Ambient, drum’n’bass, house… E tanto mais. Estão aí os nossos favoritos de abril.
ASYM_MTRY – Hiding in Solitude
Projeto audiovisual que pode remeter para mundos cinemáticos de electronica e IDM, ASYM_MTRY é a nova aventura de Ricardo Fialho, que conhecemos por pseudónimos como Inversus ou a dupla Terra Chã. Disco que tanto vai a apontamentos drum’n’bass como downtempo, “Hiding in Solitude” reflete a intenção de Fialho se “afastar de tendências e expectativas externas”. E bem.
Dust Devices – SBX Sector A EP [Rapture]
“Primeiro de uma série de EPs que celebram a abordagem idiossincrática à síntese e sequenciamento sonoro de duas máquinas antigas, a Elektron Monomachine e Machinedrum”, o novo “SBX Sector A” espelha bem isso e as sonoridades típicas de Dust Devices. Caos controlado, este, que é para ser ouvido de forma contínua à medida que nos leva pelos ritmos mais doidos e pelo sound design mais escabroso.
Fidju Kitxora – Ti manxe
Há alguns discos que partem de gravações nesta lista e “Ti manxe”, o novo do coletivo anónimo Fidju Kitxora, é o primeiro. Nas notas oficiais, pode ler-se que o álbum “nasceu da escuta de situações que atravessam o quotidiano” e que foi “gravado entre São Nicolau, São Vicente e Santiago”. Construído “a partir de conversas, gravações de campo e fragmentos que apontam para camadas menos visíveis do contexto cabo-verdiano”, “Ti manxe” continua a “retribuir a Cabo Verde a partir da diáspora”, desta feita com mais guitarras do que em “Racodja”, e até mais power, antes de Morabeza, com Tó Trips e Henrique Silva, nos dar o significado dessa palavra também em música.
Floating Machine & Inerte – Theatre of the Absurd [aenean]
Em março estavam a lançar “Mato” pela Crescent London, em abril abriram o catálogo da portuguesa aenean com “Theatre of the Absurd”. Floating Machine e Inerte (este segundo metade dos FONZO), trazem o mesmo hipnotismo e lado atmosférico, como se ouve na circundante faixa de abertura, com acenares ao drum’n’bass (ouça-se Dystopia) pelo caminho. Genial.
G. Sota – Desvelada [Vertigo]
Um dos nossos nomes favoritos a surgir na produção nacional recente, G. Sota apresenta em “Desvelada” o trabalho que compôs a partir da série de pinturas “Lovers Scenes”, de Sofia Vermelho. Lançado pela Vertigo, o álbum mantém o experimentalismo (e, aqui, talvez ainda mais) que bebe de field recordings, downtempo, dub e até batida, sempre com aquela dose de sensibilidade e ternura garantida.
Inês Condeço – The Space Between Birds
Não será difícil encontrar field recordings de pássaros em discos de ambient. Este, no entanto, foca-se neles para trazer a música, a capa, o título. No sucessor de “Lacuna” (2024), Inês Condeço leva-nos céu adentro, acompanhados por piano, synths ou voz, e afirma estarmos num mundo “onde olhar para cima e ouvir os pássaros se tornou um ato de resistência”. E ao ouvir “The Space Between Birds”, também nós somos levados a pensar no nosso papel – ou no que bem quisermos.
Kara Konchar – Nova Mitologia [Rotten \ Fresh]
Kara Konchar assina alguma da eletrónica obscura mais interessante que temos por cá. É música que remete para industrial, EBM, por aí. Em “Nova Mitologia”, que assinala regresso à Rotten \ Fresh e que conta com participações de Inês Malheiro, Vile Karimi e Violeta Azevedo, uma novidade: Miguel Béco a usar a voz pela primeira vez. Mal nós sabíamos que precisávamos desta nova camada – e de repetir Da Terra Vem o Verme vezes e vezes sem conta.
Klin Klop – Many Faces [MAR Records]
Para Inês Meira, tudo começou no violino. Depois veio a música de dança, o sound design, o DJing ou trabalhos como “Something New” e “Out of Sync”. Agora, o álbum de estreia, gravado em concerto na Casa da Música, construído partir de “FRAGMENTS, um ensaio sobre multiplicidade e identidade, sobre as diferentes faces que foi ganhando ao longo do tempo, moldadas pelas pessoas e pelas experiências que a inspiraram até aqui.” Klin Klop em expoente máximo, ao lado de banda igualmente excecional, servindo house com toques de jazz, funk e até uma parte final mais acelerada.
Mix’Elle – Rage Days [Up Ya Archives]
Talvez mais dura do que em “Spiritual Rhythms”, EP de estreia lançado pela naive, Mix’Elle está de volta com o seu segundo disco, “Rage Days”, editado pela londrina Up Ya Archives. Mas a atmosfera (Maresia) e sonoridades que remetem para Metalheadz e talvez techstep mantêm-se, isto num trabalho que tem como destaque a faixa homónima, que conta com Brava a rappar sobre dias frios e precariedade em Londres.
Vasco Lé – These Tears Feel So Eerie [Perf]
Através de samples mutados a dar com pau, com companhia de “drum machines e o ocasional overdub”, Vasco Lé assina um segundo álbum que é uma montanha russa de emoções. Talvez mais viradas para a tristeza, certo, não fosse o título “These Tears Feel So Eerie”, que é uma referência a Mark Fisher, ou o tema que abre chamado Eternal Sea of Sadness. No fim, no entanto, é de sorriso na cara que ficamos. Que as lágrimas nos levem sempre a isto.
Imagem por Catarina Ribeiro

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