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FORTE: cinco nomes para prestar (especial) atenção

24 Agosto, 2018 - 18:57

Com o arranque do Festival Forte agendado para a próxima quinta-feira, Daniel Duque e Francisca Urbano sugerem cinco atos a não perder em Montemor-o-Velho.

A quinta edição de Festival Forte promete – como de costume. São mais do que 30 artistas espalhados pelo Castelo de Montemor-o-Velho, Camping is Love e Teatro Esther de Carvalho. Pelo terceiro ano consecutivo, o festival conta com uma última noite desenhada para os mais fortes: 24h de festa sem parar (em 2016 foram 23h).

Entre os inúmeros atos estão os regressos de Surgeon (com o intitulado “hardware live”), Planetary Assault Systems, ou Function e Shlømo (ambos em formato live). Mas há muito mais para além destes, como Adam X, Alva Noto ou I Hate Models, além da estreia mundial do espetáculo Time Machines de Drew McDowall (membro dos míticos Coil) e Florence To.

Independentemente destas escolhas, a verdade é que em Montemor-o-Velho é difícil não ficar agarrado aos atos que por lá se escutam. Vê (e lê) abaixo as nossas sugestões para a edição de 2018 de Festival Forte.

1. Stanislav Tolkachev (live) às 3h (30 de agosto)
Stanislav Tolkachev é, em poucas palavras, um monstro das produções e das cabines. O ucraniano tem sido aclamado pela sua música altamente peculiar e cheia de detalhe, como se pode ouvir em Mostly Harmless, por exemplo, no álbum When You Are Not at Home, editado na Mord em 2016. Ao percorrer a discografia de Tolkachev, como o último EP, The Fridge, os pontos em comum são claros: um metodismo aliado a autênticas “modulações” que penetram o cérebro de um modo a que não estamos muito habituados.

Muitos associam Stanislav Tolkachev a um techno mais experimental, algo pelo qual tem sido responsável há mais de 10 anos – nós preferimos rotulá-lo como um intenso músico que nos divide o cérebro em, pelo menos, duas partes. Em Montemor-o-Velho, Stanislav Tolkachev atua em formato live. Não é muito certo qual o tipo de maquinaria que leva consigo até o castelo, mas é certo que nos vai colar aos assentos de uma maneira que muitos poucos devem fazer.

2. Anastasia Kristensen à meia-noite (31 de agosto)
A programação do Forte convida-nos a revisitar o passado e projetar o futuro da música eletrónica – e Anastasia Kristensen faz parte do grupo de sete artistas (com Stanislav Tolkachev) designados pela organização do festival como “os precursores do futuro”. Nós concordamos.

Kristensen é descrita como uma verdadeira “força da natureza”: as suas fontes de inspiração são diversas, e a sua busca por discos desconhecidos, ou por produções ainda não lançadas, é quase obsessiva. Os seus sets são, regra geral, imprevisíveis, obscuros, e têm muitas vezes influências do techno dos anos 90. Nascida na Rússia, e a viver atualmente em Copenhaga, faz parte de uma nova geração de djs que está a pôr a capital dinamarquesa no mapa do techno europeu.

3. Antigone b2b François X às 7h (31 de agosto)
É certo que tivemos a oportunidade de ouvir o back-to-back de Antigone e François X recentemente em Lisboa (finais de 2017), mas fechar uma noite de Festival Forte torna o acontecimento mais especial. Antigone, associado a projetos franceses como Unforeseen Alliance ou a editora Construct Re-form, é, à semelhança de François X, um daqueles nomes incontornáveis do panorama atual em França. Ao contrário de Antigone, François pode ser associado, em alguns momentos, a sonoridades house, mas neste b2b tudo deve rondar o techno. E do bom.

4. Donato Dozzy às 19h (2 de setembro)
Não conseguimos pensar em ninguém melhor do que Donato Dozzy para fechar o Festival Forte. O artista italiano é um dos mais fascinantes produtores dos últimos anos; é o expoente do techno hipnótico e abstrato, do som que não aposta no óbvio, das batidas densas e lentas que nos envolvem de forma ímpar.

De regresso ao Forte – atuou no festival pela última vez em 2015, tendo atuado também no Neopop em 2016 -, estamos curiosíssimos por descobrir o que é que o artista preparou para este grand finale: nunca se focando num só registo, podendo ir das sonoridades mais ambient ao techno mais cru e explosivo, a única certeza que temos é que trará, como sempre, uma seleção cuidada e requintada. Definitivamente a não perder, especialmente depois de Michael Mayer ter sido o responsável por fechar as duas últimas edições.


5. Caroline Lethô às 22h no Camping is Love (2 de setembro)
Caroline Lethô é o alter-ego de Carolina Mimoso, jovem dj e produtora residente em Lisboa. É a sugestão d’A Cabine para o espaço Camping is Love, o campismo oficial e de acesso gratuito do festival, onde, ao longo dos 4 dias (e após o encerramento do palco principal), atuarão artistas nacionais e internacionais. Lethô, que atua depois de Donato Dozzy fechar a festa no castelo, é uma promessa no panorama da eletrónica nacional: já lançou faixas em editoras portuguesas influentes – na AVNL, na Labareda, na Extended Records, e mais recentemente na portuense 1980 -, tem um programa mensal na Rádio Quântica, String Theory, e, juntamente com o português Photonz, atuou este mês de agosto no Berlin Atonal – foi a responsável pelo fecho da noite no Tresor a 22 de agosto! Sem dúvida, um talento a manter debaixo de olho, e que nos deliciar depois da festa no Castelo de Montemor-o-Velho.

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