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Melhores lançamentos de outubro

9 Novembro, 2019 - 13:05

Daniel Duque e Rui Castro falam sobre aqueles que, para nós, foram os melhores lançamentos do mês de outubro.

Lake Haze – Glitching Dreams [E-Beamz, 4 de outubro]
Depois de levar a sua música a editoras como a Unknown To The Unknown e a Crème Organization, o português baseado na Holanda está de regresso à britânica E-Beamz com “Glitching Dreams”, o seu primeiro álbum. Descrever este trabalho não é fácil; afinal, Gonçalo Salgado vai muito além de uma simples fórmula, explorando sonoridades que passam pelo acid, electro, breakbeat, IDM, jungle e techno. Mas uma coisa é certa: “Glitching Dreams” é um disco etéreo e sonhador de escuta obrigatória.



DJ Nigga Fox – Cartas Na Manga [Príncipe, 5 de outubro]
O DJ e produtor Rogério Brandão está mais forte do que nunca. E quem melhor para editar o seu primeiro longa-duração se não a Príncipe, label que lançou os três EPs que antecederam a passagem de DJ Nigga Fox pela Warp Records, com “Crânio”, em 2018? É claro que ao longo das nove faixas de “Cartas Na Manga” se escutam influências africanas – Brandão é natural de Luanda – mas este disco é muito mais do que isso. As lojas catalogam o trabalho com etiquetas como experimental, ghetto, techno; nós, como um trabalho maduro e altamente viciante.



Ryan James Ford – Eastern Exposure [Dream Ticket, 8 de outubro]
É difícil não considerar este “Eastern Exposure” como um dos lançamentos mais interessantes do mês de outubro. Editado pela Dream Ticket, sub-label da Carpet & Snares gerida por Roy, o EP é o novo disco de 2019 do fundador da Shut e sucede trabalhos como “Face Me” e “Out of the Wreckage”, lançados pela Clone Basement Series e pela sua label, respetivamente. Mais uma vez, Ryan James Ford baseia-se numa receita cujos ingredientes vão do electro ao breakbeat, resultando numa deliciosa refeição de cinco faixas. É ouvir (e repetir vezes sem conta) para crer.



Photonz – Nuit [Dark Entries, 11 de outubro]
A cada lançamento, Marco Rodrigues afirma-se como um dos mais interessantes produtores do país. Ora nos presenteia com techno, ora com electro, ou até com outras sonoridades, Photonz sabe o que está a fazer quando está em estúdio. Em 2018, o lisboeta já havia passado pela Dark Entries com o notável EP “Etheric Body Music” e, agora, regressa à editora de São Francisco com o seu primeiro álbum, “Nuit”. Neste disco, Rodrigues prova o seu ecletismo ao longo de 11 faixas e, mais do que isso, apresenta uma história coesa e coerente que dificilmente passa ao lado do ouvinte mais exigente.



Silvestre – Silvestre Is Boss [Secretsundaze, 11 de outubro]
“Silvestre Is Boss” começa com a slow jam de Jumping Intro, faixa onde o próprio profetiza o que aí vem – “Vai ser grande EP”. E, de facto, a mestria de produção está em clara evidência em Lights, onde o ritmo e os sons metálicos que acompanham se dissolvem num final a soar a versão lo-fi house de Never Leave You, de Lumidee. O breakbeat reggaeton enigmático de Fuego sofre um twist mais suave e tribal no remix do parisiense D.K, enquanto a polivalência do lisboeta baseado em Londres continua no electro de Paying The Rent e no funky house da faixa de encerramento do EP, Back To Hometown. “É preciso dizer mais o quê? Ganda disco”.



Anunaku – Whities 024 [Whities, 18 de outubro]
O 24º lançamento da Whities assinala o primeiro trabalho de Guglielmo Barzacchini como Anunaku, produtor mais conhecido pelo seu alter-ego TSVI. Aliás, a editora londrina refere que este EP é uma “continuação” do álbum de estreia de TSVI, “Inner Worlds”, lançado há um ano, e consegue-se adivinhar o porquê de ser um considerado um seguimento desse longa-duração. Mas o que importa agora é Temples, Bronze Age e Forgotten Tales – o destaque vai para a segunda – faixas marcadas por uma forte exploração de instrumentos de percussão de todo o mundo, mas que não esquecem os ingredientes que marcam a música rave do Reino Unido.



Wanderwelle & Bandhagens Musikförening – Victory Over The Sun [Semantica, 21 de outubro]
A dupla holandesa Wanderwelle, composta por Phil van Dulm e Alexander Bartels, e o duo sueco Bandhagens Musikförening, de Isorinne e Hypnobirds, juntaram-se pela primeira vez em estúdio para deleitar a cena com um brilhante álbum intitulado “Victory Over The Sun”. Neste disco, há uma forte abordagem à música ambient, mas respira-se também muito dub techno – e, quem sabe, inspira-se em muito electro e IDM. Não se trata do típico lançamento da Semantica, mas damos graças à label de Svreca por ter editado este emocionante e magistral trabalho.



Artilect – Rhythm Seeker EP [Samurai Music, 25 de outubro]
Ao vislumbrar este lançamento pensámos “Artilect e Samurai Music juntos? Isto vai ser bom”. Acabou por não ser uma previsão, mas sim um spoiler. O artista de Manchester faz parte de uma elite de produtores ousados – Loxy, Homemade Weapons, Paradox, The Untouchables, entre outros – que deambulam por entre o halftime mais sombrio e o jungle moderno, explorando as texturas rítmicas sem barreiras, algo que o drum‘n’bass permite. É o caso de Rhythm Seeker e de Mefo, duas faixas que comprovam esta atitude disruptiva face à norma habitual do género. Provavelmente, tocá-las ao vivo em Portugal, por exemplo, seria homicídio de pista. Mas talvez esteja na altura de sair da caixa.



East Of Eden – East Of Eden LP [Distant Hawaii, 25 de outubro]
Tu aí, que estás a trabalhar e precisas de um bom house para te alegrar o mood e pôr-te a mexer (sem histerismos ou devaneios), sente só este gourmet. O italiano Nicholas faz uso do seu pseudónimo East of Eden para lançar um álbum homónimo de nove faixas, que transbordam groove por tudo quanto é sítio – ou não fosse editado pela Distant Hawaii, sub-label da Lobster Theremin. Ouçam de fio a pavio, mas atenção ao breakbeat sublime de Yume Name Koto e de Dub House, e ainda ao tribalismo funk de Adventures In The Dream Tribe Pt. 2.



EDND – Rupture Of Plane [Paraíso, 25 de outubro]
É por estas e por outras que A Cabine existe. Queremos fazer chegar aos portugueses aquilo que se faz pelo país, e o EP de estreia de EDND, também conhecida por integrar a dupla Roundhouse Kick, não é excepção. Neste “Rupture Of Plane”, escutam-se três faixas originais de Adriana Lourinho e um remix de Photonz, nas quais os mais variados elementos, desde as linhas de baixo até os ritmos, a passar pelas melodias, prendem-nos por completo aos auscultadores. Um trabalho que bebe muito da música techno, e não só, e que promete fazer vibrar pistas e sistemas de som por todo o país.



ZZY – Plastic Jazz [Lançamento independente, 25 de outubro]
Infelizmente, este projeto de José Veiga ainda não tinha chegado aos nossos ouvidos antes de “Plastic Jazz”. Desde 2017, ZZY levou três trabalhos à argentina Abstrakt Reflections, incluindo o seu álbum de estreia, Artificial Thoughts. Ainda assim, esse seu primeiro longa-duração tem uma abordagem diferente, quando comparado com o mais recente EP, explorando caminhos mais abstratos e experimentais. Neste “Plastic Jazz”, que destacamos como um dos mais interessantes de outubro, o músico José Veiga mistura influências e instrumentos do mundo jazz a outros recursos eletrónicos para compor um EP que é, além de consistente, muito agradável.



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