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N’A CABINE #038: Inês Duarte

11 Março, 2022 - 19:33

Um set mágico e vibrante com assinatura de uma das residentes do Lux Frágil.

Há 12 anos estava a “pôr música mais a sério” num bar viseense já extinto, hoje é uma das residentes do Lux Frágil. Pelo caminho, DJs, livros e momentos que a trouxeram até aqui.

Depois de passar por espaços como Ministerium, Inês Duarte começa a atuar como DJ residente no Lux em 2018. Mas já conhece o clube há mais tempo, claro: “Frequento o Lux como cliente desde os 18 anos e rapidamente se tornou na minha segunda casa”.

“Poder fazer parte da equipa aos 34 é um bocado a ‘cadeira de sonho’”, conta-nos ainda, mas há muito mais nesta DJ para além do Lux Frágil. Ainda recentemente, Inês pôs cá fora Rua da Alegria, uma colaboração com Mauno Koivisto que estreou pela ELBEREC, e está para breve um outro tema, que está incluído neste set.

Inês Duarte é também a primeira cronista convidada do nosso site. Este mês, no entanto, lançamos o desafio: um set em vez de uma crónica.

Por aqui, ao longo de mais de 1h30, Inês dá-nos puro fogo de “house rápido, techno e trance lentos” e, mais ainda, mostra como se transforma numa contadora de histórias quando está numa cabine.

É sabido que atuas como residente no Lux Frágil, mas a tua história começa antes disso. Consegues recordar um pouco do teu percurso?
Consigo, claro. Faz este mês, creio, 12 anos desde a primeira vez que pus música mais a sério – num pequeno bar em Viseu que já não existe. De repente começo a ir ao Porto, a Coimbra, à Guarda, à Figueira da Foz, por carolice de pessoas que foram conhecendo o meu trabalho, fosse por gravações ou por recomendação de outros. O mais difícil foi, por estranho que pareça, entrar no circuito da minha cidade, Lisboa. Em Lisboa relembro com gosto e saudade o também já encerrado Brownie, que me acolheu e onde aprendi muita coisa. Integrei durante alguns meses a equipa de residentes que abriu o Ministerium. E depois começo a escrever para o Lux, a fazer o terraço praticamente todos os meses, substituo o Dexter numa warmup na disco e a partir daí fui tocando com regularidade nos vários pisos do Lux Frágil. A residência chega em 2018.

Quais foram as grandes influências (de nomes a momentos, se quiseres) que te inspiraram a fazer disto vida? Há algum DJ que destaques, por exemplo?
Houve um momento chave que foi ouvir o Dixon em 2008 no Pitch, no Porto, e pensar “também quero fazer as pessoas felizes numa pista como ele me está a fazer feliz a mim!”. Até aí não tinha considerado ser DJ. As primeiras experiências em festivais de música electrónica também ajudaram bastante, porque até aos 18 anos eu era uma miúda tímida cujos amigos só gostavam de rock e, portanto, nunca ia a discotecas ou festas. Não percebia bem o poder de um DJ. Quando se fez o “clique” em que percebi que adorava dançar numa pista, e mais tarde que queria ser DJ, aprendi muito a ouvir o Tozé Diogo, Zé Salvador, Serginho, André Cascais, Rui Vargas… fiz uns bons quilómetros atrás deles. Já ouvi dezenas e dezenas de DJs estrangeiros mas vou sempre destacar na minha formação os nossos que mencionei. O Rui, especialmente, toda a gente sabe a minha admiração não só pelo seu trabalho como pela sua postura enquanto profissional.

Falaste recentemente sobre a importância de DJs residentes e, por isso, perguntamos: para ti, o que significa ter a oportunidade de ser residente de um espaço como o Lux?
É uma escola tremenda, uma responsabilidade enorme e um prazer imenso. Cada piso e cada noite tem as suas características, e isso permite-me não só não estagnar, como explorar as mais variadas sonoridades. Podem-me encontrar a passar Soul, Disco, Breaks ou Techno conforme o horário e sítio. E é desafiante fazer warmups a DJs de vários quadrantes, orgulho-me um tanto dos meus warmups, acho que um DJ completo tem de os saber fazer, com gosto. Para além disto, é trabalhar num clube onde nenhum pormenor é deixado ao acaso, onde cada um se insere numa cultura e atitude que já existe há 23 anos, estamos todos a remar para o mesmo lado. Frequento o Lux como cliente desde os 18 anos e rapidamente se tornou a minha segunda casa. Poder fazer parte da equipa aos 34 é um bocado a “cadeira de sonho”.

Esta é uma pergunta ingrata, mas diz-nos: qual o disco (ou discos) da tua vida?
Em termos de música electrónica de dança, o disco é o “Dubnobasswithmyheadman”, dos Underworld. Fora daí, talvez o “Mingus Ah Um”, do Charles Mingus.

Sabemos também que gostas de ler literatura sobre música de dança. O quão importante foi isso para ti? E, já agora, algum livro que recomendes aos nossos leitores?
Foi muito importante para mim ler sobre a história da música de dança… especialmente a electrónica. Continua a ser. Cidades, pessoas, movimentos, rituais. Eu desperto para a electrónica praticamente sozinha, sem pares que me ajudassem a descobrir nada, e encontrei nos livros, revistas e na internet (antes do Youtube e antes das redes sociais, imagine-se) a forma de absorver o maior conhecimento possível. Quanto a recomendar um livro, se só forem ler um, então leiam o “Last Night a DJ Saved My Life”, do Bill Brewster. É um bocado a recomendação universal…

Como é que te descreves enquanto DJ – se é que sequer te é possível fazê-lo?
Pergunta do milhão! Vou tentar… Bom em primeiro lugar, gosto de partilhar música e fazer dançar as pessoas, criar momentos vincados nas noites, jogar com a energia da pista de dança. Não sou fundamentalista de algum género, o ecletismo é um bocado cliché neste tipo de resposta mas não me vão mesmo encontrar a tocar a mesma coisa às 5 da manhã numa pista escura para mil pessoas ou num bar intimista ao início da noite. Gosto de fazer sets longos, quanto maiores melhor, e sou tímida p’caraças enquanto trabalho. Espero que isto não soe demasiado pretensioso.

O que é que decidiste fazer para este episódio?
Um apanhado de temas de que gosto, sem olhar a datas de lançamento. House rápido, Techno e Trance lentos. Pelo meio um original meu que irá sair na Elberec lá mais para o Verão, em tudo correndo bem.

Para terminar, uma pergunta da praxe por aqui: como olhas para o cenário de música eletrónica em Portugal?
Acho que estamos bem e iremos estar melhor ainda. Há pessoas com vontade de fazer acontecer, que não baixam os braços. Eu nunca fui muito assim, fui-me focando sempre mais em pôr música, mas felizmente há quem organize festas, tenha editoras, abra clubes… temos variedade e qualidade!

Fotografia de capa por Luísa Ferreira

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