AUTOR

A Cabine

CATEGORIA
Artigo

Lançamentos favoritos de fevereiro

10 Março, 2022 - 18:17

Por entre tantos outros, escolhemos 14 discos que nos encheram as medidas em fevereiro.

1-800 Girls – When U Call EP [Shall Not Fade]

Neste lançamento fortíssimo, e super compacto, com selo de qualidade Shall Not Fade, o londrino 1-800 Girls faz um tributo aos ravers madrugadores, com uma mistura entre as sonoridades mais etéreas da rave dos 90 e o UK bass contemporâneo. Para nós, a pérola deste EP reside no misto de melancolia e fervor contida de OCB, que nos transporta para um universo paralelo de paz ritmada e que nos enche a alma. Lindo!

AL:X – Contemplativo [Percebes]

Fossem necessárias apresentações, Alexandre Talhinhas foi uma das caras da CoolTrain Crew, um coletivo pioneiro no surgimento de sonoridades como drum’n’bass em Portugal. Atualmente a residir em Singapura, AL:X traz uma sonoridade bem fresca até à Percebes, pela qual se estreia a solo com um disco bem enérgico e imperdível.

Bandua – Bandua [Frente Bolivarista]

Bandua é o novo projeto de Bernardo D’Addario (Tempura) e Edgar Valente, dupla que divulgou o seu primeiro trabalho em fevereiro. E ninguém ficou indiferente. Afinal, este é um álbum único, que junta o folclore português ao downtempo berlinense, poemas e técnicas da Beira Baixa à música folk. Uma receita a desafiar as noções de espaço e tempo que continuará nos nossos ouvidos por muito tempo.

Bezbog – Dazhbog [Favela Discos]

Se estás à procura de música experimental singular e viciante, não procures mais. Num mês em que a Favela Discos pôs também cá fora o brilhante disco homónimo de Batsaykhan, a dupla formada por David Machado e Dora Vieira assinou um novo álbum. Novamente com instrumentos de sopro ou recursos eletrónicos que ajudam a imprimir a peculiaridade drone de “Dazhbog”, qual vida numa masmorra, Bezbog faz música digna de perfilar um filme de David Lynch ou até de acompanhar os nossos pesadelos (ou sonhos?) mais obscuros.

Blocks & Escher – Shot In The Dark [R&S]

Blocks & Escher estreiam-se nesta editora com um EP de quatro faixas marcadas por traços industriais bem pesados. Há espaço para o techstep quantitizado industrial, ambiente, half-time, drumfunk e claro, para os breaks clássicos. A programação de baterias é assustadora, tal como as atmosferas que se vão criando.

Border One – Cyclone EP [Token]

O artista de Bruxelas voltou à Token com muito groove, hipnose, texturas e synths espaciais. Os quatro temas abrem espaço para serem ouvidos nos diferentes momentos da noite, em warm-up ou peak time. Boas malhas, no fundo.

Hidden Horse – Opala [Holuzam]

A Holuzam não cessa em trazer grandes trabalhos até os nossos ouvidos. Em fevereiro, foi a vez de “Opala”, álbum de estreia da nova dupla de João Kyron e António Watts, ambos membros de projetos como Beautify Junkyards. Por aqui, o duo anda por caminhos tão introspetivos quanto enérgicos e industriais – tudo feito ao pormenor, note-se. De sintetizadores a percussões orelhudas, a passar por vozes em spoken word, o difícil é não repetir a escuta assim que acabam os 30 minutos de disco.

Lipelis vs TMO – Function As A Meaning [System 108]

Lipelis, que é também TMO, junta o melhor destes dois mundos, numa fusão de heterónimos que resulta numa verdadeira evocação à dança, naquele que é o seu trabalho mais festivo até à data. O já veterano DJ e produtor é maioritariamente conhecido pelo ecletismo e amplitude sonora que aplica nos seus sets e músicas, mas este “Function As A Meaning” segue uma linha orientadora coerente de house ritmado, criativo e groovy que se destaca claramente no seu reportório.

Luhk – Novos Horizontes [Carpet & Snares]

Não restam dúvidas: Luhk é um dos produtores mais intrigantes dentro do universo mental e galáctico da música eletrónica a sair de Portugal. Composto por cinco temas, entre vários estilos (e benditas linhas de baixo), “Novos Horizontes” é, para nós, um dos melhores lançamentos do mês – e provavelmente do ano neste campo de sonoridades. Se ainda não ouviram, não esperem até o vosso DJ favorito o lançar na pista de dança.

Phaser – Genesis (Remixed)

O álbum de estreia de Phaser viu a luz do dia no final de 2021 e trata-se de uma “viagem entre o real e o virtual” que é agora reinterpretada por 14 atos. A diversidade é a palavra de ordem: tanto ouvimos rasgos de funk ou música bass como altos BPMs em faixas de trance. Neste trabalho, Phaser disse ter olhado “para dentro” à Rimas e Batidas, permitindo agora que nomes como Dianna Excel, ARCANA e Adler Jack & Vert Gum cruzem o seu olhar com outras realidades.

Rkeat – Kredu Kruz [KEY Vinyl]

Rkeat é um daqueles nomes que não se cinge (de todo) a um só movimento. Já o vimos a assinar beats para Sippinpurpp e vemo-lo agora a assinar um disco pela label de Freddy K. “Kredu Kruz” são quatro faixas com o modo groove em full on. Há toques de sci-fi, tribal, hipnose e muito swing – e ainda há tempo para uma colaboração com Salbany neste potente exclusivo de vinil.

Sathurnus – Reminiscence [KRAD]

Sathurnus é um daqueles nomes portugueses de techno para manter debaixo de olho – se ainda não o estás a fazer, este EP é uma boa porta de entrada para essa aventura. Com selo da KRAD, editora e coletivo de que este DJ e produtor faz parte, “Reminiscence” está repleto de armas para pistas, pistas essas que irão certamente vibrar com a energia, rapidez e groove que se relacionam com um lado que tem tanto de clássico como de contemporâneo.

Violet – Transparências [Rádio Quântica]

Três anos depois do primeiro, “Transparências” é o terceiro longa-duração de Violet (aka Inês Coutinho) e oferece-nos duas mãos cheias de temas com estilos e propósitos diferentes, para que encaixem em vários humores ou circunstâncias. Inspirada por Delia Derbyshire ou Wendy Carlos, há músicas para dançar e para arrumar – todas elas “peças de suporte à nossa rotina”, sugere a artista. Entre ambient, downtempo, jazz e jungle, este passeio faz-se por vários terrenos – e as surpresas são tantas!

Yawn Society – Soma

A equipa da bracarense Bazuuca tem um podcast chamado “Há Disto em Portugal?” e é essa mesma pergunta que fazemos com este “Soma”, que assinala a estreia deste trio. Formada por Duarte Reis (teclados e sintetizadores), Gonçalo Diogo Morais (guitarras) e José Veiga (aka ZZY, na programação de ritmos e sound design), a Yawn Society assina aqui uma fusão de drum’n’bass ou jungle com movimentos de jazz mais contemporâneo. É preciso dizer mais? Apertem play e deliciem-se.

Textos por Carina Fernandes, Daniel Duque, João Freitas, Nuno Vieira e Rui Castro

relacionados

Deixa um comentário






t

o

p