É verdade que muitas publicações já andam a partilhar listas de melhores do ano, mas preferimos deixar isso para o início de janeiro. Até porque ainda estamos a rever outubro e novembro.
A Thousand Details – Unrestful Mind [HAYES]
Um dos grandes de regresso a uma das grandes. Cientista irrepreensível sempre a cozinhar no laboratório analógico, A Thousand Details traz cinco faixas (quatro no vinil) com ênfase em acordes e groove que tanto nos remetem para a originalidade e contemporaneidade do próprio como para escolas fundadoras.
Clothilde – Cross Sections [Holuzam]
O admirável mundo vertiginoso de Clothilde. Difícil descrever. É dela e é para nosso bel-prazer. Tão singular. Assombroso mas paradoxalmente reconfortante. Fechem-se os olhos. Abra-se a mente. Saiamos daqui para um qualquer outro espaço só possível pela relação Sofia Mestre-máquina.
DJ Lycox – Guetto Star [Príncipe]
Uma espécie de afirmação máxima de DJ Lycox, “Guetto Star” é um disco abrangente que mostra a versatilidade do artista, sem nunca largar a coesão ou assinatura própria. Faixas ora festivas ora mais lentas e românticas, há diversas facetas da batida, desde a percussão absurda até linhas de baixo e melodias que transformam cada faixa numa experiência envolvente e única – ouça-se Mortal Kombat para perceber essa riqueza. Arrepiante.
Ler também: DJ Lycox: “A batida pode ser um refúgio”
Ece Canlı – S A C R O S U N [Lovers & Lollypops]
No segundo álbum, a turca baseada no Porto vai além do que a sua já reconhecida técnica e exploração vocal poderia sugerir. Aqui não só destaca a voz, mas também a presença de guitarras, sintetizadores e um grande leque de detalhes sonoros. Por mais subtil que seja, todo e qualquer elemento envolve e prende quem ouve numa experiência própria e impossível de ignorar.
Lázaro, João Vairinhos – COLINAS [Regulator Records]
“COLINAS” é deste ano mas parte de um trabalho iniciado há uma década, quando Pedro Geraldes (Lázaro) começou a recolher gravações de sons de Lisboa. Agora, ao lado da bateria de João Vairinhos e até de um coro composto por nomes como Francisca Cortesão e Inês Malheiro em São Vicente: fulminante, o ex-Linda Martini agarra no baixo, guitarra ou Moog para um disco imagético dedicado a diferentes colinas da capital que serve como um “velho álbum de retratos para enganar a saudade” que tem da terra natal.
Moreno Ácido – Duas de Copas [Percebes]
Duas faixas cheias de alma, amor e sentimento que voltam a pôr Moreno Ácido por entre as mais enriquecedoras referências portuguesas house e até techno – embora esteja longe de cingir o trabalho a esses eixos. Na faixa de abertura, o baixo e a voz envolvidos naquele beat mostram tudo que é preciso saber.
Priincess – Countryboy [Almanaque]
Priincess tem em “Countryboy” o EP de estreia com este pseudónimo. Quatro faixas que exploram sonoridades dub techno ou house mais minimal, servindo como meio para uma mensagem de melancolia que nunca deixa de lado a esperança.
Salbany – Crossroads [Paraíso]
Chamávamos-lhe “promessa do techno nacional” em 2020 e discos como este ou atuações em festivais como Neopop e Basilar mostram que estávamos certos. Fruto de atuações ao vivo em 2023, “Crossroads” é techno enérgico de sorriso na cara que relembra Detroit ou o que Salbany faz em palco, com as cerejas no topo do bolo que são os remixes de The Advent e AMX. Obrigatório.
Vários Artistas – TRANSA [Red Hot Org]
O importante espírito ativista da Red Hot Org fez chegar “TRAИƧA”, compilação iniciada em 2021 que conta com mais de 100 músicas descritas pela organização como uma “viagem espiritual” que “destaca os dons de muitos dos artistas trans e não-binários mais ousados e imaginativos que trabalham atualmente.” Alinhamento inacreditável, com colaborações de nomes como Mary Lattimore, Laraaji, Mizu e Jamal Shakeri; Jlin com Moor Mother; ou Sade de regresso aos temas com Young Lion, dedicado ao filho Izaak.
Vil – Birds of Prey [Dolly]
Dúvidas houvesse, o lisboeta dissipa-as com este LP de estreia. Disco que mostra o que este nome é, “Birds of Prey” está repleto de música para qualquer pista – as de techno, sim, mas a de house também. Detroit, dub, groove, techno repleto de acordes e apontamentos house. Vil.
Outros 10 a não perder:
Ben Klock, Fadi Mohem – LAYER ONE [LAYER]
DjRUM – Meaning’s Edge [Houndstooth]
Joana de Sá – Absedo
Iguanas – Doce (Edição de Luxo) [Cafetra Records, Rotten \ Fresh]
Ilusão Gótica – Privação Trópica [Lovers & Lollypops]
M3STR – So They Say [MALAONDA]
Stenny – Maha [Ilian Tape]
Sub Basics – Cause & Effect [Bait]
TSVI & DJ Plead – Caldo Verde [AD 93]
Vários Artistas – From Chronos to Kairos [VIC NIC]
Imagem por Catarina Ribeiro

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