AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

Martim Santos: “Toda a gente encontrou [na Counterpoint] formas de evoluir como pessoa”

12 Dezembro, 2019 - 11:51

A Counterpoint está prestes a organizar o seu último evento de 2019 e, também por isso, estivemos à conversa com o fundador Martim Santos, também conhecido por Pix.L.

Foi em 2013 que nasceu a Counterpoint, entidade que é, hoje, uma das mais importantes para a cultura drum’n’bass no país, especialmente para a cidade do Porto. Além de atuar como promotora, que trouxe nomes como DLR e Halogenix em 2019, o coletivo atua ainda como label, tendo, este ano, editado música de Lavance, Riot e Molecular, entre outros.

Fundado por Martim Santos, DJ mais conhecido por Pix.L, o coletivo “tem imensas valências dentro da equipa”, que inclui membros de áreas tão distintas quanto design, fotografia, marketing ou produção de eventos. E apesar de se sentirem orgulhosos do caminho feito até à data, o objetivo é continuar a “encontrar novas formas de evoluir”.

Este sábado 14, a Counterpoint conta com a presença de Spectrasoul e Icicle na sua nona “Trust The Bass”, festa que terá lugar no Hard Club, no Porto, entre as 2 e as 7h.

Lê abaixo a nossa entrevista com Martim, que falou sobre a atividade da Counterpoint enquanto promotora e editora, e, entre outros tópicos, sobre o “caminho que percorremos como família”.

Depois deste tempo todo de atividade, onde é que encontram a motivação para continuar a trabalhar em prol da cultura drum’n’bass?
A motivação vem tanto de um amor enorme por esta música, como de uma vontade coletiva em participar num projeto que procura sempre fazer mais e melhor, e, até certo ponto, diferente. Somos uma equipa de seres humanos inconformados, no sentido em que gostamos de nos forçar a sair da nossa zona de conforto, porque é a melhor maneira de aprender.

Para além disso, todos temos neste projeto um complemento à nossa vida pessoal, e essa independência financeira que temos do projeto cria uma distância que nos permite ter uma postura quase 100% artística na forma com que nos relacionamos com ele. Nunca é 100%, porque continuamos a trabalhar dentro de indústrias, nas quais queremos obviamente que o projeto tenha sucesso. Olhamos para os benchmarks a nível mundial tanto de eventos como de editora, e procuramos compreender como nos podemos aproximar desse nível.

Nos últimos tempos, editaram música de Riot, Lavance e Molecular, entre outros. Como é que veem estes lançamentos pelos quais têm sido responsáveis?
Conforme referi acima, para nós é sempre um processo de constante aprendizagem. Nesse sentido, não só esses, mas todos os lançamentos até hoje foram um sucesso, e permitiram-nos criar a nossa própria forma de trabalhar a música.

Por um lado, olhamos para cada lançamento como a obra única que é – uma expressão da visão de cada artista do que é a sonoridade Counterpoint. Por outro, todos os lançamentos fazem parte de um plano maior, que passa pela definição da dimensão estética da editora.

Se vão manter o conceito ‘Counter x Culture’, onde vincam a vossa sonoridade e dão a oportunidade para novos talentos se afirmarem?
O conceito Counter x Culture (CXC) está sempre vivo, embora seja uma plataforma que está em constante mutação. Atualmente funciona como uma série de lançamentos dentro da editora, dedicados a promover os melhores novos talentos que encontramos através dos nosso scouting. É curioso perguntarem, porque existem rumores que ainda vamos lançar mais um CXC este ano [risos].

Ainda assim, temos outra vez ideias novas para esta “sub-marca”, que poderá voltar a reinventar-se no próximo ano, porque consideramos que o conceito de contracultura é indissociável do projeto.

Como é que funciona o processo de seleção de artistas? Tanto no que diz respeito a releases, como também de convidados para as vossas festas.
No que toca a editora, não existe um processo concreto, mas no final, tudo se resume à música. Diferentes lançamentos surgem de diferentes sítios, seja de uma relação que crias num “gig”, ou num contacto formal por e-mail, mas todos convergem no momento em que o artista nos envia música, e a avaliamos.

No que toca a eventos, a música é outra, e como se costuma dizer por aí, o segredo é a alma do negócio. Ainda assim podemos dizer que se existe aqui também um ponto convergente, é a nossa “Bassline Groove”.

Este ano realizaram seis Trust The Bass (TTB) no Hard Club, no Porto. Qual o balanço que fazem? Tencionam seguir o conceito em 2020?
O balanço é extremamente positivo. Não poderia ser de outra forma, quando tivemos a oportunidade de trabalhar numa residência bimensal que nos permitiu explorar imenso – musical e visualmente. Todo o processo, desde a construção do palco, à criação de um alinhamento, tem tanto de stressante, como de gratificante. Somos em primeiro lugar um coletivo e uma editora, mas temos imensas valências dentro da equipa que nos permitem promover eventos a um nível de profissionalismo que se enquadram nos nossos padrões de qualidade.

Nesse sentido, a ideia é sempre manter a aposta, enquanto fizer sentido para a nossa equipa, e para o crescimento e desenvolvimento do drum’n’bass no Porto.

Para a próxima TTB, convidaram Spectrasoul e Icicle. Quais as expectativas para essa festa?
Sem querer azarar… altíssimas [risos]. Convidamos dois artistas que são provavelmente a razão de existir uma Counterpoint. Quando em 2009 ouvi pela primeira vez músicas como a Mimic de Spectrasoul, ou a Infectious Funk de Icicle, sabia que tinha encontrado o meu “cantinho” no drum’n’bass. Ter a oportunidade de receber estes dois artistas no mesmo evento é um testamento ao caminho que percorremos como família.

Mais do que uma editora ou promotora de eventos, assumem-se como um coletivo. Porquê?
Penso que com tudo o que escrevi para cima, acabei por já explicar este aspecto, mas passa por enorme sentimento de família que temos na equipa. A ideia pode ter sido criada inicialmente por mim, mas a Counterpoint existe porque assenta num conjunto de indivíduos que partilham os mesmos valores, e que embora tenham gostos diferentes, veem a música de forma muito semelhante. Isso em conjunto com um nível saudável de ambição, permitem-nos alcançar objetivos que sozinhos não seriam possíveis.

Qual o balanço das ações levadas a cabo durantes estes seis anos de existência? E quais os planos para o futuro?
Impossível transmitir em palavras. Pessoalmente mudou a minha vida em tantos níveis que nem consigo expressar. Penso que é o sentimento geral da equipa, toda a gente encontrou no projeto formas de evoluir como pessoa.

Mais objetivamente, conseguimos consolidar a marca como um símbolo de qualidade, tanto no que toca a editora, como nos eventos, e isso para nós é o mais importante. O caminho é esse, encontrar novas formas de evoluir a marca, que nos obriguem a explorar caminhos diferentes, nos quais vamos aprender coisas novas.

Direitos de imagem reservados (fotografia por António Vasquez)

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