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Melhores lançamentos de abril

6 Maio, 2019 - 18:45

Daniel Duque, Francisca Urbano e Rui Castro escrevem sobre os lançamentos mais importantes do mês de abril.

DJ Vibe – Da Lapa [Discotexas, 4 de abril]
Da Lapa é o mais recente trabalho do veterano Pereira, dj, produtor, pioneiro e nome incontornável da história da música eletrónica portuguesa. O EP, composto por três faixas, traz-nos “uma electrizante selecção de house”, com muito groove e ritmos tribais à mistura, numa celebração das influências primordiais do artista português. Da Lapa saiu pela Discotexas, a editora criada por Moullinex e Xinobi, que recentemente nos surpreendeu com uma nova imagem e comunicação (é agora DTX). O trabalho foi apresentado ao público numa festa no Lux Frágil a 5 de abril e ainda não saiu das nossas playlists desde então.



Steve Parker – LSD [Muted, 5 de abril] 
Este novo trabalho chega através da Muted, a recém-criada editora do “nosso” Steve Parker, o que é, desde logo, motivo suficiente para nos chamar à atenção. Mas essa atenção é redobrada quando começamos a ouvir LSD, EP composto por duas faixas originais e dois remixes de Gotshell e Arkvs. É certo que produtor colombiano e a dupla holandesa assinam duas remisturas interessantes, mas o nosso fascínio recai sobre o techno das intensas e notáveis músicas originais deste lançamento, LSD e Psychedelic Therapy.



Daniel AverySongs For Alpha B-Side & Remixes [Mute Records, 5 de abril]
Cerca de um ano depois de editar Songs For Alpha, o britânico Daniel Avery vê o seu mais recente álbum ser remisturado por uma série de artistas que trazem novas sonoridades a músicas como Slow Fade (por Actress), Quick Eternity (por Four Tet), Glitter (por Anastasia Kristensen e Jon Hopkins), Diminuendo (por Luke Slater e Patrick Russell), Projector (por SHDW & Obscure Shape) e Radius (por Surgeon). Não são os nomes sonantes que fazem deste release aquilo que é; é antes a qualidade de cada uma das produções que se escuta.



Prins Thomas – Ambitions [6 de abril, Smalltown Supersound]
Inspirado por Jon Christensen, Daniel Lanois ou Ricardo Villalobos, Ambitions é o sexto álbum do dj e produtor norueguês Prins Thomas (e o segundo a solo pela Smalltown Supersound). Considerado pela Pitchfork como o seu longa-duração mais coerente, Ambitions é um trabalho composto por sete temas, gravados durante os últimos dois anos entre quartos de hotel, aeroportos, backstages ou o pátio de sua casa. Curioso o suficiente, as faixas surgiram como “ideias soltas”, e apenas mais tarde se pensou em juntá-las num álbum. Feel The Love é o grande single do álbum – inclui um sample de um tema de Alex (Naumik), uma estrela pop da música norueguesa dos anos 70/80 – mas deve-se ouvir cada uma das faixas com toda a atenção.



Fracture – Big Up The Ladies [Astrophonica, 12 de abril]
De Fracture podemos esperar quase tudo, mas não estávamos à espera disto. O patrão da Astrophonica, editora pela qual lança este EP, usa e abusa de todas as suas influências para criar algo fresco, futurista e desafiante. Da batida 4/4 de um techno bass acelerado da faixa que dá nome ao trabalho, à Percussion Sweet que adiciona um sintetizador reese de nostalgia rave à mesma identidade da anterior, passando pela Verhoeven de tonalidades electro dignas da banda sonora de um filme de ficção científica, este é um lançamento que não facilita a vida às distribuidoras no que diz respeito à catalogação de género.



Logos – Imperial Flood [Different Circles, 12 de abril]
Cinco anos depois de lançar o álbum Cold Mission, o britânico Logos assina um novo longa-duração. Imperial Flood foi produzido entre 2015 e 2018, e, segundo a editora, é composto por “material pastoral” de sonoridades escuras, o que ajuda a definir o trabalho como um lançamento que está afastado do que é típico de uma pista de dança – com excepção de Zone In, com participação de Mumdance, faixa que facilmente pode fazer parte de um set numa rave repleta de suor. Influências ambient, drone ou de dubstep e drum’n’bass britânico marcam este álbum que nos remete para um (belo) mundo à parte.



Christophe – Rok The Hall/Like That [Me Me Me, 12 de abril]
Em Rok The Hall, original e remix parecem estar trocados quanto ao seu autor. A original sabe muito mais a Johnny Aux (ou, mais concretamente, a Paranoid London, da qual este faz parte), dado o acid electro hipnótico com vocais a condizer, enquanto que o remix é mais etéreo e leva a faixa para campos mais deep, característicos de algumas das produções prévias de Christophe. Em Like That, a nossa escolha vai para a versão original que resgata a energia do acid house primordial para uma versão plena de groove. A Me Me Me classifica este lançamento como “superb future retro” e o rótulo assenta-lhe bem.



Lauren FlaxOne Man’s House Is Another Woman’s Techno [The Bunker New York, 19 de abril]
Raramente ficamos entusiasmados quando nos mandam trabalhar, mas tal não se sucede com (You Have to) Work, a faixa que destacamos neste novo EP de Lauren Flax. As influências da sua terra natal, Detroit, entram em jogo por entre bleeps, claps, percussão e vocais tão apelativos quanto dopantes. As restantes faixas entram no mesmo registo analógico, bem percussivo, mas com mais acid à mistura. Não é um trabalho inovador, mas One Man’s House Is Another Woman’s Techno tem os elementos e a pujança necessários para causar alvoroço nas pistas.



KarennKind Of Green [Voam, 22 de abril]
Depois de uma série de lançamentos entre 2011 e 2014, viveu-se um período de interregno para a dupla formada pelos britânicos Blawan e Pariah. A espera trouxe frutos, no entanto, e os Karenn arrancaram com uma nova editora, Voam, onde lançaram este EP Kind Of Green, que, na versão digital, conta com cinco faixas originais. É possível que este selo Voam seja completamente dedicado à música do duo, e, se assim o for, antecipa-se um período de bonança no que diz respeito a faixas tão exímias quanto estas que compõem Kind Of Green.



MehenI’ve Heard A Lot About Harmony EP [Amniote Editions, 22 de abril]
Puro techno de Copenhaga, I’ve Heard a Lot About Harmony é um trabalho do produtor francês Jeremy Bonnet, composto por quatro faixas intensas e de ritmos rápidos. É pela Amniote Editions, a editora e plataforma criativa da dinamarquesa Sara Svanholm (Mama Snake), que sai este incrível EP, lançado simultaneamente com dois outros trabalhos – In Turiya, de Sisilisko (aka Celestial Trax), e  Cluster A, de AEpep. Jeremy Bonnet é geralmente mais conhecido por Hadone, mas usa pela primeira vez o nome de Mehen para apresentar este EP – na verdade, os três artistas por trás destes três trabalhos criaram alias específicos para este lançamento triplo.



Enkō, InversusMurmur EP [Arctic Dub, 25 de abril]
São duas atmosféricas e envolventes faixas originais que marcam este trabalho de escuta obrigatória, com os patrões da Arctic Dub, Augen (tcp Gabi von Dub) e Dave Wesley, a assinar dois fervorosos remixes. Diz-se por aí que só agora é que chegou a oportunidade de Enkō e Inversus se juntarem em estúdio, algo que ambos já queriam fazer há algum tempo. A nossa pergunta é: quando é que chega a próxima oportunidade? Já estamos à espera.



PantenePantene [Super Utu, 25 de abril]
O formato canção é presença rara nas nossas escolhas mensais, mas este trabalho homónimo da banda berlinense Pantene merece quebrar tal tendência. Os Pantenesurgem em 2015, e as faixas presentes neste EP estiveram a marinar no SoundCloud desde então. Felizmente, a editora parisiense Super Uto decidiu que estava na altura da pop-eletronica, de melancolia hipnotizante e vibe old school, chegar ao grande público. Dont Touch Me I´m Dancing é o que por vezes nos aprece dizer quando estamos a absorver a vibe e a música na pista. Este é também o nome da música que destacamos, cujo refrão absolutamente dopante anda a circular em loop nos nossos ouvidos, numa perseguição simultaneamente prazerosa e sádica. Obrigado, Super Uto.



Vários Artistas – Rave Tuga Vol. 2 [Paraíso, 26 de abril]
Depois de um primeiro volume com veteranos como Model 9000 e Alex FX ou jovens como Pedro, o segundo volume do projeto que celebra a música eletrónica nacional conta com música de, entre outros, Emauz, Photonz, BLEID, Internal NY Rhythms (tcp Trikk), 2Jack4U e Elite Athlete. A compilação começa com Mind Safari numa viagem pelo cosmos com Interstellar Communication e termina com uma alucinante e penetrante Alter Glider de Sabre, plantando no ouvinte uma vontade enorme de ouvir o terceiro volume – ou de voltar a escutar os dois primeiros lançamentos.



VIL – Commander EP [Carpet & Snares, 28 de abril]
O cofundador da Hayes está imparável. Em abril, o dj e produtor lisboeta presenteou-nos com Old Turns New na Planet Rhythm e com uma faixa como Driven em RSD19, mas, para a nossa redação, salientou-se com este Commander, o primeiro lançamento do catálogo Steam da Carpet & Snares. Além de Jeroen Search ficar a cargo de um remix à música que dá título a este 12’’, VIL assina quatro faixas explosivas que não só nos deixam completamente agarrados aos auscultadores dado o seu alto calibre, como fazem também prever um futuro bastante promissor para Nuno Costa enquanto produtor de música techno.



Lavance – Totem [Counterpoint Recordings, 29 de abril]
Este é, provavelmente, o melhor lançamento da editora portuense Counterpoint Recordings até à data. Totem EP vê o belga Lavance, que já havia editado um EP para a sub-editora Counter x Culture, a explorar vários estilos e a apostar na sua ousadia para criar algo único. Conta com a participação de Scepticz, um veterano que contribui para a emotividade e clima sonhador de Mercury, e ainda de Klinical, um talento emergente de Inglaterra que auxiliou na construção da chapada sónica que é Crush. O lado negro do EP fica a cargo de Continuum, com um ambiente sinistro e uma bassline que fará rugir qualquer sistema de som, em oposição a Totem, que se traduz numa loucura percussiva totalmente fora da caixa.

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