AUTOR

Daniel Duque

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20 EPs nacionais de que gostámos em 2025

13 Janeiro, 2026 - 12:02

EPs feitos em Portugal para todos os gostos e mais alguns. Estes são 20 dos nossos trabalhos de curta-duração favoritos lançados em 2025.

A segunda de três peças centradas em 2025 é dedicada aos EPs nacionais. Formato imprescindível para quem gosta de música eletrónica e para quem quer ouvir e conhecer o que se faz por cá.

Como sempre, esta é uma tarefa árdua e injusta por todos os motivos e mais alguns. Um exemplo é que tínhamos uma pré-seleção de 36 EPs. Foi muito, muito difícil definir 20.

Além disso, não queremos servir como autoridade. Entende esta lista como uma seleção sugestiva de alguma da nossa música favorita e que serve mais para mostrar o que se anda a fazer do que outra coisa. O que não falta é música tão valiosa quanto esta.

Nestes 20 EPs, gostes de ambient, bass music, techno ou outras explorações, o mais certo é que consigas encontrar algo que sirva os teus ouvidos. Aproveita!

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Aäg – Bewitched EP [Analytical Convenience]

Membro do core da portuense Analytical Convenience, Aäg prova aqui que há vida – e techno – para além do quatro-por-quatro. Há downtempo, ambient ou até um lado sci-fi. Momento, por exemplo, agarra-nos por completo com a sua textura, os drones que vão crescendo ou a voz que imprime um carácter ritualístico à faixa. No fim, para quem não dispensa a energia, Floating Machine, MGR96 e HYOS tratam de libertar toda a tensão.

António Feiteira – Performing the Heimlich on an Ouroboros [Eastern Nurseries]

Num ano em que trouxe também o brilhante disco de estreia da dupla Amuleto Apotropaico, que partilha com Francisco Pedro Oliveira, voltou-nos a embalar com o seu primeiro EP a solo. António Feiteira é mais conhecido pela percussão, mas aqui vai a muitos outros meios, como guitarra e explorações eletrónicas, para mostrar a mensagem. Música que vem de dentro e se entranha no corpo e mente.

Carga Aérea – Sonda [Colectivo Casa Amarela]

“Carga Aérea, algo que por si só se baseia no movimento constante, na partida e na chegada, na ausência de fronteiras mesmo por cima das nossas cabeças”, escrevia Francisco Couto sobre a apresentação deste disco. E assim é com a música de Francisco Marujo. No terceiro trabalho, “Sonda”, começamos por ouvir pássaros até que chegam, com todo tempo do mundo, as cordas da guitarra. E daí tudo se dissipa. Há tempo para nós. Coisa rara. Memórias de Marujo que nos fazem evocar as nossas próprias. É deste ambient que queremos.

Carmen – Matiné [Diffuse Reality]

Não estamos a exagerar quando dizemos que Carmen é um dos nomes mais interessantes a surgir dentro do techno nacional. Dizemo-lo pelo talento, sim, pelas explorações em modular e por acreditarmos que é a próxima grande cena, caso possamos dizer isto neste meio. “Matiné” é o EP de estreia com este nome e prova disso tudo. Seis faixas techno dignas de embelezar qualquer pista, marcadas por abordagens que tanto se podem ouvir num peak time como nos primeiros raios de sol.

Delikwe – Echoes of Transformation [Out Of Order]

Delikwe é italiano mas faz parte da cena lisboeta. A par do álbum “Infinite World”, coletânea de faixas produzidas entre 2022 e 2025, editou no ano passado “Echoes of Transformation”, disco que parte de field recordings para trazer uma bela viagem ambient, downtempo e dub que nos vai levando até Revocate, faixa que, embora mantenha essas bases, mostra o gosto de Giuseppe Rizzi pelos breaks. Assombroso no melhor dos sentidos.

DJ Dextro & Cardao – Illusive Substance [Special Series]

As colaborações de DJ Dextro e Cardao têm dado muitos frutos apetecidos pelas pistas. “Illusive Substance” é um exemplo que vale a pena conhecer e desbravar. Repleto de techno enérgico, daquele rápido que põe sorrisos na cara, este EP tem muito a oferecer, como os breaks que se ouvem no tema homónimo antes do drop ou a melodia hipnótica e viciante de The Secret.

Dun Dun & Nástio Mosquito – Pop Stuff [Extended Records]

Diogo Vasconcelos, mais conhecido pelas aventuras com o primeiro nome, apresentou o pseudónimo Dun Dun com “Bass Stuff”, trabalho com “alguma da inspiração vinda dos mundos do gqom e do dancehall.” Quando este chegou aos ouvidos de Nástio Mosquito, o reconhecido artista angolano não resistiu em pedir para aplicar algumas ideias com a voz – como explica a editora, “a proposta era ‘to popify these tunes’, encurtando-os e dando-lhe um novo arranjo, de forma a que se acomodassem melhor a um formato de canção” – e o resultado está neste “Pop Stuff”. E entretanto, note-se ainda, já saiu outra colaboração entre os dois para a celebração dos 50 anos da independência de Angola, Pifar É…. Sorte a nossa.

Fresko – Noite Infinita EP [NRBK]

Uma faixa à Fresko, outra fora da caixa e uma colaboração com Nørbak? Difícil pedir mais. Destaque absoluto para o tema homónimo, cuja irreverência até poderíamos tentar descrever, mas talvez não tenhamos o que é preciso para fazê-lo sem lhe tirar força. Estivemos na dúvida entre este e o “Arena”, editado pela HAYES, mas o tal tema homónimo… Tão fresco quanto possível.

Helviofox – Rodeado de Batida [Príncipe]

Mais um jovem maravilha a ser editado pela Príncipe. Helviofox mostra uma fórmula própria em “Rodeado de Batida”, disco de seis faixas que abre com afrohouse, fecha com tarraxo e passa por temas como a encantadora Sonho Lúcido. Sonho, mesmo.

Hiroma Keo – Agora Mas Nunca [ETERNA]

Autoridade bass do francês tornado lisboeta. Uma das fórmulas mais singulares que ouvimos no ano que passou: texturas, low-ends, ritmos e detalhes de quem sabe exatamente o que um par de ouvidos exigente quer. Os remixes de Ciel e Rhyw são a cereja no topo do bolo.

Klin Klop – OUT OF SYNC [Mar Records]

Feito ao lado de músicos como Zé Nuno e Miguel Tenreiro e das vocalistas Cristiana Silva e Helena Neto, “Out of Sync” marcou o regresso de Klin Klop aos EPs. Estreia em cheio pela Mar Records, com três faixas de house boa onda e inspirações como funk ou soul.

Maria Amor, Shcuro – Intertwined [Paraíso]

Casal maravilha responsável pela mui relevante Paraíso, Maria Amor e Shcuro lançaram por esse mesmo selo o primeiro EP colaborativo. Techno enérgico e feel-good de pé no acelerador a remeter tanto para as fundações como para a contemporaneidade. Os remixes de Fireground e Black Rave Culture fecham com chave de ouro.

Mix’Elle – Spiritual Rhythms [angel]

Primeiro disco de Mix’Elle. Surpreende uma estreia ser tão certeira? Só a quem ainda não conhecia o seu ouvido, gosto e intuição. “Spiritual Rhythms” saiu pela angel, sub-label da naive e série de festas onde Michelle Borja é residente, e mostra-nos um nome pronto para deixar marca. Já tinha deixado como DJ, aliás. Rapidez e atmosfera, ritmos mais lentos e exploratórios, acenares às fundações do jungle e drum’n’bass. É um EP rico, repleto de alma e direção, com uma maturidade digna de quem dedica parte da vida a estes mundos sónicos.

Puçanga – Peopleries (vol.1) [Tahki Records]

Estreia em cheio da série “Peopleries”. Há muito que Puçanga usa a voz para explorar o saber e canto popular que tanto aprecia e este primeiro volume “dedica-se ao folklore de vários cantos do mundo, trilhando Portugal, Brasil, Venezuela, Chile e Roménia.” Feita ao lado de nomes como João Pereira ou Amanda Gonçalves, esta é uma ode à tradição oral, à memória cantada e à escuta atenta do mundo.

rkeat – Indol [SIDE B]

O braço editorial da lisboeta SIDE B, de André Pina e Gsaid, teve arranque de sonho com “Indol”. Nome sério e estrela em construção da eletrónica nacional, rkeat apresenta aqui o lado mais techno, mantendo a versatilidade que o caracteriza. Entre simplicidade e riqueza, no lado A tanto temos a mais atmosférica Risky Endeavours, como Whereabouts a impor mais força. O lado B chama logo a atenção com End of Tips, faixa com baixo vincado e espírito sci-fi, e pelo remate feito com o tema homónimo, no qual os breaks ampliam e mostram ainda mais o alcance sónico de rkeat.

Sota – última volta [Vertigo]

Sota enfeitiça. Já o havia mostrado em 2024 com “Senhora dos Prazeres”, feito ao lado de Bapetismo, um claro candidato à lista de melhores desse ano. Em 2025, fê-lo novamente com “última volta”, EP de quatro faixas de tarraxo lento, romântico até, marcado por ambiências envolventes, detalhes como vozes mutadas e circundantes ou uma espécie de dualidade entre soturnidade e luz.

Temudo – Meteora [Fuse Imprint]

Assim não vale. Temudo lança um disco e ficamos sempre vidrados. Desta vez pelo selo editorial do clube belga Fuse, o produtor torreense continuou a embasbacar fãs de techno por todo lado. É que mesmo sendo um claro disco de Temudo, parece que há sempre algo novo a contar. E há. Apertai play, apertai.

Tiago – Untitled [TRNWRK]

Disponível em formato digital por tempo limitado para quem não conseguiu comprar o disco de vinil, este é o primeiro de dois EPs que o incontornável Tiago Miranda editou pela nova-iorquina TRNWRCK. Inteiramente composto pelo lisboeta, e nisso inclui-se os vários instrumentos que se escutam, “Untitled” entra para a prateleira onde encontramos trabalhos mais perto do house dentro da vasta e diversa discografia de Tiago.

VANYFOX – Melodias E Choros [Moonshine Music]

“Este EP representa uma nova fase, onde momentos de melancolia se tornam nas lições mais valiosas”, escreveu VANYFOX há uns tempos no Instagram. E basta ouvir para perceber porquê. É um trabalho completo que nos leva por muita dança (do kuduro ao house) e emoção (Mr. Lonely bate mesmo no âmago), com convidados como Boddhi Satva ou Ana Moura (esta a provar por que precisamos de ouvir mais estrelas pop em beats como este) e temas como violência policial (ouça-se o final de Youth Kriminal). VANYFOX é rei, é.

Vil & Cravo – Carícia 001 [Carícia Records]

A estreia da Carícia Records junta duas cabeças que sabem o que fazem. No lado A, Vil e Cravo mostram o groove a que já nos habituaram, com So Right a apontar para boa-onda trazida por acordes ou pela voz e 420%FODA para um lado mais funky. No lado B, cada um segue a solo, novamente com vontade de explorar o que bem lhes apetece. Nós agradecemos.

Imagem por Catarina Ribeiro. Parte dos textos são recuperados ou adaptados das seleções mensais.

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