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Lançamentos favoritos de agosto

7 Setembro, 2021 - 12:13

Por entre tantos outros trabalhos, 14 lançamentos não nos saíram dos ouvidos em agosto.

Alaska – Azarca / Synkro remix [Arctic Music]

A editora de Alaska, também conhecido como Paradox, foca-se em tonalidades claras, atmosferas árticas e luminosas. A label está ativa desde 2006, tendo sido o último lançamento em 2018. Este ano, o regresso da Arctic Music traz-nos o original de Azarca e um remix de Synkro. No primeiro lado, temos uma faixa de drum’n’bass completamente atmosférica e serena. Do outro lado, na remistura, encontramos o mesmo padrão luminoso e divinal, carregada de reverbs, com uma estética minimalista e microfunk-ish. Incrivelmente bom. JF

Clothilde – Os Princípios do Novo Homem [Holuzam]

Editado pela Holuzam, “Os Princípios do Novo Homem” é o mais recente trabalho de Clothilde. Uma peça sónica originalmente pensada para banda-sonora de teatro, o recorte de quatro dos oito “princípios” explora “o conflito entre luz e escuridão” num “momento orgânico” onde “mulher e máquina se tornam indissociáveis”. Uma experiência longa, hipnótica e meditativa, esta obra de Clothilde figura agora num eclético catálogo no qual se encontram nomes como @c, Telectu, Polido, Luís Fernandes, João Pais Filipe e, mais recentemente, Filipe Felizardo. Essencial para quem gosta de universos mais drone (e de música improvável). DR (10 de setembro é a data oficial de lançamento)

Demuja – Period of Time [Universal Music]

Finalmente! Após um período considerável de espera, o tão aguardado álbum de Demuja está cá fora, pela gigante Universal Music, e não podíamos estar mais agradados com o que ouvimos. Apesar de muitos artistas se desviarem do seu som característico em trabalhos de longa duração, em “Period of Time”, o austríaco mantém a sua polivalência e, sobretudo, o feeling de boa disposição que emana na esmagadora maioria dos seus temas. No álbum, há de tudo: acid, sintetizadores vintage dos 80s, disco, electro, breaks e até uma faixa de salsa/jazz/jungle. Agora, tomai todos e escolhei. RC

Dutchi – Ways of the Underground [Nurtured Beatz]

Aqui as influências são muitas e as referências também. Podemos até encontrar semelhanças com clássicos de outrora em algumas partes das faixas (Your Sound, de J Magik, na faixa homónima do trabalho, por exemplo). Dutchi estreia-se no mundo das produções com um trabalho bem sólido, que podia muito bem ter sido uma remasterização de trabalhos perdidos nos arquivos de Spirit, Doc Scott, Dillinja ou Total Science. Não prevemos o futuro, mas a julgar por esta rampa de lançamento, muito provavelmente voos mais altos se reservam para esta jovem de Essex. RC

Joy Orbison – still slipping, vol. 1 [TOSS PORTAL]

Depois de dezenas de produções em outros formatos, “still slipping Vol.1” é a primeira mixtape de Joy Orbison – bem como o seu trabalho mais emotivo e pessoal até à data. Menos virado para os clubes do que podia ser de esperar, este longa-duração aproxima-nos do britânico, que nos parece contar a história da sua vida ao longo de 14 temas. Com a versatilidade que lhe é reconhecida, ressalta entre vários estilos musicais, ao mesmo tempo que nos deixa mais intrigados do que nunca. NV

Mind over MIDI – Never Leave [Berserk Fabrik]

Mind over MIDI é um experiente nome norueguês que lança música desde finais dos 90. Mesmo compondo muitos trabalhos para dançar, nunca escondeu um particular interesse por ambiências e paisagens especialmente envolventes. “Never Leave” chega em memória do fotógrafo Brian Young e é, imagine-se, uma autêntica paisagem, um disco que recorre a pormenores como field recordings para nos pôr num brilhante imaginário com tons de natureza. E o quão belo é este. DD

Sam Alfred – Strictly Business [Love Above Records]

Sam Alfred não esteve para brincadeiras no seu EP de estreia. Mas nem tudo é sério em “Stricty Business”. Aliás, para além da consistência surpreendente para primeiro trabalho, o deep house do australiano até transmite um mood festivo, resgatando vibes do house clássico dos 90 e alinhando tudo em tonalidades etéreas. Digamos que é perfeito para um final da tarde bem regado. RC

Space Afrika – Honest Labour [Dais Records]

Divididos entre Berlim e Manchester, Space Afrika é duo que nos fez chegar “Honest Labour” depois de apresentar a igualmente brilhante mixtape “hybtwibt?” em 2020. O novo álbum é uma história muito bem contada sobre a secularidade que nos assola, mas que neste caso nos edifica enquanto pessoas. Com a companhia de nomes como guest ou Blackhaine em alguns dos temas e sempre com um vínculo britânico bem presente, a dupla anda por influências ambient ou trip hop para ostentar um manifesto congruente e altamente viciante. Além de imperdível, “Honest Labour” é um dos destaques do ano até à data. DD

The Bug – Fire [Ninja Tune]

Este nome forte já passou por várias editoras, sempre a estampar tendências que giram à volta de dub music, ou até dancehall e dubstep, só que com uma rubrica obscura de fazer ranger os dentes. Pelas notas deste “Fire”, lê-se que é o melhor trabalho de The Bug no que toca a movimento, intensidade, dinâmica e estilo. E quem somos nós para duvidar de um disco de The Bug com selo da Ninja Tune? É puro fogo. JF

Tori – Queens With Dreams [SHUVT.Resonance]

Este não é um lançamento de peak time. Aqui, o ambiente é pausado e subtil, como o deep/minimal house mais atmosférico deve ser. Neste EP, a inglesa Tori acaricia os nossos tímpanos enquanto se apresenta e nos guia pelo restante reportório da SHUVT.resonance. Deliciem-se. RC

Vários Artistas – Gravidade: Remixes [UNHA]

Foi em janeiro que os experientes Armando Teixeira e Duarte Cabaça regressaram à sua dupla Knok Knok para lançar um novo álbum, “Gravidade”, que nos levou até um futuro krautiano e psicadélico. Outros 12 atos viajaram também até esse espaço longínquo e trouxeram agora as suas interpretações dessa jornada, naquele que é um dos trabalhos que assinala a estreia da UNHA enquanto editora. Por entre acid ou sonoridades experimentais, há muito para descobrir por aqui – da remistura de Miguel Torga a Molds and Yeasts à de 2Jack4U a Sherical Space. DD

Vários Artistas – Produto Interno Bruto II [Percebes]

Desta vez, trazemos uns quantos VAs para os nossos lançamentos favoritos do mês. Mas este não é apenas mais um. Com provedoria da Percebes, o segundo volume de “Produto Interno Bruto” é uma lufada de ar fresco. A compilação arranca com hip-hop e termina com sonoridades mais eletrónicas, ainda que pelo meio passe por estilos como o dub e o downtempo – tudo isto com a ajuda de autênticos veteranos (Bambino e DJ Kronic ao lado de Ninguem, AL:X ou até DJ Flick) e não só. Uma amálgama de frequências, cuidadosamente selecionadas por Ka§par e companhia, para nosso deleite. NV

Vários Artistas – Remisturas Aileron [INFINITA]

O trio YAKUZA e a sua fórmula jazz, audível no disco de estreia “AILERON”, foram uma das surpresas mais bonitas de 2020. Agora, naquela que é a mais recente oferenda da INFINITA, quatro dos temas dessa estreia foram remisturados por Miguel Torga (que conta com a voz de Carolina Bernardo), Moreno Ácido, Iguana Garcia e Diogo. Há por aqui house, funk, breaks, enfim, um autêntica e sentida visão de quatro produtores portugueses que é simplesmente imperdível – especialmente para quem já se deliciou com “AILERON”, mas não só. DD

Vários Artistas – The Sound of Limo [Limousine Dream]

Para muitos, Gene On Earth é um segredo. Mas torna-se cada vez mais difícil esconder o talento do norte-americano. Agora, à descarada e através da sua editora, lançou-nos para as mãos 13 bombas galácticas que refletem o output sónico de Gene e dos seus pares – artistas como Sweely, Free Sugar, Roza Terenzi ou Voodoos & Taboos. Entre o rodopio de categorias, o techno, o breakbeat e o minimal, há tanto groove, tanta emoção, que só nos apetece dançar. Ao mesmo tempo que suspiramos pela reabertura das pistas, já que ninguém devia poder ouvir esta compilação em casa – é perigoso! NV

Textos por Daniel Duque, David Rodrigues, João Freitas, Nuno Vieira e Rui Castro

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