AUTOR

Daniel Duque

CATEGORIA
Entrevista

David From Scotland: “Temos todo um futuro para fazer o que bem nos apetecer”

8 Junho, 2020 - 18:30

Estreou esta segunda-feira o single futurewillbebetter, dos David From Scotland, portuenses com quem conversámos sobre o longa-duração marcado para 2021 – e não só.

Dois anos depois dos EPs “Winter Wise” e “Baywatch Drive”, os David From Scotland lançam agora o primeiro single de “Hooligan’s Heart”, o álbum de estreia do duo formado por David Félix, baixista dos extintos O Abominável, e Diogo Barbosa, fundador da Throwing Punches.

Para esta futurewillbebetter, os portuenses convidaram EVAYA para dar voz ao tema, numa música onde a dupla bebe de fontes de inspiração como o universo da synthwave.

O projeto surgiu em 2016 pelas mãos de David Félix, que nesse ano editou o single Neon Nymph, com participação de Vitor Pinto, vocalista que integrou também a banda Malibu Gas Station ao lado de Félix, Diogo Barbosa e João Losa. O agora duo deu alguns concertos desde então, mas as atenções têm estado viradas para este primeiro álbum, que deve estrear “no início de 2021”.

Vê e ouve futurewillbebetter, com vídeo de Luís Sobreiro e masterização de Miguel Moura, e lê a entrevista com a dupla mais abaixo.

Como surgiu a ligação entre os dois?
David Félix (DF): Somos amigos de longa data, e partilhamos gostos, muito fortes, em comum. Principalmente todo um fascínio pela cena de Manchester (até a nossa banda favorita é a mesma: New Order), mas também coisas dos 80s (Phill Collins, Aha, Rod Stewart, Tears For Fears). Então quando comecei a querer tornar o projeto mais sério, e com uma maior componente de banda, o Diogo era a pessoa certa, por todos os motivos, para partilhar o caminho futuro de David From Scotland. É aquela premissa: ele é dos meus melhores amigos, gostamos muito das mesmas coisas, queremos o mesmo no universo da música…

Já passou algum tempo desde que apresentaram o projeto Malibu Gas Station e até mesmo desde as últimas edições de David From Scotland. O que mudou desde então?
DF: Todo um processo de composição foi melhorado e descomplicado. Ambos fazemos parte de Malibu Gas Station, e confesso que o processo de composição em MGS ajudou a descomplicar um pouco a produção deste álbum que estamos a preparar com DFS. (O Vítor Pinto e o João Losa, que fazem parte de MGS connosco, sempre me influenciaram muito, não só na amizade, mas como na música, desde os tempos de Abominável. Toda essa partilha acaba por ser fundamental para dar um tom diferente ao caminho que queremos seguir).

Depois, o que acaba por mudar, dentro deste mesmo processo de composição, entre as últimas edições e o álbum “Hooligan’s Heart”, é a maquinaria usada. Se os dois primeiros EPs foram completamente esmiuçados com o M1 da Korg, o álbum, que levará um toque totalmente mais 80s, acabou por ter na sua produção, a génese dos sintetizadores, DX7 e Juno. Toda essa atmosfera acabou por ser fundamental para definir o som que queremos no nosso futuro. Desde o lançamento do “Baywatch Drive”, em 2018, que nos temos centrado a fazer algo mais concreto, e com todos os pontos cruzados. Foi o tempo necessário para nos sentirmos confortáveis e contentes com um determinado caminho e objetivo.

Volvidos dois anos desde os primeiros EPs de David From Scotland, qual o balanço que fazem de “Winter Wise” e “Baywatch Drive”?
Diogo Barbosa (DB): Na verdade, não sou a pessoa mais indicada para falar sobre o “Winter Wise”, pelo menos no que toca à parte da composição, produção, etc. Nessa altura ainda não fazia parte da banda, mas como o David já referiu, somos amigos de longa data, ou seja, acabei por acompanhar o processo mais como amigo e como fã que era do trabalho dele e não como interveniente direto na música (…) Mas do lado de fora aquilo que vi foi que teve uma ótima receção por parte da crítica e do público. No “Baywatch Drive”, quando começamos a trabalhar juntos, estive, como é óbvio, bastante mais presente e apesar de ter sido um EP bastante mais experimental em comparação com aquilo que o David já tinha feito, e mesmo com aquilo que estamos a preparar, penso que, e para nossa surpresa, também foi bem recebido. Digo isto porque passado algum tempo ouvimos as músicas e pensamos que aquilo estava demasiado fora, até pela forma como o David “cantava”, mas a verdade é que recebemos imensas mensagens de pessoal a dar apoio e isso depois também se refletiu nos concertos.

Podem falar um pouco sobre este novo single do vosso álbum de estreia, que conta com voz de EVAYA?
DB: Acho que este single é um bocado o culminar de tudo aquilo que gostamos e do que são as nossas influências que vão desde os New Order aos ABBA, ou dos Happy Mondays ao Sam the Kid, e de tudo que cabe dentro desse espectro musical que é muito amplo. Ambos gostamos de música e de ouvir música sem olhar muito a género ou a conceitos sociais que muitas vezes estão ligados a esses movimentos. A EVAYA é uma artista de quem gostamos bastante e com quem foi extremamente fácil trabalhar também porque entendeu desde o início aquilo que queríamos fazer.

De que forma é que compõem a vossa música? Como é o vosso processo criativo?
DB: Tendo em conta os tempos que correm o processo criativo sofreu algumas alterações e acho que acabou por ser um pouco mais “solitário” no sentido em que estávamos cada um em sua casa a trabalhar numa ideia que depois enviamos ao outro por WeTransfer (…) Foi muito nessa base da troca de ideias. A quarentena também nos ajudou um bocado nesse sentido e deu-nos tempo para ouvir as músicas e decidir o caminho que queríamos seguir. Por exemplo, tínhamos músicas que supostamente já estavam fechadas em que decidimos voltar a pegar, como outras que foram feitas completamente de raiz, algumas inteiramente por ele e outras por mim.

O que podemos esperar de “Hooligan’s Heart”? Vamos voltar a ouvir a voz do David neste disco?
DF: Do “Hooligan’s Heart”, podem esperar muitas participações na voz, de artistas que gostamos muito, como foi o caso da EVAYA. Estamos ansiosos por poder partilhar! Mas fundamentalmente, como foi dito em cima, optamos por uma vertente instrumental mais 80s, synthwave, synthpop, e todo esse universo, que muito nos influenciou ao longo dos tempos, e ao longo do nosso crescimento pessoal.

Acho que este álbum vai marcar um ponto de partida, e um encontro ao que realmente é, e define, “David From Scotland”. Optamos por não usar neste registo vozes como a do “Baywatch Drive”, até porque ambos concordamos que não fazia sentido num registo de longa duração. Aquilo foi uma cena muito experimental (risos), e apesar de ter tido uma boa receção, até por ser assim mais fora da caixa, não fazia sentido para nós incluir na sonoridade que procuramos para o LP. No entanto, num futuro, poderemos voltar a esse registo, num ou outro momento cirúrgico, até porque acabou por ficar, em parte, um pouco como uma das nossas imagens de marca. É engraçado olhar para trás e perceber isso. Nunca pensei que houvesse tanta gente a preferir a 1992, por exemplo, do que a Neon Nymph (risos).

De resto, o bom de sermos dois, e de ambos gostarmos de arriscar (e arriscar, para mim e para o Diogo, vai desde buscar um som mais à Kavinsky até tentar a construção de uma obra pop), é que temos todo um futuro para lançar coisas, explorar caminhos, e fazer o que bem nos apetecer, desde que gostemos e estejamos confortáveis com isso.

É cedo para falar sobre futuro neste contexto pandémico que atravessamos, mas quais são os vossos planos, além da edição do álbum em 2021?
DB: Como tu próprio referes, acho que ainda é cedo para planear o que quer que seja porque simplesmente não sabemos sequer o dia de amanhã. Mas a um nível realista, vá, e no que toca ao álbum em concreto, estamos com ideias de lançar outro single mais para o fim do ano e lançar o álbum no início de 2021.

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