AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Reportagem

Música, calor… e Seth Troxler b2b Tiga

18 Setembro, 2018

No passado domingo, dia 16, o Brunch Electronik Lisboa recebeu Caroline Lethô e Gusta-vo b2b HNRQ. Mas o back-to-back de Seth Troxler e Tiga não nos sai da cabeça.

Já parece tradição. As tardes no Brunch Electronik Lisboa, na Tapada da Ajuda, são de tamanho calor que tornam a sombra altamente convidativa. É também por isso que se vê, durante as primeiras horas, um ambiente calmo, sossegado, em que pouco mais se faz para além de ouvir (boa) música. Sentados, deitados ou em pé, estas horas também são de aproveitar para reunir as energias necessárias (e beber copos) para dançar até às 22h.

Oito horas antes, às 14h, Caroline Lethô subiu à cabine para servir música até às 16h. Num espaço marcado por elementos verdes e que remetem para a natureza, Carolina Mimoso mostrou a sua no seu set – apesar de, como atrás referido, os presentes andarem a meio gás nas primeiras horas na Tapada da Ajuda. No entanto, para nós a conclusão é óbvia: agendem Lethô para qualquer hora do dia e ela cumpre a missão com uma aptidão que não é assim tão típica da nova escola.

Bem mais experientes são Gusta-vo e HNRQ. O primeiro é um nome incontornável da cena do norte, o outro da lisboeta, mas ambos acabam por ser peças importantes para todo o país. Contextualização à parte, o back-to-back da dupla foi muito abrangente a nível de seleção musical, sempre com a máxima de fazer braços levantar ou pôr pernas a marcar o ritmo da dança. Perto do final, não só o público estava muito mais vivo e empolgado com as batidas que se ouviam, mas também a própria interação da dupla connosco era cada vez maior. Apesar da troca de saudações, palavras e até lembranças entre os norte-americanos que se seguiam e Gusta-vo e HNRQ ditarem o fim das duas horas de set, era preciso estar atento (com o olhar) para perceber quando é que os portugueses passaram o comando da cabine para o ato seguinte.

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Em poucas palavras, o americano Seth Troxler e o canadiano Tiga foram arrebatadores. Entraram às 18h, duas horas antes do que estava programado, e de forma muito subtil, tanto na mistura como na seleção. Vozes e batidas “ligeiras” marcavam o início do set de quatro horas, que esteve maioritariamente centrado em sonoridades mais house. Mas não só. Na realidade, ao fechar os olhos corríamos o risco de ser levados para Ibiza, Nova Iorque, Berlim ou até Rio de Janeiro. Isto porque foram os próprios Troxler e Tiga a conduzir-nos por entre um leque musical gigantesco.

Imagine-se só: não muito depois de começar, ouvia-se New Dawn de Tandem Sky (o remix de Jesper Dahlback), mas rapidamente se ouviu música samba, electro, disco, vozes reggae, entre tantos outros pelo recinto (a chegar da casa-de-banho pareceu-me ouvir a voz de Morrissey a sair das Funktion-One, mas fica a incerteza). Basicamente uma viagem por sonoridades tão díspares como Big Fun de Inner City, Bloody Cash de Marco Carola ou Kill Bill de I.B.M. Aliás, para os mais cépticos, alguns momentos podem ter sido difíceis de entranhar. Exemplo disso é a mistura de Bodak Yellow de Cardi B com tech house. Mais ainda, pouco depois da música da norte-americana, houve tempo para Moonlight de XXXTENTACION, uma espécie de homenagem que pareceu tocar grande parte dos presentes. Apesar de estas músicas de hip-hop trazerem, à primeira vista, algumas incertezas, a verdade é que esta odisseia de Troxler e Tiga foi altamente coesa, precisa e cativante. Uma aventura que nos deixou resíduos da melodia de The Cure & The Cause de Fish Go Deep e Tracey K (a versão de Dennis Ferrer) na cabeça, tema com que a dupla terminou aquele que foi, possivelmente, um dos melhores sets deste verão em Portugal.

Infelizmente, a temporada deste ano do Brunch Electronik Lisboa chega ao fim no próximo domingo, dia 23. Amelie Lens, Farrago e Milo Spykers são os grandes nomes do cartaz, mas também temos certeza de que Tiago Fragateiro e Sonja vão embelezar o último Brunch da melhor maneira possível. Estamos ansiosos.


Fotografia por André Teixeira

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