AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Artigo

Neopop 2026: 15 atos que não queremos perder

3 Agosto, 2026 - 12:48

É esta semana que celebramos 20 anos de Neopop e estes são 15 atos que vamos fazer por ouvir nesta edição.

É muito difícil – quase impossível – fazer uma seleção como esta. Mas fizemo-la. A celebrar o 20º aniversário e num regresso ao nome Antipop, o Neopop decorre entre 6 e 8 de agosto no habitual Forte de Santiago da Barra, em Viana do Castelo.

Como podes ver nos horários do Neopop 2026, não faltam nomes incríveis que ficaram de fora, como Goldie, Mathew Jonson (live), DJ Koolt b2b Rui Vargas, Dust Devices, Rita Maomenos e DJ Lynce, isto só na quinta-feira. Na sexta e sábado, outras opções especiais passam por Luisa, Diana Oliveira b2b Taxsh, Helena Hauff b2b IMOGEN, Mix’elle, Jeff Mills, ORBE b2b Ruuar, Chlär ou Dax J.

Há várias razões para termos escolhido estes nomes, cinco por cada dia. Percebe tudo abaixo e passa no site oficial do Neopop para informações como bilhetes.

Alex FX (Quinta-feira, no Back Stage, às 22h)
Alex FX. Porto. Um dos grandes. Nome e figura inevitável quando a conversa é música eletrónica em Portugal. Ativo desde 1993, tem uma discografia onde se encontra tudo – ambient, acid, breaks, dub, electro, house, techno. Nos últimos anos, através de trabalhos como a banda-sonora para o filme mudo “A Paixão de Joana d’Arc” ou “Vessels”, tem estado mais virado para um lado introspetivo e cinemático, o que poderia fazer prever essa abordagem no Neopop. Engane-se quem assim acha: no Instagram, o próprio diz que vai ser um “set híbrido de drum’n’mental”, o que nos remete para faixas como Fears, do disco de 1997 “Underdub”. Imperdível.

DJ Gigola (Quinta-feira, no Neo Stage, às 23h)
Numa noite que terá atos como BIIA b2b Patrick Mason e Héctor Oaks b2b Partiboi69 no Neo Stage, DJ Gigola surge como o nome que dará início ao prego a fundo nesse palco. Sucedendo Cardia b2b Tiago Fragateiro e Space Riders (Tiago Carvalho e Tiago Marques), a berlinense do coletivo Live From Earth deve trazer o seu lado de DJ – algo distinto de produções como as do meditativo e incrível álbum “Fluid Meditations” (2023) – marcado por energia e bpms lá em cima, com passagens por uma vertente pop ou bouncy a serem bem possíveis. Ato imperdível para quem está para aí virado.

Supermayer (Quinta-feira, no Anti Stage, à 1h30)
Não têm tocado, nem em Portugal nem em lado nenhum, mas voltam a fazê-lo nesta ocasião especial. 18 anos após a última passagem pelo país, precisamente no Antipop 2008, Superpitcher e Michael Mayer vestem a camisola de Supermayer no Anti Stage. Ambos são referência: o primeiro através da carreira a solo ou do duo que partilha com Rebolledo, Pachanga Boys, o segundo também pelo próprio caminho ou pelo trabalho desenvolvido na Kompakt. Mesmo que ouçamos o álbum da dupla “Save The World” (2007), queremos crer que não será fácil prever o que nos espera neste DJ set, tanto que os últimos sets que ouvimos de Mayer foram a várias coordenadas. Essa imprevisibilidade é, aliás, uma das partes mais interessantes nesta rara aparição de Supermayer.

Nuno Forte b2b Tilinhos (Quinta-feira, no Back Stage, às 5h)
RHR, brasileiro que antecede este ato, merecia uma posição de destaque nesta lista, com a sua fórmula que bebe de bass music ou baile funk. No entanto, não deixando de querer ouvir o DJ e produtor de São Paulo, sentimo-nos obrigados a destacar este b2b. É que, repare-se, estamos diante duas lendas do jungle e drum’n’bass no Porto e no país. Desde os idos tempos do Meia Cave ou Aniki Bobó até aos dias de hoje, passando pela Elektro Parade ou Armazém do Chá, Nuno Forte e Tilinhos estiveram lá desde o início e mantêm-se como porta-estandartes destas sonoridades. Giram discos como poucos no género e não vão desiludir, é certo. Estenda-se a passadeira para os mestres.

Adiel b2b Quest (Quinta-feira, no Anti Stage, às 5h30)
Ligados por Itália, aproximados pelos discos. Este b2b tem sido muito elogiado e não é para menos. Ela, uma filha do Goa Club, em Roma, onde se inspiraria para uma carreira de sucesso como DJ e como produtora, com lançamentos na sua Danza Tribale, Spazio Disponibile ou Stroboscopic Artefacts. Ele, patrão da La Nota Del Diablo, também conhecido por tocar discos de vinil, capaz de ir a diferentes coordenadas num set a solo, com uma história inspirada por Francesco Del Garda e pelo percurso que tem Londres ou Berlim como pano de fundo. Juntos, vão estar em modo techno e prometem coesão e proximidade, algo nem sempre garantido num b2b.

Octave One live (Sexta-feira, no Neo Stage, às 21h50)
Diretamente de Detroit, Octave One é um dos atos mais celebrados da cidade fundadora. A dupla dos irmãos Lenny e Lawrence Burden já passou pelo Neopop e, quem esteve lá, vai saber por que razão destacamos esta atuação. É que, repare-se: dada a presença regular do duo no país, até poderíamos dar este espaço a outros nomes. A questão é esta, no entanto: quem ouviu a Black Water no Neo Stage, pelas mãos dos próprios Octave One em 2017, sabe que isso vale tudo. Quase vale o festival. Preparem os lenços.

Roundhouse Kick live (Sexta-feira, no Anti Stage, às 22h)
A dupla de Adriana Lourinho (aka EDND) e Igor Inácio (Lost in Space) é uma das mais especiais que temos em Portugal quando a conversa é live acts. Também eles com trabalhos a solo, os algarvios unem-se em Roundhouse Kick para nos trazerem a sua ligação humano-máquina, que pode passar por acid, momentos mais deep, tons psicadélicos e tanto mais, como se escuta no disco de 2020 “Shift Erase”. Tocam praticamente à mesma hora de Octave One, pelo que é uma opção para quem preferir uma opção além da dupla de Detroit.

Alarico b2b Yanamaste (Sexta-feira, no Anti Stage, à 1h)
Alarico e Yanamaste são dois dos maiores representantes da nova geração de techno. Abençoados pelo groove natural que lhes é característico, são também produtores de renome. Olhe-se para o primeiro, italiano, que teve em Iruka uma das faixas mais tocadas dos últimos tempos no globo. Ou para o segundo, georgiano, com releases como “Evil” entre os trabalhos mais recentes. A questão é que, como DJs, são máquinas autênticas, dos melhores que por aí andam. Agora, imaginemo-los lado a lado.

DJ Storm (Sexta-feira, no Back Stage, às 4h)
Numa noite incrível no Back Stage, que terá curadoria de NOIA e apenas mulheres no cartaz, a patroa das patroas DJ Storm toca em peak time e é atuação obrigatória para quem gosta de jungle e drum’n’bass. Uma das DJs mais influentes do género, integrou a mítica dupla Kemistry & Storm, com a falecida e saudosa Kemistry, e ajudou a fundar a Metalheadz ao lado de Goldie, isto para não falar de estar lá desde o início, até mesmo no Heaven, clube londrino que era local para as RAGE e que é tido como o sítio de nascimento do jungle. Certo é que palavras não fazem justiça a esta mulher. É ouvi-la.

Gusta-vo b2b Zadig (Sexta-feira, no Anti Stage, às 7h)
Zadig é um boss de Paris, patrão da Construct Re-Form, habitué no festival e garantia de controlo, tensão e do público na sua mão. Gusta-vo, uma das figuras do Neopop, DJ irrepreensível e capaz de tocar tudo já desde os tempos áureos de Freshkitos e dos tempos do Maré Alta. Por isso, o que esperamos dos dois neste fecho do Anti Stage na sexta é, mais do que a amizade e a celebração destes 20 anos, techno apurado e mental, ideal para quem quer seriedade no abrir do dia.

Frank Maurel b2b Josh Wink (Sábado, no Neo Stage, à 0h)
Frank Maurel b2b Josh Wink? Wow. É destes b2b que queremos. Duas figuras-chave dentro de cada uma das suas cenas, duas presenças habituais no Neopop, agora num confronto amigável em pleno Neo Stage pelo início da noite. E não, não estamos a falar de uma atuação conjunta entre dois desconhecidos, até porque ambos se conhecem há vários anos – tanto que, aliás, Maurel editou dois EPs pela Ovum, de Wink, em 2017 e 2018. Embora seja algo imprevisível, queremos crer que este set trará acid, techno e, quem sabe, um ou outro clássico para homenagear o companheirismo entre ambos.

Jiggy b2b The Advent (Sábado, no Anti Stage, às 3h30)
Estiveram lá no início e estão aqui e agora. Jiggy, nome incontornável, pioneiro, residente no Alcântara Mar e Kremlin, responsável por mixes queridos para os portugueses, autor de outros quantos temas, apelidado por tantos como o melhor DJ nacional. The Advent, nascido na Madeira mas que fez de Londres sua casa, também ele um dos “nossos” grandes nomes, com uma carreira internacional a solo e um percurso que inclui o trabalho na Jack Trax como engenheiro de som. Têm história em conjunto – lê aqui mais sobre “Shiolas” – que se vai continuar a escrever no Anti Stage. Um dos grandes atos deste Antipop e até de todo 2026.

FJAAK x KiNK live (Sábado, no Neo Stage, às 5h)
Exploração, despreparado, cru. Estas foram algumas das palavras com que estes três nomes descreveram o seu live act ao 909 Festival, onde atuaram em junho. Na verdade, nós estivemos por lá. É fácil nomes grandes como estes chamarem a atenção e não ser nada de especial, mas este trio faz jus à expectativa que lhe é empregada. Por meio de Roland TR-909 ou 1000, Elektrons, muito techno, inspirações de Detroit ou amizade, os berlinenses FJAAK e o búlgaro KiNK são garantia de festa rija e especial neste live. E mesmo sendo mais improviso do que outra coisa, é provável ouvir a (ou parte da) faixa colaborativa Overbridge, lançada no ano passado, tal qual aconteceu em Amesterdão.

Lewis Fautzi live (Sábado, no Anti Stage, às 5h30)
Referência do techno nacional através da carreira marcada pela própria Faut Section ou por lançamentos em selos como PoleGroup, para dar dois exemplos, Lewis Fautzi é um nome de Barcelos que joga em casa no Neopop. É que, além das presenças regulares, as filas da frente do Anti Stage estão sempre repletas de fãs do português, alguns deles até mesmo com camisolas do Óquei Clube de Barcelos envergadas. E sejamos sinceros: não destacaríamos esta atuação se fosse um DJ set, embora não a quiséssemos perder. Mas a questão é que é um live act. Luis Gonçalves não toca há algum tempo neste formato e, só por aí, já estamos muito desejosos de ouvir. Um novo live preparado para estrear no Neopop, onde havia tocado nestes moldes em 2014, e um momento que tem tudo para ser um destaque desta edição. No amanhecer, Lewis Fautzi vai guiar uma nave composta por engenhos como Ableton, RD-9, Behringer Neutron, Faderfox PC12 ou Elektron Analog Four MKII. Ou, melhor, vai guiar os nossos corpos pela aurora fora.

Laurent Garnier (Sábado, no Neo Stage, às 9h)
Como não destacar o closing de Laurent Garnier na manhã de domingo? Quem já o ouviu sabe que este momento será imperdível, ainda por cima neste slot. Mais provas terá quem o ouviu a fechar o Neo Stage em 2019. Condecorado com o título francês da Legião de Honra em 2017, Garnier é um veterano, um DJ e produtor sábio dentro e fora da cabine. Alguns dos primeiros contactos com clubes foram aos 13 anos, graças ao irmão que frequentara clubes gay em Paris, e ainda hoje, aos 60, se mantém atento e curioso com tudo que é feito no mundo da música de dança e eletrónica. Isso escuta-se nos sets do autor de temas como Crispy Bacon ou Man With The Red Face, ou não fosse ele capaz de ir a tantos cantos ao longo de uma atuação, sempre com mestria e noções de princípio, meio e fim – num closing, certamente ainda mais. E motivos faltassem, esta pode ser uma das últimas atuações em Portugal nos próximos tempos.

Fotografia por Rafael Filipe Farias

relacionados

Artigo

Deixa um comentário







t

o

p