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N’A CABINE #037: Valody

31 Janeiro, 2022 - 19:08

Incessante e trabalhadora como poucos, Valody é um daqueles nomes que não podia deixar de marcar presença no nosso podcast. E com toda a classe.

Chama-se Vanessa Sousa, mas é mais conhecida pelo nome com que sobe à cabine ou com que assina faixas: Valody. E que não sobrem dúvidas: “A Vanessa é a Valody e a Valody é a Vanessa”, referiu a viseense na entrevista para este episódio de N’A CABINE.

Os seus esforços não se ficam por aquilo que faz em nome próprio. Afinal, Valody é também patroa da editora ELBEREC, uma das responsáveis pela promotora GRAVE, na sua cidade de Viseu, e foi até uma das residentes no agora extinto Física e Química, na Antena 3, por entre outros trabalhos e ofícios.

Se dependesse de si, Valody diz que “vivia só da música”, mas sabe que, pelo menos para já, “isso não é possível”. “Nem sei se algum dia vai ser”, contou também, referindo que prefere “não fazer grandes expectativas e saborear o presente”. No fundo, em parte é essa mesma humildade que faz dela um dos nomes a ter mais em conta no cenário de música eletrónica portuguesa.

Podes saber mais na entrevista abaixo, tudo isto enquanto ouves o mix cuja tracklist está disponível mais abaixo.

Como é que começou tudo para ti – desde o primeiro contacto com a música eletrónica até ao DJing?
Foi quando comecei a sair à noite para discotecas, aos 14 anos, que fui introduzida à musica eletrónica, numa altura em que Viseu tinha uma programação eletrónica regular, e o meio onde cresci certamente influenciou-me, pois todos os meus amigos sempre gostaram muito deste tipo de música. Quando Viseu já pouco ou nada nos tinha para oferecer, começamos a ir para festas de techno noutras cidades, e foi nessa altura que comecei a ouvir mais dessa música em casa e não só nas festas.

No ano de 2013, depois de já ter adquirido bastante cultura que ganhei em festivais e clubes de referência, apercebi-me que conhecia boa música que merecia ser partilhada, e foi nesse ano que iniciei esta aventura. No entanto, antes de ter a técnica eu quis primeiro ter a certeza de que tinha uma sólida bagagem musical, e comecei a seguir com mais atenção os produtores e labels que eu gostava, assim como plataformas de música eletrónica de forma a enriquecer-me ainda mais culturalmente.

Em 2017, depois de sentir que já tinha uma bagagem madura, arranjei os meus primeiros CDJs e comecei a praticar, e, ainda no fim desse ano, tive o meu primeiro gig. No início eu não tinha muita técnica, mas o meu feeling já o passava e a seleção também era boa e interessante – acho que foi isso que fez com que me convidassem para gigs. Nessa altura vivia em Lisboa e tive um bocado de sorte de ter tido ao meu redor as pessoas certas que me deram oportunidades, por verem que eu me esforçava e que tinha algo verdadeiro a dar… Não me tornei DJ da noite para o dia! Foi algo planeado com dedicação e amor que sinto que é visível a todos.

Quais são as tuas referências e/ou influências?
Eu sempre gostei e gosto muito de reggae como também de música africana, ouço bastante música de estilos que eu não toco, mas falando da musica eletrónica, nomes como Max Cooper – de quem nunca toquei músicas, mas no início era dos meus produtores favoritos. Inigo Kennedy também foi um produtor que me influenciou, assim como James Ruskin e Cisco Ferreira (The Advent), mas atualmente tenho inúmeras influências que ficaria aqui o dia todo a escrever, mas digo estes quatro artistas que me influenciaram para ter o som que tenho hoje.

O que é para ti ser DJ e o que procuras fazer em cada atuação?
Para mim ser DJ é ter muita cultura musical e partilhá-la, é tão simples quanto isto! Mas nos dias de hoje, parece que, por vezes, a música fica num plano que pouco ou nada interessa… Nas minhas actuações como DJ procuro oferecer a melhor música que eu conheço!

E neste caso, do podcast, o que preparaste para nós?
Recentemente recebi musicas unreleased e promos de amigos meus produtores, que vão poder ouvir em primeira mão, assim como uma música minha que irá sair no próximo mês, na Mãe Solteira Records, e mais outras músicas que conheci recentemente. Fiz algo mais clubbing para este podcast no registo maioritariamente de techno moderno.

Para além do DJing, tens também apostado nas tuas produções próprias. O que nos dizes sobre isso? Como tem corrido?
Já produzo desde 2016. No início ainda com muita pouca qualidade, e só no ano passado tive uma música minha a ser tocada por um produtor/DJ que é referência para mim, e isso deu-me mais confiança e força para acreditar mais nas minhas produções, mas mesmo assim ainda não estou 100% segura da qualidade, contudo cada música que faço sinto que estou a melhorar.

Deste lado parece que és um dos nomes mais apaixonados e trabalhadores de todo o cenário português. O que te motiva?
Sou apaixonada pela música, é o melhor da minha vida a seguir aos meus pais, que até já lhes disse isso para eles entenderem como isto é importante para mim, e tenho sorte porque eles apoiam-me e quando podem vão aos meus gigs. Eu por mim vivia só da música, mas infelizmente isso não é possível, nem sei se algum dia vai ser, prefiro não fazer grandes expectativas e saborear o presente, e neste momento estou completamente nas nuvens com todas as oportunidades que estou a ter que sei que são fruto do meu trabalho, e também vieram no tempo certo. “Sorte é quando a oportunidade encontra a experiência”.

Também já te vimos a assinar mixes apenas com faixas de mulheres. Como vês os nomes femininos em Portugal? Há algum ou alguns que destaques?
Estamos fortíssimas!!! Nunca houve tantas DJs portuguesas como há agora. Destaco estes nomes, a começar pelas artistas que já cá estão a mais tempo: Diana Oliveira, Violet, Inês Duarte e Kokeshi. E agora da “nova escola”, nomes como: Caroline Letho, Telma, Mvria, Luisa, Naomi, Francisca Urbano, Brusca, BETIX, Morsil, Ornella, Astrea, Patricia Brito, Mama Tehrani, Mafalda Mais, Catarina Silva, Maria Callapez, Laura, Klin Klop, Catxibi, BIIA, Rita Maomenos e OTTA. Estes são nomes que eu sinto que estão a contribuir para a nossa cena eletrónica.

Olhando ainda para o cenário português, com que olhos é que o vês? O que vês de positivo ou de negativo?
Estamos a viver tempos de ouro na nossa cena eletrónica, cada vez mais há produtores a produzirem música com muita qualidade e a serem tocadas por todo o mundo. O mais positivo que está acontecer é a nossa união! Temos uma relação muito saudável, não somos só colegas, somos amigos, existe respeito entre todos nós e entre a nova escola e os que já cá andam há mais tempo, não andamos a competir. De negativo creio que existem DJs a mais – muitos não estão aqui pelas razões certas, o que torna complicado a quem está pelas razões certas, ou seja, pela música.

Tens também a promotora GRAVE na tua cidade de Viseu. Como é o trabalho e qual é a importância deste projeto?
Tem sido uma luta por vezes frustrante, esforçamo-nos e temos resultados que falam por si, mas não existe cooperação entre as casas que têm as licenças até de manhã e as pessoas que se esforçam para trazer musica eletrónica a Viseu. Só não fazemos mais porque não podemos, estamos dependentes de clubes que colocam a música num plano em que não interessa, o que nos complica tudo.

A importância do projeto GRAVE é a de oferecer regularmente a Viseu música eletrónica. Já provamos que tendo acesso a uma oferta de qualidade, as pessoas gostam e interessam-se por este tipo de musica.

Já agora, como vês o cenário de música eletrónica no interior?
Muitos clubes aqui no interior não tem nenhum programador e isso diz tudo. A música não interessa nada, só o dinheiro. Preferem gastar o mínimo possível e ganhar o máximo possível. São casas noturnas para consumir álcool, e não para ouvir música. Mas já começam a aparecer clubes que estão com uma programação cuidada, diversificada e interessante.

O que podemos esperar de ti este ano, seja a nível pessoal ou até pela tua label ELBEREC?
Começo o ano a ser agenciada pela RDZ, o que vai me ajudar a crescer profissionalmente na minha carreira. Vão sair várias musicas minhas, assim como estou a trabalhar no meu primeiro álbum que espero o terminar este ano. A nível da ELBEREC já está quase todo o ano projetado, irão sair vários releases de artistas dos quais tenho muito orgulho em os ter na minha label.

Tracklist:
Pøl – Miracle Romb
Hedström & Pflug – Zeremonie
Qwëzall – Aiona
Decoder – Identity
Sathurnus – Sinister Entities (upcoming KRAD)
STOF – Asphyxiated Interactions
XONO – Visable Light
Palma – Tudo Muda (unreleased)
FRESKO – (unreleased)
ITSRØBBEN – Zebrax (upcoming O’CLOCK)
Backbone – Lost in K (unreleased)
Connor Wall – Product 5
ELBEREC10
astanine – Autumn Decay
Isaiah – Sweeping Through Time
CucaRafa- Garota da Rua
M.Ø.D.U.L – MS014
Valody – Sore (upcoming Mae solteira records)
Tomas kunkel – my house (unreleased)
Stef de Haan – From A Place Called Paradise

Fotografia por Diogo Lima

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