.
Profissionalmente, o que tenho aqui pronto para o futuro é continuar a lançar música. Adoro lançar música, adoro produzir. Quero também apostar mais em talentos novos na minha editora, a NRBK. Na HAYES, estamos a fazer um bom trabalho em lançar novos artistas, mas para a minha editora eu quero fazer esse trabalho ainda mais, quero focar-me ainda mais em artistas pequenos que estão aí a aparecer.
Quero fazer mais lives, quero experimentar novos projetos com músicos, quero fazer mais bandas-sonoras e quero continuar a poder viver disto da música, que é o que eu mais gosto de fazer.
Fotografias por Ivo Lima

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